Bolsa Família amplia inserção de mães no mercado de trabalho

Minas Gerais
Por -01/10/2025, às 07H57outubro 1st, 2025
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Estudo aponta crescimento de 7,4% no emprego formal entre beneficiárias, com destaque para mães de crianças de três a seis anos.

O Programa Bolsa Família tem contribuído diretamente para a inserção de mães no mercado de trabalho. Segundo o estudo “Transferência de renda e participação feminina no mercado laboral: o caso do Programa Bolsa Família”, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), houve aumento de 1,13 ponto percentual na participação dessas mulheres em empregos formais, o que representa um crescimento de 7,4% em relação ao período anterior ao recebimento do benefício.

O impacto é ainda mais expressivo entre mães de crianças de três a seis anos, fase em que a cobertura educacional pública é intermediária e ainda não universal. Nesse contexto, o Bolsa Família oferece suporte para que as mulheres consigam equilibrar os cuidados com os filhos e a busca por oportunidades profissionais.

O programa também reduziu em 4,2 pontos percentuais a probabilidade de beneficiárias se declararem indisponíveis para o trabalho. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C) do IBGE, enquanto cerca de um terço das mulheres em geral não se considera disponível para aceitar emprego, entre os homens esse número é de apenas 10%. A principal razão entre as mulheres é a necessidade de prover cuidados no lar.

Eliane Aquino, secretária nacional de Renda de Cidadania do MDS, destacou que o programa vai além da transferência de renda.

“Nós vemos nessas mulheres o desejo de romper vulnerabilidades e de encontrar caminhos no mercado de trabalho e no desenvolvimento da carreira.”

A pesquisa também mostra que os domicílios beneficiários têm 11,5 pontos percentuais a mais de probabilidade de gastar com educação, principalmente em pré-escola, atividades extracurriculares e material escolar, reforçando o impacto do programa na inclusão social e na igualdade de gênero.

Histórias como a de Elizângela da Silva, 40 anos, mãe de quatro filhos e ex-beneficiária, reforçam a importância do Bolsa Família. “Quando eu tive meus dois primeiros filhos, nós passamos muita fome. Eu era nova, não arrumava emprego e o Bolsa Família me ajudou muito”, contou. Ela destacou que utilizou o tempo em que os filhos estavam na escola para se capacitar em cursos de cuidadora de idosos e agente de portaria. Hoje empregada, não precisa mais do benefício: “Espero não precisar mais e dar oportunidade para outras mães que passam pelo que eu passei.”