Plataforma do Ministério da Justiça reúne bases de dados e facilita buscas em todo o país
A luta de famílias que convivem com a dor do desaparecimento ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (27). O Ministério da Justiça e Segurança Pública lançou o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, plataforma que prevê a integração de diferentes bases de dados e promete ampliar a eficiência na busca por desaparecidos.
Entre as famílias presentes estava a ativista Ivanise da Silva Santos, fundadora da Associação Mães da Sé, que procura a filha Fabiana desde 1995. “Hoje eu estou aqui em estado de graça porque finalmente a gente vai poder comemorar o marco inicial de uma luta que eu carrego há quase 30 anos”, disse emocionada.
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Ferramenta unifica informações dispersas
O cadastro, previsto pela Lei 13.812/2019, já está disponível no endereço https://cnpd.mj.gov.br/painel-publico
. Ele conta com duas funcionalidades principais: um painel público com casos concretos, incluindo fotografias e informações gerais das pessoas desaparecidas, e um banco de dados restrito para órgãos de segurança, com acesso a informações mais detalhadas.
De acordo com a diretora do Sistema Único de Segurança Pública, Isabel Figueiredo, a iniciativa permitirá que registros de desaparecimentos sejam feitos imediatamente, sem a necessidade de aguardar 48 horas, como ocorre em alguns estados. “Quanto antes o Estado souber dos casos, maior a chance que a gente tem de localizar essas pessoas com vida”, explicou.
Em 2024, o Brasil registrou 81.022 desaparecimentos. Destes, 55.159 foram elucidados, o que representa uma taxa de localização de 68%.
Avanço para famílias e para o Estado
O chefe da delegação regional do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Nicolas Olivier, destacou que a unificação dos dados é um marco. “Um cadastro unificado não é apenas uma lista de nomes. É um sistema capaz de cruzar informações, gerar pistas e criar um histórico confiável para apoiar buscas e prevenir novos desaparecimentos”, afirmou.
O secretário nacional de Segurança Pública, Mario Luiz Sarrubbo, ressaltou que a sociedade e o poder público têm uma dívida histórica com as famílias de desaparecidos. “Precisamos conscientizar não só o poder público de norte a sul deste país, mas também a sociedade civil”, disse.



