Canetas emagrecedoras podem chegar ao SUS com até 90% de desconto

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Por -29/09/2026, às 13H51setembro 29th, 2026
Canetas emagrecedoras podem chegar ao SUS com até 90% de desconto
Divulgação/Ministério da Saúde

Ministério da Saúde estima investimento de R$ 1,5 bilhão por ano e encaminhou pedido para avaliação da Conitec; incorporação ainda depende de análise

Os medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” podem chegar ao Sistema Único de Saúde (SUS) com uma redução de até 90% no preço de aquisição. O Ministério da Saúde estima um investimento de aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano para incorporar essas tecnologias ao sistema público.

No entanto, a oferta ainda não está aprovada. O Ministério encaminhou um pedido de avaliação à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que deverá analisar as evidências científicas e os possíveis impactos da utilização dos medicamentos no sistema público.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a ampliação da concorrência e a produção nacional criaram condições para uma eventual compra dos medicamentos em escala pelo SUS.

“Fizemos uma série de ações que favorecem um novo cenário. Barramos a tentativa de prorrogação da patente, viabilizamos a produção nacional e chamamos fabricantes a registrar novos produtos no país. Conseguimos ampliar o acesso. Deixou de ser só para ricos”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Preços caíram cerca de 70%

De acordo com o Ministério da Saúde, o preço desses medicamentos caiu cerca de 70% nas farmácias em menos de um ano.

“Na farmácia, o preço já está 70% mais barato. Quando você pensa na escala de compras do SUS, com produção local, isso nos traz a possibilidade de uma redução de 80% a 90% do preço.”

Além disso, a oferta de produtos aumentou. Após um chamamento realizado pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para estimular a entrada de fabricantes, 16 novos produtos foram registrados em 2026, entre genéricos e similares.

Desse total, pelo menos quatro são produzidos no Brasil, segundo os dados apresentados pelo Ministério.

Como consequência, o número de pessoas que utilizam as chamadas canetas emagrecedoras também aumentou. Segundo dados da Anvisa citados pelo Ministério da Saúde, o número passou de aproximadamente 400 mil para mais de 750 mil usuários por mês.

Conitec vai avaliar medicamentos

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde apresentou um pedido para que a Conitec avalie os medicamentos.

A comissão é responsável por analisar novas tecnologias e emitir recomendações sobre sua incorporação ao SUS. Para isso, considera aspectos como evidências científicas, benefícios clínicos, custos e impacto para o sistema de saúde.

Por isso, a eventual chegada das canetas ao SUS ainda depende dessa análise.

Padilha afirmou que o objetivo não é utilizar os medicamentos como uma solução estética, mas como parte do tratamento da obesidade.

“A gente não vê essa medicação como se fosse um milagre estético, caneta estética. Nosso foco não é a estética; nosso foco é a saúde das pessoas.”

Segundo o ministro, a obesidade aumenta o risco de doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer e necessidade de procedimentos como cirurgias bariátricas.

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Ministério relaciona tratamento à prevenção

Além dos medicamentos, o Ministério da Saúde defende que o tratamento da obesidade envolva alimentação saudável, atividade física e acompanhamento de profissionais de saúde.

“Quando a gente fala em incorporar ao SUS, não estamos falando de incorporar um milagre estético. Estamos falando de incorporar uma medicação que, combinada com outras ações de alimentação e atividade física, certamente poderá ter um impacto muito positivo, inclusive nos custos do sistema de saúde. Vai reduzir o volume de cirurgias bariátricas, de internações por doenças cardiovasculares e de internações por recidiva de câncer, por exemplo”, destaca Padilha.

Nesse sentido, o governo também ampliou investimentos nas Academias da Saúde, espaços vinculados à Atenção Primária do SUS.

Segundo Padilha, o programa conta atualmente com cerca de 2 mil unidades em todo o país. Além dos equipamentos, os recursos podem financiar a contratação de profissionais como nutricionistas, educadores físicos e fisioterapeutas.

“No final do ano passado, lançamos a nova portaria da Academia da Saúde, que prevê chegar a quase 2 mil unidades, com novo investimento não só para compra de equipamento, mas para a contratação de nutricionista, educador físico, fisioterapeuta.”

De acordo com os dados apresentados pelo Ministério, as atividades realizadas nas Academias da Saúde passaram de 331,6 mil, em 2022, para 492,1 mil, em 2025, crescimento de 48,5%.

Além disso, a política prevê 582 novos estabelecimentos credenciados em 448 municípios, com investimento de R$ 80,7 milhões.

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, estaca desigualdade no acesso ao tratamento
Divulgação/Ministério da Saúde

Ministro destaca desigualdade no acesso ao tratamento

Durante entrevista, Padilha também relacionou o enfrentamento da obesidade às desigualdades de acesso à saúde.

Segundo ele, pessoas com maior renda conseguem, com mais facilidade, pagar por medicamentos, academias e acompanhamento especializado. Por outro lado, a população de menor renda depende principalmente dos serviços públicos.

“Para a população mais pobre, que às vezes não tem nem tempo para se cuidar, não tem recurso próprio para poder ter acesso às tecnologias, a incorporação do que tem de melhor no SUS faz muita diferença.”

Nesse contexto, o ministro defendeu que uma eventual incorporação dos medicamentos pode ampliar o acesso ao tratamento para pessoas que não conseguem arcar com os custos na rede privada.

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SUS amplia ações para outros grupos

Além do enfrentamento da obesidade, Padilha citou outras mudanças na organização do SUS para atender novas demandas da população.

Entre elas, está o atendimento a idosos acamados. Segundo o ministro, mais de 3,8 milhões de idosos nessa condição foram cadastrados pelas equipes de saúde.

A partir desse mapeamento, o governo criou equipes específicas para realizar o acompanhamento desses pacientes em casa, com profissionais como fisioterapeutas, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, médicos e enfermeiros.

“Nossa equipe de Saúde da Família, criamos uma equipe nova, através do PAD Brasil, para visitar esses idosos, cuidar desses idosos: fisioterapeutas, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, médicos, enfermeiros específicos para cuidar desse idoso acamado.”

Além disso, Padilha citou a ampliação das políticas de cuidado às mulheres durante a menopausa.

“Ou seja, o SUS tem que ir se transformando. Em um avanço novo, uma necessidade nova, é o enfrentamento da obesidade no SUS.”

O que falta para as canetas chegarem ao SUS?

Apesar da previsão de redução de até 90% no preço de aquisição, os medicamentos ainda não fazem parte do SUS de forma ampla.

Agora, a Conitec precisa avaliar as evidências sobre eficácia, segurança, custo e impacto da incorporação. Somente após as etapas previstas no processo de avaliação e decisão será possível definir se e como os medicamentos poderão ser oferecidos pela rede pública.