Após atropelamento em Pitangui, menino descobre tumor e vence câncer

Minas Gerais
Por -27/11/2025, às 12H52novembro 27th, 2025
Heitor durante segunda etapa do processo de quimioterapia (Foto: Acervo de família)

Heitor Israel, de 7 anos, sofreu acidente quando ia comprar pão; família precisa de ajuda para custear tratamento

O atropelamento de uma criança no dia 1º de julho de 2025 em Pitangui, no Centro-Oeste de Minas, mudou bruscamente a vida da família, que agora precisa de ajuda financeira. O pequeno Heitor Israel, de 7 anos, foi atingido por um carro quando ia comprar pão. Durante exames, médicos descobriram por acaso que o menino tinha um tumor no cérebro.

O menino passou por cirurgia no setor do Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD) que integra a Associação de Combate ao Câncer do Centro-Oeste, em Divinópolis. Ele venceu recebeu alta hospitalar. Porém, o tratamento continua com medicações e procedimentos clínicos que custam caro. A família precisa de ajuda financeira. (Saiba como doar mais abaixo)

Acidente sofrido por Heitor perto de casa

A mãe do garoto, Ianka Israel, conversou com a reportagem do PORTAL GERAIS e explicou em detalhes a sequência dos acontecimentos com o filho.

“Ele saiu de casa para buscar o pão na rua de baixo de casa, como ele já tinha o costume de fazer. Mas, naquele dia, por volta de 16h30, ele saiu e, menos de três minutos depois, uma amiga minha me ligou. Eu estranhei a ligação. Parece que na hora eu senti que algo parecia ter acontecido. Coração de mãe sempre sente”, recorda.

Uma câmera de monitoramento da padaria onde Heitor iria registrou em vídeo todo o acidente. As imagens mostram o trânsito normal na rua Siderpita, no bairro Chapadão. De repente o pequeno Heitor aparece atravessando a rua sem observar o fluxo de veículos. Ele é atropelado por um carro e arremessado por alguns metros, bate com a cabeça no chão e permanece desacordado no asfalto.

Momento em que Heitor é atingido pelo carro (Foto: Imagem de câmera de segurança)

No outro lado da linha telefônica, a amiga de Ianka contou que Heitor havia sido atropelado.

“Eu já desci a rua louca, desesperada. Quando cheguei lá, senti a pior sensação da minha vida. Ver ele caído lá no chão depois do atropelamento foi pior de tudo”, desabafa.

Desesperada, a mãe pegou o filho no colo. Os dois foram levados de carro à Santa Casa de Pitangui, pelo motorista do carro que havia atropelado Heitor.

“Chegando lá, o Heitor já entrou na urgência e o pessoal atendeu ele super bem. Fomos encaminhados a Pará de Minas, para que ele pudesse fazer uma tomografia, para ver se tinha dado alguma coisa”.

Ianka atribui a proteção divina o fato de Heitor não ter tido a cabeça esmagada pelo carro que o atropelou e por nenhum outro veículo que passava pela rua. “Ele bateu bem forte com a cabeça no chão. Quase que o carro ainda passou por cima da cabeça dele. É livramento de Deus mesmo que ele teve. É um milagre. Ele renasceu de novo. Ele renasceu”.

Após sesr atropelado por carro, Heitor permaneceu caído no asfalto (Foto: Imagem de câmera de segurança)

Motorista que atropelou foi ‘anjo de Deus’

Ianka também considera o motorista que atropelou Heitor como um “anjo de Deus”. Não apenas porque o condutor do carro socorreu o menino e levou a família ao hospital, como também porque o acidente permitiu o diagnóstico do câncer a tempo de que ele pudesse ser tratado.

“Depois de Pará de Minas, voltamos a Pitangui e os médicos aqui da cidade viram que tinha dado alguma coisa errada na tomografia. Mas, não quiseram me falar nada. Só falaram que tinha dado um resultado inconclusivo e que o pessoal do Samu iria conversar comigo”, recorda.

A conversa com os socorristas do Samu aconteceu já depois da meia-noite. Eles disseram à mãe que o menino precisaria ser transferido para o Complexo de Saúde São João de Deus, em Divinópolis. “E assim nós fomos para a Sala Vermelha e logo depois ele foi transferido à pediatria”.

Heitor foi submetido a um exame de ressonância magnética. Por volta das 3h o médico plantonista foi conversar com a mãe e contar a ela que o resultado mostrava uma complicação. Ianka pensou que aquilo tinha relação com o atropelamento.

“Eu achei que pudesse ter tido traumatismo ou sangramento interno, porque a pancada do carro foi muito forte.Para meu alívio temporário, não tinha dado nada do acidente.Mas, para meu desespero total, veio o diagnóstico do tumor. Um tumor imenso no cérebro dele, coisa que eu nunca imaginei na minha vida. Isso jamais passaria pela minha cabeça”, recorda.

Resultado de exames mostraram tumor de grande porte no cérebro (Foto: Acervo de família)

Diagnóstico de câncer trouxe duras recordações a Ianka

Dez anos antes, Ianka teve que lidar com algo impensável: a perda da mãe por câncer. “Então agora, com o Heitor diagnosticado com câncer, me vi revivendo tudo que eu vivi no passado com a minha mãe. Deus me deu duas vezes a responsabilidade de cuidar de pessoas que eu amo com a mesma doença”.

