O que une Cleitinho, Gleidson e Eduardo é um projeto para Minas ou um projeto de poder?

Na política mineira, poucas coisas são tão valiosas quanto a coerência. E poucas são tão escassas quanto ela quando o assunto é a família Azevedo. O senador Cleitinho (Republicanos), o prefeito de Divinópolis, Gleidson (Novo), e o deputado estadual Eduardo (PL) formam hoje um trio que parece unido pelo sobrenome, mas cada vez mais desalinhado por projetos, espaços e conveniências.
Cleitinho: de que lado você está?
Cleitinho Azevedo tenta vender a imagem de “independente”, mas, na prática, o que se vê é um político tentando identificar qual lado pode trazer maior projeção. Ele flerta com a direita quando convém, mas não hesita em acenar para a esquerda quando percebe oportunidade eleitoral.
Já elogiou Lula em momentos-chave, defende pautas historicamente associadas à esquerda — como o fim da escala 6×1 — e evita qualquer compromisso ideológico mais firme. O resultado? Desconfiança por parte de líderes partidários.
Conforme interlocutores, na direita cresce a percepção de que Cleitinho não é o nome mais confiável ideologicamente. Embora mantido por perto e como uma das opções do PL de aliança ao governo de Minas, o senador não aparece como primeira alternativa, mesmo liderando pesquisas.
Na esquerda, ninguém o vê como aliado real. Ele tenta ocupar o espaço do “antissistema”, mas acaba preso no papel do político que quer agradar a todos e não representa ninguém por inteiro.
Alimentando o discurso de “dono do meu mandato”, Cleitinho tenta se eleger na preferência popular, bem antes das urnas e sem partidos. Os aliados “por conveniência” reconhecem o potencial, mas sabem bem que, em política majoritária, esse jogo de “independência” tem nome: risco. A lealdade sobreviveria? O momento é de cálculo de risco, e tudo é possível.
Gleidson Azevedo: pragmatismo demais, explicação de menos
Se Cleitinho joga com o discurso, Gleidson Azevedo joga com os bastidores. Prefeito de Divinópolis, ele avançou sem cerimônia para uma aproximação direta com Gleide Andrade (PT), conhecida articuladora do governo federal em Minas.
A pergunta que ecoa nos corredores da política mineira é simples e incômoda: qual o interesse de Gleidson ao aproximar-se de uma liderança petista?
A relação é institucional? Política? Eleitoral? Ou uma tentativa clara de garantir proteção, recursos e sobrevivência futura, independentemente de quem esteja no poder em Brasília?
O silêncio de Gleidson sobre os termos dessa aproximação fala alto. Mais alto ainda foi o fato de seu nome ter sido cogitado como vice de Mateus Simões (PSD), representante direto do grupo de Romeu Zema (Novo) — um campo político oposto ao do governo Lula.
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Ou seja: se houver espaço, Gleidson vai. Se mudar o vento, ele muda junto?
Até aqui, a possibilidade mais real é de que Gleidson dispute uma cadeira na Câmara Federal. Embora haja quem diga que as movimentações já estejam ocorrendo para que a vice-prefeita Janete (Avante) assuma a prefeitura em abril, interlocutores próximos dizem que questões pessoais estão pesando na decisão. A descompatibilização não é remunerada.
Tabuleiro Político:
Eduardo Azevedo: o irmão fora do jogo?
E então há Eduardo Azevedo (PL) — o irmão que não aparece nas grandes articulações. Estrategicamente presente em momentos de projeção e sem intenção — pelo menos até aqui — de alçar voos para Brasília, ele deve buscar a reeleição.
Seu recente elogio público ao prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (sem partido) — pré-candidato ao Governo de Minas —, com a frase “ganhou ainda mais meu respeito!”, soa como um menino de recado tentando acenar e, assim, trazer mais um nome para perto do irmão.
Mas, diferente dos irmãos, ele evita aparições ou aproximações públicas com o outro lado, mantendo a coerência do perfil conservador que o elegeu deputado estadual. Um aceno à esquerda poderia lhe custar alguns bons votos.
Clã Azevedo: Uma família, muitos lados
O que une Cleitinho, Gleidson e Eduardo é um projeto para Minas ou um projeto de poder?
Direita, esquerda, centro, governo federal — tudo parece ser negociável. Tudo parece ser conversável. Tudo é adaptável. Menos a coerência.
Se hoje flertam com todos os campos, amanhã podem romper com qualquer um.
Na política, quem não tem lado costuma ter apenas um objetivo: o poder pelo poder.



