Escritora denuncia falta de reconhecimento e dificuldade de participação em eventos literários
Artistas com deficiência sempre existiram, mas por muito tempo o capacitismo os manteve à margem da cultura brasileira. Ainda hoje, poucos têm visibilidade e reconhecimento, e, no caso da literatura, são raros os que alcançam um público expressivo.
“A principal dificuldade dentro da discussão da literatura é reconhecer o sujeito com deficiência como um sujeito produtor”, afirma a pesquisadora, filóloga e escritora Amanda Soares, 25 anos, criadora do perfil PCD Perigosa no Instagram.
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Para Amanda, a literatura é fundamental para que as histórias e vivências dessas pessoas sejam conhecidas, mas essas narrativas ainda são pouco acessíveis no país. Ela ministrou uma oficina sobre Liter Def literatura produzida por e para pessoas com deficiência na Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), em Salvador.
Segundo a autora, um dos maiores desafios para esses escritores é a participação em eventos presenciais, como a própria Flipelô, devido a barreiras financeiras e estruturais. “Pouquíssimos autores conseguem chegar aqui… A arte no Brasil é complicada para qualquer pessoa. Para um corpo que precisa de muito mais, é ainda mais difícil falar sobre visibilidade”, destacou.
Amanda reforça que estar fisicamente presente nesses eventos é essencial para criar redes de contato e fortalecer a memória coletiva. “O contato humano é significativo. Eu me reconheço em você e você se reconhece em mim, mesmo sem ter deficiência. Esse tipo de contato é primordial para um autor PCD.”
Mapeamento busca mudar cenário
Em 2024, o Ministério da Cultura e a Universidade Federal da Bahia iniciaram o projeto Mapeamento Acessa Mais, que visa identificar artistas e profissionais ligados à acessibilidade cultural em todo o Brasil. A iniciativa busca subsidiar políticas públicas que tornem a cultura mais inclusiva.
Para Amanda, conhecer a realidade e a produção desses autores é fundamental. “Sempre focamos em acessibilidade e inclusão como ferramentas, mas esquecemos de conhecer o sujeito que as utiliza. É a partir dele que todas as políticas devem ser pensadas.”
Ela também aponta que cotas, embora importantes, não garantem acesso real se não houver suporte adequado. “O corpo com deficiência intelectual, por exemplo, pode precisar de um terceiro para acessar oportunidades. É preciso pensar também nessas condições.”
A programação da Flipelô 2025 se encerra neste domingo. Mais informações estão disponíveis no site oficial do evento: flipelo.com.br.



