Câmara de Carmo do Cajuru aprova reajuste para vereadores e servidores do Legislativo enquanto os servidores da prefeitura aguardam aumento prometido
A Câmara Municipal de Carmo do Cajuru aprovou reajuste salarial para vereadores e servidores do Legislativo logo na primeira reunião extraordinária de 2026, realizada na última segunda-feira (26/1). A decisão ocorre enquanto servidores da Prefeitura seguem na expectativa pela revisão salarial prometida pelo Executivo, que ainda não chegou oficialmente ao Legislativo.
O índice aprovado foi de 4,56%, correspondente ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado, que reflete a inflação de Belo Horizonte, conforme medição da Fundação Ipead.
Com a revisão aprovada, o salário dos vereadores passou de R$ 6.273,60 para R$ 6.559,67. Já entre os servidores do Legislativo, todos receberam o mesmo índice de correção. O maior vencimento será do cargo de analista de sistema e suporte, que subiu de R$ 8.724,65 para R$ 9.122,49.
A votação aconteceu já sob a nova presidência da Casa, que inicia oficialmente os trabalhos legislativos regulares a partir de fevereiro.
Nova Mesa Diretora assume em 2026
A atual Mesa Diretora da Câmara Municipal de Carmo do Cajuru:
Presidente: Rafael Nunes (PDT)
Vice-presidente: Débora Nogueira (Podemos)
1º secretário: Sérgio Quirino (União)
2º secretário: Marcelo Silva (PL)
- Parque da Ilha será fechado temporariamente para manutenção na manhã de quinta-feira
- Acidente na BR-354 deixa motociclista ferido em Formiga
- INMET emite alertas de chuva forte e tempestade; previsão do tempo para o fim de semana
- Restaurantes ampliam opções sem carne vermelha durante a Quaresma
- Lar dos Idosos Padre Libério lança campanha “O Amor não esquece” para fortalecer atendimento a 97 acolhidos
Servidores da Prefeitura seguem sem reajuste
Enquanto o reajuste da Câmara já está definido, os servidores municipais da Prefeitura aguardam a revisão salarial do Executivo. Apesar de informações não oficiais indicarem que o projeto já estaria pronto, nenhuma proposta chegou à Câmara até o momento.
Além disso, os trabalhadores acompanham com preocupação a possível retomada da votação do Projeto de Lei Complementar 14/2025, de autoria do prefeito Vinicius Camargos (PP), que propõe mudanças profundas no Estatuto dos Servidores.
Projeto rejeitado volta ao centro do debate
O PLC 14/2025 acabou rejeitado em primeiro turno no ano passado, após forte mobilização do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram). Agora, a expectativa gira em torno de uma nova tentativa de aprovação em segundo turno.
Entre os pontos previstos no projeto estão:
- Demissão de servidor condenado por crime doloso com sentença transitada em julgado, especialmente contra a vida, o patrimônio público ou a administração pública;
- Suspensão preventiva automática do vínculo funcional e da remuneração em casos de prisão;
- Possibilidade de demissão por “conduta escandalosa” ou incompatível com o cargo.
Sindicato vê risco de perseguição e arbitrariedade
Para o Sintram, o texto abre margem para abusos. O presidente da entidade, Marco Aurélio Gomes, critica especialmente o uso de termos subjetivos.
“O que é conduta escandalosa? Como definir isso? No entendimento do nosso Departamento Jurídico isso abre margem para demissões injustas, arbitrárias, já que o entendimento por conduta escandalosa vai ficar a critério do julgador. Não podemos admitir que o Estatuto, onde estão expressas as normas que conduzem a vida laboral dos servidores, tenha regras que possam gerar entendimentos dúbios ou possam ser interpretadas ao prazer de quem vai julgar”, declara.
Conforme ele, o projeto pode ser usado como instrumento de retaliação política ou pessoal.
“O sindicato está cheio de denúncias de perseguição de servidores no serviço público de Carmo do Cajuru. Não queremos protecionismo ao servidor que venha a cometer um crime grave, mas também não queremos que o servidor esteja sujeito a um julgamento injusto”, afirma.
Suspensão automática alvo de críticas
Outro ponto considerado grave pelo sindicato é a previsão de suspensão automática do vínculo funcional e do salário em caso de prisão, mesmo sem condenação definitiva.
“Consideramos que nesse caso haverá uma condenação sem julgamento. A prisão preventiva ou temporária não é uma condenação criminal, portanto, a suspensão do vínculo e da remuneração será uma condenação antecipada pelo patrão sem que haja uma sentença julgada em definitivo”, acrescenta Marco Aurélio Gomes.
Votos da nova Mesa reacendem polêmica
A composição da nova Mesa Diretora também chama atenção dos servidores. O atual presidente, Rafael Nunes, ainda como vereador, votou a favor do projeto no primeiro turno, posicionando-se contra os interesses da categoria. O 1º secretário, Sérgio Quirino, também apoiou a proposta.
Já o 2º secretário, Marcelo Silva, votou contra. A atual vice-presidente, Débora Nogueira, não participou da votação, pois presidia a sessão à época.
Com reajuste aprovado para o Legislativo e incertezas para os servidores da Prefeitura, o início de 2026 promete embates intensos entre Executivo, Câmara e sindicatos em Carmo do Cajuru.


