Alimentar pombos pode ser proibido em Divinópolis

Vereador afirma que causa é questão de saúde pública; iniciativa já gera controvérsia

Ricardo Welbert

Alimentar pombos nas praças, ruas e avenidas é um costume que pode estar com os dias contados em Divinópolis. Um projeto de lei apresentado à Câmara tenta proibir a criação e manutenção dessas aves na área urbana.

Autor da proposta, o vereador Eduardo Azevedo (PSC) afirma que a medida é necessária porque muita gente alimenta ou abriga os pombos, gerando riscos à saúde.

“Pombos podem transmitir várias doenças graves, como salmonelose, criptococose, histoplamose, onritose e meningite. Deixar de alimentar ou de abrigar esses animais faz com o que eles procurem locais mais adequados para viver, com alimentação correta e longe dos perigos das cidades. Um pombo na cidade vive em média quatro anos, enquanto que em seu ambiente natural pode viver até 15 anos”, defende o autor.

Azevedo sobre pombo: ‘prolifera doenças e torna-se caso de saúde pública’

Para tentar conseguir alcançar esse objetivo, o vereador propõe alterar um artigo de uma lei de 2008 que já proíbe a criação ou a manutenção temporária de suínos, acrescentando a essa lei um trecho que proíbe alimentação e criação de pombos na área urbanizada.

“A quantidade de pessoas que criam pombos em Divinópolis é muito grande. Nada contra a pessoa criar pombo no perímetro rural, que é o local adequado. Mas, no período urbano, prolifera doenças para a comunidade e torna-se um caso de saúde pública”, defende Azevedo.

Contraponto

Antes mesmo de passar pelo plenário, a ideia já gera controvérsia. Ao PORTAL GERAIS, um membro do Legislativo (que pede para não ser identificado nesta reportagem) afirma que a proposta já nasce falha.

“A argumentação de que transmite doenças é péssima, porque cães e gatos também transmitem doenças. A gente vai proibir as pessoas de distribuírem rações nas portas de suas casas e nos comércios?”, questiona.

Ainda segundo a fonte, esses animais são meros vetores, que transmitirão cada vez mais doenças à medida que o Município não desenvolve políticas adequadas de limpeza urbana.

“Os lixos jogados nas ruas aumentam os índices de leishmaniose e de outras pragas urbanas. Então a gente vai impedir as pessoas de alimentarem cachorros? Vamos matar os gatos, que transmitem toxoplasmose? Todas as cidades do mundo têm pombos. A existência deles não pode ser responsabilidade de que joga pipoca pra eles nas praças”, diz.

Como tramita

A proposta de Azevedo foi apresentada à Câmara no dia 12 de fevereiro. Ainda precisa ser distribuída às comissões legislativas, para análise.

Se for aprovada, ainda dependerá da aprovação do prefeito Gleidson Azevedo (PSC). Caso seja sancionada, deverá vigorar a partir da publicação no “Diário Oficial”.

Nota da Redação – Após a publicação desta reportagem, Eduardo Azevedo fez contato com o PORTAL GERAIS para esclarecer que o texto originalmente apresentado por ele à Câmara leva ao entendimento errado de que não seria mais permitido dar comida aos pombos em ruas, avenidas, praças e parques. Na verdade, segundo o vereador, o objetivo dele é proibir as criações clandestinas, que ocorrem quando alguém mantém as aves abrigadas e alimentadas em viveiros, sem qualquer tipo de autorização. Ainda segundo Azevedo, em muitos casos as gaiolas são abertas regularmente, para que os pombos possam sair, percorrer a cidade e depois regressar ao viveiro para comer e dormir. “Por causa dessa possibilidade de interpretação errada, vou apresentar um substitutivo corrigindo o texto do projeto”, disse o vereador. A reportagem foi atualizada no dia 22 de fevereiro de 2020, às 14h20. 

Ricardo Welbert

Ricardo Welbert

Ricardo Welbert, jornalista formado pela Uemg em Divinópolis e mestrando em Ciências da Comunicação na Universidade do Porto, em Portugal.

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