População critica possível novo aterro próximo ao atual; Prefeitura criará comissão com a comunidade e adotará medidas para reduzir impactos aos moradores
Por Brenda Fernandes
Uma audiência pública realizada na Câmara Municipal de Divinópolis, na última quarta-feira (15/4), discutiu a situação do aterro controlado localizado próximo aos bairros Lagoa Parque e Santa Lúcia. O encontro reuniu representantes da sociedade civil, equipe técnica e a prefeita Janete Aparecida. Embora, o local seja classificado como “aterro controlado”, a atual situação tem feito com que pareça um “lixão”.
A reunião foi solicitada pela vereadora Kell Silva, que destacou a urgência do debate. “Porque o aterro, ele já não é mais um aterro, ele virou um lixão, a gente precisa cuidar desse lixão para ele não se transformar ainda mais em um problema de saúde pública”, afirmou a vereadora.
Moradores relatam problemas a mais de 40 anos
Durante a audiência, moradores relataram problemas antigos relacionados ao local. Segundo Leticia Aruda moradora participante da tribuna Livre , a situação se arrasta há décadas. “A gente enfrenta esse problema com quarenta anos, né? Desde dois mil e dois que eu tô aqui na luta”, disse.
Além disso, houve questionamentos sobre a possibilidade de implantação de um novo aterro próximo ao atual. “Então o nosso questionamento maior é o quê? Se realmente ele é um lixão, precisa recuperar aquela área”, afirmou o moradora.
Ainda conforme o relato, a preocupação é que a nova estrutura seja instalada a cerca de 100 metros do local atual. “Por quê que esse novo aterro tem que ser instalado no aproximadamente em cem metros de um local onde já deveria ter sido desativado e recuperado”, questionou.
Encaminhamentos da Prefeitura
Por outro lado, a prefeita explicou que o município enfrenta limitações quanto a áreas disponíveis para implantação agora do “aterro sanitário”. “A verdade é. Não é querer estar ali, é não ter outro lugar pra levar”, declarou.
Segundo ela, a administração pretende criar uma comissão com participação da comunidade para acompanhar o processo. Além disso, reuniões periódicas devem ocorrer a cada 60 dias para apresentar os avanços.
A prefeita também afirmou que o município trabalha na definição do modelo de tratamento dos resíduos ainda em 2026. Em seguida, a previsão é realizar licitação ou parceria até dezembro de 2027, com início das operações em 2028.
Entre outras medidas, a gestão pretende reforçar a fiscalização, garantir o funcionamento de maquinário e ampliar a cobertura de terra sobre os resíduos para reduzir odores e impactos ambientais.
Aterro sanitário para 30 municípios
Em 2024, cogitiou-se a implantação de um aterro sanitário e de Unidade de Valorização de Resíduos (URV). A proposta estava prevista na estruturação do projeto para concessão de serviço de manejo de resíduos sólidos apresentada em fevereiro daquele ano pelo Consórcio Intermunicipal Multifinalitário do Centro-Oeste Mineiro (Cias).
Ele englobava mais de 30 cidades, entre elas Divinópolis, com objetivo de gerenciar a destinação final dos resíduos sólidos dos envolvidos em atendimento ao Novo Marco Legal do Saneamento. Contudo, após resistência encontrada o então prefeito Gleidson Azevedo (Novo) recuou e deixou o consórcio.
Com isso, uma nova modelagem é estudada pela atual prefeita para atener o Marco Legal do Saneamento.
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Moradores cobram respostas
Apesar dos encaminhamentos, moradores afirmaram que as respostas ainda não atendem às expectativas. Conforme relatos, há dúvidas sobre a legalidade e o licenciamento de um novo aterro na região.
“A gente vai lutar, a gente não vai desistir porque é nós que sentimos na pele toda consequência daquilo ali”, declarou moradora.
Dessa forma, o debate deve continuar nos próximos meses, com acompanhamento da população e novas discussões sobre o futuro do tratamento de resíduos em Divinópolis.



