Câmara aprova regulação das plataformas de streaming e taxa para serviços como Netflix e YouTube

Minas Gerais
Por -05/11/2025, às 09H47novembro 5th, 2025
REPRODUÇÃO REDES SOCIAIS

Deputados aprovam cobrança de contribuição para o setor audiovisual; texto ainda pode mudar após votação dos destaques nesta quarta-feira (5)

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (4) o texto-base do Projeto de Lei 8.889/2017, que cria regras para a regulação das plataformas de streaming e estabelece a cobrança da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine). O texto aprovado é de autoria do relator, deputado Doutor Luizinho (PP-RJ).

Os destaques, que podem alterar partes da proposta, serão analisados nesta quarta-feira (5).

De acordo com o texto, serviços de vídeo sob demanda (VoD) como Netflix, Amazon Prime Video e Globoplay, plataformas de TV por aplicativo como Claro TV+ e sites de compartilhamento de conteúdo, como YouTube, passarão a pagar o tributo.

As alíquotas da Condecine vão variar entre 0,1% e 4% sobre a receita bruta anual das empresas, excluídos os tributos indiretos e incluídas as receitas com publicidade. Empresas com receita anual inferior a R$ 4,8 milhões, enquadradas no Simples Nacional, ficarão isentas da contribuição.

Para os serviços de vídeo sob demanda, as taxas irão de 0,5% a 4%, com valores fixos dedutíveis entre R$ 24 mil e R$ 7,14 milhões, conforme a faixa de receita. Já os serviços de compartilhamento de vídeo pagarão entre 0,1% e 0,8%, com deduções que vão de R$ 4,8 mil a R$ 1,4 milhão.

O relator previu ainda redução de até 75% no valor da contribuição caso mais da metade do catálogo da plataforma seja composto por produções nacionais. O projeto também estabelece cota mínima de 10% de conteúdo brasileiro, equivalente a 700 obras no catálogo.

Reação do setor audiovisual

Na segunda-feira (3), cineastas, roteiristas e técnicos do audiovisual realizaram protestos em várias capitais contra o projeto. Para o movimento, a proposta “representa um risco histórico de desmonte da indústria audiovisual nacional”, por contrariar pareceres técnicos da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e enfraquecer acordos construídos com a sociedade civil.

Os profissionais afirmam que o texto favorece grandes empresas estrangeiras de streaming, podendo prejudicar a produção independente e a sustentabilidade das produtoras brasileiras.

Com informações da Agência Câmara.