Desafios de lidar com novo trauma

Em choque com o diagnóstico, a mãe explicou ao médico que o filho nunca havia tido nenhum indício de tumor cerebral – como, por exemplo, desmaio ou convulsão. “Ele nunca teve uma convulsão, nem nada. A não ser dor de cabeça normal, como toda criança tem. Uma coisa magnitude, ele nunca mostrou que tinha”, relata a mãe.

Heitor já no leito hospitalar (Foto: Acervo de família)

Após o diagnóstico do tumor, Heitor passou dez dias internado no mesmo hospital. Depois foi marcada a cirurgia, à qual o menino foi submetido no dia 22 de julho. “O procedimento foi muito complicado. Antes dele entrar para a cirurgia, o médico conversou comigo e com a minha irmã sobre todos os prós e contras. Falou de todas as possíveis sequelas, como perda da fala, dos movimentos, da audição e da visão”.

Riscos à vida de Heitor durante o procedimento cirúrgico

No fatídico dia da cirurgia, o médico alertou Ianka sobre o risco de precisar colocar Heitor em coma. “Porque o lugar no cérebro onde o tumor estava deixava tudo ainda mais complicado. Então foi uma cirurgia bem demorada”, recorda a mãe.

Heitor no bloco cirúrgico (Foto: Acervo de família)

Apesar do tempo necessário, o procedimento cirúrgico transcorreu conforme o esperado. A mãe logo passou a considerar o atropelamento como algo positivo – pois, sem ele, não teria sido necessário fazer a tomografia que levou ao pré-diagnóstico do tumor cerebral.

“Meu filho é um milagre de Deus. Esse atropelamento veio para poder mostrar que o tumor era bem grande, já estava comprimindo as artérias e não tinha mais espaço para crescer . O médico já havia me falado que se eu não tivesse descoberto o tumor logo depois do atropelamento, eu só iria descobrir quando a doença estivesse aniquilando meu filho”.

A mãe recorda que o filho foi operado dentro de 22 dias – o que talvez pudesse demorar se fosse preciso aguardar por vaga no leito do SUS. “Deus foi encaminhando tudo. Encaminhou a internação, a cirurgia, o tratamento e os médicos, sabe. Encaminhou tudo”.

Convulsão intensa durante a recuperação

Após a cirurgia, houve um dia em que Heitor sofreu uma convulsão muito forte. “Nesse dia também ,Deus não levou o Heitor porque ele teve misericórdia mesmo. Meu filho chegou ao São João de Deus com a saturação baixíssima, em estado de apneia e quase tendo parada cardiorrespiratória. Já roxo. Nesse dia eu quase perdi meu filho. Quase fiquei sem ele de verdade”, relata.

Passado mais esse susto, Heitor começou a passar por radioterapia. “Em todos os dias das radioterapias ele fazia quimioterapia, que não era nas veias, mas sim por meio de comprimidos. Foi assim durante as 30 sessões”.

Após a químio, Heitor ganhou um tempo a mais para se recuperar em casa, onde segue tomando o medicamento da quimio a cada 28 dias. O tratamento ainda vai durar entre seis meses e um ano. “Ele vai fazer uma ressonância em janeiro, para sabermos como está o tumor. Se regrediu ou não”.

Heitor tem ficado fraco por causa das fortes medicações (Foto: Acervo de família)

Mãe solo, Ianka precisa de ajuda financeira para manter tratamento de Heitor

“Moro sozinha com Heitor e a irmã dele, de quatro anos. Pago aluguel e atualmente não tenho podido trabalhar, porque fico aos cuidados dele 24 horas por dia. Vivo para ele. Fico por conta dele todos os dias. Sou eu quem leva ele a todas as consultas e sou eu quem às vezes fico internada com ele. Eu que levo ele a todos os tratamentos”.

Com dois filhos pequenos, mãe solo e sem poder trabalhar para se dedicar aos cuidados dos quais Heitor precisa, Ianka pede ajuda a qualquer pessoa que simpatize com a atuação dele como mãe e queira ajudar.

Ianka com o casal de filhos (Foto: Arquivo de família)

“A situação está bem complicada, sabe. As despesas com medicamentos e alimentação especial está muito alta e eu não tenho conseguido trabalhar. Estou vivendo com a ajuda da minha família, de amigos e de quem possa ajudar. Tudo aqui sou eu que pago sozinha, porque o pai dele, infelizmente, não ajuda com nada relacionado ao tratamento. Nunca me ajudou a comprar um remédio”, desabafa.

Fazendo papel de mãe e pai de Heitor, Ianka pede ajuda.

“Mês que vem ele vai fazer essa ressonância, que vai ficar em quase quatro mil reais. Vou fazer na Axial, em Belo Horizonte. Eu não tenho a mínima condição de arcar com nada dessa ressonância que ele vai ter que fazer”.

Ajude a cuidar de Heitor

Chave PIX celular: (37) 9 9816-6486
Nome: Ianka Wellen Israel Silva
Banco: Nubank

Mãe agradece antecipadamente por doações

Em desespero com as crescentes despesas decorrentes do tratamento de Heitor, Ianka diz que toda ajuda é bem-vinda e agradece qualquer doação, independente do valor.

“Para mim, o primordial é o Heitor estar bem. É o Heitor ser curado. Eu tenho fé e já decretei, em nome de Jesus, que ele vai ser curado. Fui escolhida por Deus para passar por isso por duas vezes. Se Deus me escolheu, é porque eu sou capaz. Tenho muita fé em Deus e é a minha fé que me mantém de pé todos os dias”.

Heitor recebe abraço carinhoso da irmã (Foto: Acervo de famíllia)