Água: entre alertas e soluções que insistimos em adiar

EditorialMinas Gerais
Por -09/09/2025, às 17H53setembro 9th, 2025
rio pará divinópolis
Foto: CBH do Rio Pará

Enquanto os números assustam, iniciativas locais tentam mostrar que ainda há saída para preservar o recurso hídrico

A cada período de estiagem, o cenário se repete. O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) publica novas portarias restringindo o uso da água em diferentes bacias hidrográficas. Desta vez, o alerta recai sobre o Rio Pará, com impacto direto em pelo menos 14 cidades do Centro-Oeste mineiro. É a resposta a uma situação crítica que, embora previsível, continua sendo tratada como surpresa.

Não faltam diagnósticos. A combinação de fenômenos climáticos, como El Niño e La Niña, com fatores humanos — desmatamento, desperdício, expansão urbana desordenada e falta de investimento em saneamento — torna a escassez hídrica uma realidade cada vez mais grave. A Agência Nacional de Águas (ANA) já projeta uma redução de até 40% na disponibilidade hídrica em algumas regiões do país até 2040. O alerta não é novo, mas segue sendo negligenciado.

Enquanto os números assustam, iniciativas locais tentam mostrar que ainda há saída e o PORTAL GERAIS preparou uma série especial com reportagens sobre a produção de água e a conscientização do consumo do recurso hídrico. Assista no nosso instragram.

Soluções: Preservação, conscientização e produção de água

O Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água, do Comitê da Bacia do Rio Pará, atua com produtores rurais em microbacias de cidades como Cláudio, Carmo do Cajuru e Pompéu. A proposta é simples e eficiente: preservar nascentes, ampliar a oferta e qualidade da água e, ao mesmo tempo, fortalecer a produção agrícola. É a prova de que cuidar do meio ambiente não significa abrir mão do desenvolvimento, mas garantir que ele seja sustentável.

A bacia do Rio Pará conta com 1 milhão de pessoas, 12% estão nas áreas rurais. O rio Pará tem 365 quilômetros e desagua no São Francisco, cortando mais de 10 cidades do Centro-Oeste de Minas.

As escolas também fazem sua parte. Em Divinópolis, o Cmei Maria da Conceição implantou um sistema de reaproveitamento da água da chuva, transformando a carência em aprendizado. Na rede estadual, o programa Chuá Socioambiental da Copasa leva educação e conscientização para dentro das salas de aula, envolvendo crianças e jovens no desafio de economizar água.

Essas experiências mostram que é possível agir. No entanto, a responsabilidade não pode ser transferida apenas para escolas e produtores rurais. A crise exige planejamento, investimento e políticas públicas consistentes. Precisamos parar de tratar a escassez hídrica como uma fatalidade climática e assumir que ela também é fruto da omissão do poder público e da falta de consciência coletiva.

Se não quisermos que manchetes sobre restrição de água se tornem rotina — ou pior, que torneiras secas passem a fazer parte do cotidiano —, é urgente transformar os alertas em ações permanentes. Cuidar da água é cuidar da vida. E ainda temos tempo para evitar que o futuro previsto se torne irreversível.