Animais de rua em Lagoa da Prata ganham casinhas feitas por presidiários da Apac

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Por -03/08/2026, às 15H33agosto 3rd, 2026
Recuperandos da Apac montam abrigos para animais de rua em Lagoa da Prata
Abrigos produzidos por recuperandos da Apac da Comarca de Lagoa da Prata beneficiam animais de rua (Crédito: Divulgação / TJMG)

Projeto já entregou 18 casinhas e usa madeira reaproveitada, com placas que dizem “Novas chances transformam vidas”.

Em Lagoa da Prata, recuperandos da Apac passaram a fazer abrigos para cães e gatos em situação de rua, em uma iniciativa que junta ressocialização, sustentabilidade e proteção animal. O trabalho nasceu da aproximação entre ideias surgidas quase ao mesmo tempo, ganhou força numa audiência pública sobre animais de rua e hoje envolve a marcenaria da unidade, a APA e o município.

A vereadora Ana Ruth enviou um ofício sugerindo que a marcenaria da Apac fosse usada para produzir casinhas para cães e gatos. A partir daí, um grupo de recuperandos passou a dedicar parte da laborterapia à fabricação dos abrigos, feitos com chapas de madeira reaproveitadas.

Casinhas saem da oficina e chegam às ruas

Cada abrigo recebe uma placa com a frase “Novas chances transformam vidas”. As casinhas são entregues gratuitamente para animais que vivem em espaços públicos e cuidados pela comunidade. A APA faz o cadastro dos protetores e tutores comunitários e define para onde cada peça vai.

O projeto já entregou 18 abrigos. Além de proteger os animais, a iniciativa busca chamar atenção para a guarda responsável. Sophia Goreti Rocha Machado, juíza titular da 1ª Vara Cível, Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Lagoa da Prata, disse que o cuidado com os animais é “uma questão ambiental e também de saúde pública” e que “não basta oferecer alimento”.

Conforme ela, é preciso “proteger, castrar, cuidar da saúde e evitar o abandono”, mensagem que vem sendo reforçada na divulgação das casinhas junto à comunidade. Sophia Goreti Rocha Machado também afirmou que os recuperandos ficam orgulhosos ao ver as casinhas prontas, pintadas e enfileiradas para entrega, porque passam a se sentir parte de algo maior.

Da madeira reaproveitada ao curso que vem aí

A juíza disse ainda que o Judiciário atua como “fomentador e elo” entre iniciativas que já existem, mas precisam ser conectadas. De um lado, segundo ela, está a mão de obra e o potencial de transformação dos recuperandos; do outro, protetores e instituições que precisam desse apoio. O objetivo é unir essas pontas.

A parceria entre a Apac e o município de Lagoa da Prata também permite acolher animais debilitados ou em situação de vulnerabilidade. Paralelamente, está sendo desenvolvido um projeto para oferecer um curso de profissionalização em assistência veterinária e estética animal aos recuperandos da Apac.