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Balaio de gatos: Caos e instabilidade ameaçam a democracia

Por 11/08/2021agosto 16th, 2021Blog, Outras Notícias

Tenho feito um esforço enorme para não escrever sobre política. Não porque não goste do tema, mas sim porque está tudo tão sensível e dividido que qualquer entendimento do que é escrito nem sempre é racionalizado. Tem gente que interpreta pelo fígado. Aí fica difícil qualquer tipo de compreensão mais saudável, edificante.

Mesmo correndo o risco de não ser devidamente compreendido por alguns, respeito os entendimentos em contrário, vou arriscar aqui algumas observações:

Se considerarmos as últimas pesquisas visando à eleição para presidente, Bolsonaro hoje tem uma certeza:

Vai perder a eleição ano que vem.

Talvez isso justifique algumas de suas atitudes. Bolsonaro quer o caos, a instabilidade e o clima de desconfiança. Infla, sobretudo, sua base. Quer por brasileiro contra brasileiro. Outro elemento é uma possível instrumentalização de parte das Forças Armadas, que vem aderindo ao tom bélico das suas narrativas.

As cenas registradas na manhã da última terça, 10, ilustram bem o argumento descrito acima. Um desfile militar, atípico, na capital federal com dezenas de veículos, homens e armamento pesado só para encontrar o presidente e lhe entregar um convite.

Mas a mensagem principal não foi essa. O que se quis foi fazer um exercício de força e intimidação. Coincidência ou não, no mesmo dia que foi votada a polêmica PEC do Voto Impresso.

O Brasil, com graves sequelas, vai superar a pandemia, mas o que está por vir no campo político poderá ser igualmente traumático. A soberania nacional há tempos não foi tão ameaçada, e antes que a situação fique insustentável é necessário por um freio a qualquer arroubo de autoritarismo.

Caso isso não ocorra, o clima de guerra civil que se vê nas redes sociais vai ganhar as ruas. É exatamente esse cenário que vem sendo plantado bem diante de nossos olhos. O caos será a sobrevida do bolsonarismo.

Do outro lado, Lula terá que atualizar e moderar seu discurso para 2022. Até mesmo, fazer um mea-culpa. Indiretamente ele tem responsabilidade no atual quadro político, no qual a descrença e o ódio estão presentes.

O petista vai ter que aprender a falar com toda a sociedade brasileira. Sem a soberba típica da esquerda e entendo que o mundo mudou e que a relação capital e trabalho tem que ser mais harmoniosa. Com concessões dos dois lados, para todos ganharem.

Velhos modelos do passado – Cuba, Rússia/União Soviética, China – já não são bons exemplos. Regimes totalitários não são só vistos na direita. A esquerda também cria seus ditadores. Do tipo “made in” Venezuela, por exemplo.

É em meio a essa convulsão política que estamos a pouco mais de um ano das eleições presidenciais. São tempos difíceis para a nossa tão combalida democracia.

Enquanto contam-se os mortos pela Covid, que já são mais de MEIO MILHÃO, faltam emprego e comida. O que sobra, e enche o saco, é essa disputa de poder que causa instabilidade entre os poderes constituídos. Num momento tão estranho, muitos estão desejosos por um golpe.

Militar ou não.


As opiniões manifestadas pelo autor não refletem, necessariamente, as posições do PORTAL GERAIS


 

Rodrigo Dias

É jornalista e web poeta, há mais de duas décadas trabalha no mercado de comunicação. Formado em Publicidade e Propaganda, também atua como assessor de comunicação.

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