Carlos Viana no PSD pode dificultar alianças, diz Domingos Sávio ao defender união da direita em Minas

Eleições 2026Política
Por -07/04/2026, às 09H25abril 8th, 2026

Domingos Sávio fala sobre filiação de Carlos Viana ao PSD, da composição com Mateus Simões e da união da direita em Minas para 2026

Amanda Quintiliano, Brenda Fernandes e Heloísa Benício

O presidente do PL em Minas Gerais, o deputado federal Domingos Sávio, afirmou que a filiação do senador Carlos Viana ao PSD pode dificultar uma aliança entre o partido e o grupo político do governador Mateus Simões nas eleições de 2026, embora ainda não haja definições e as negociações continuem. A declaração ocorreu nesta segunda-feira (6/4), durante o evento de lançamento das pré-candidaturas do ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo, para deputado federal, e do deputado estadual Eduardo Azevedo, que buscará a reeleição.

A fala de Domingos ocorre poucos dias depois de Carlos Viana oficializar a ida para o PSD, legenda do atual governador de Minas, em meio à construção da própria candidatura à reeleição ao Senado. A mudança criou um novo impasse para o campo conservador no estado.

Domingos Sávio é o nome do PL para disputar o Senado em Minas. O partido oficializará a pré-candidatura nesta quarta-feira (8/4) em Brasília.

Entrada de Carlos Viana muda o tabuleiro do Senado em Minas

Até a filiação de Carlos Viana ao PSD, a leitura predominante nos bastidores era a de que o grupo de Mateus Simões poderia abrir espaço para o PL indicar uma vaga ao Senado, dentro de uma composição mais ampla da direita em Minas.

Além disso, a outra vaga vinha sendo associada ao ex-secretário de Governo de Minas Marcelo Aro, que também se movimenta para a disputa. Com a chegada de Viana ao PSD, no entanto, esse desenho ficou mais apertado e menos previsível.

Segundo Domingos Sávio, esse novo arranjo cria uma dificuldade política evidente para qualquer tentativa de aliança mais robusta com o grupo do governador.

“A sinalização do governador Mateus indicando que ele, que está no PSD, é o candidato a governador, que o Novo indicaria o vice, e que já tem dois senadores, é claro que dificulta”, afirmou em entrevista ao PORTAL GERAIS.

Domingos Sávio mantém discurso de prudência e evita romper pontes

Apesar da crítica ao novo cenário, Domingos Sávio evitou tratar a situação como um rompimento definitivo. Pelo contrário: o deputado insistiu no discurso de prudência e reforçou que ainda há tempo para rearranjos até as convenções partidárias.

“Como isso ainda não está oficialmente decidido e ainda pode haver mudanças, o diálogo não terminou”, afirmou.

Segundo ele, a direita precisa agir com cautela para evitar decisões precipitadas em um momento no qual o cenário estadual ainda depende diretamente de movimentos nacionais.

“Nós aqui em Minas estamos tendo a prudência de estar nos preparando e buscando uma união para que tenhamos a direita unida”, declarou.

Além disso, Domingos lembra que o prazo de definição das alianças ainda não se encerrou, o que mantém o tabuleiro em aberto.

“O prazo para definir alianças é até nas convenções, que vão até o início de agosto. Então, agora, precisa ter essa prudência”, afirmou..

PL já fecha chapas proporcionais e mira protagonismo em Minas

Enquanto a majoritária segue indefinida, Domingos Sávio afirmou que o PL já considera consolidada a montagem das chapas proporcionais em Minas, tanto para a Câmara dos Deputados quanto para a Assembleia Legislativa.

Segundo ele, o partido chega fortalecido para 2026 e aposta em uma bancada numerosa, especialmente por causa da força de nomes já consolidados e de pré-candidaturas com bom desempenho regional, como é o caso do deputado federal Nikolas Ferreira.

“O PL já tem definido a melhor chapa de pré-candidatos a deputados federais. Vamos fazer seguramente a maior bancada de deputados federais de Minas Gerais”, afirmou.

Na mesma linha, ele também destacou a formação da chapa para deputado estadual, citando diretamente o nome de Eduardo Azevedo na região Centro-Oeste.

Embora trate a união da direita como prioridade, Domingos Sávio reconheceu que o cenário em Minas ainda depende de decisões relevantes, especialmente em torno do senador Cleitinho Azevedo.

Segundo ele, Cleitinho ainda passa por um processo de avaliação sobre uma eventual candidatura ao governo de Minas e deve bater o martelo apenas mais adiante. Em outras entrevistas, Cleitinho chegou a afirmar que a decisão deve ocorrer em junho.

“O próprio Cleitinho, que é meu parceiro, meu amigo, está também num processo de avaliação se ele sai mesmo candidato ou não”, disse.

Conforme Domingos, a definição não depende apenas das lideranças mineiras, mas também da direção nacional dos partidos e da costura de uma estratégia unificada para 2026.

Flávio Bolsonaro segue como nome do PL para a Presidência

No plano nacional, Domingos Sávio reafirmou que o PL mantém o senador Flávio Bolsonaro como nome do partido para a disputa presidencial. O partido ainda trabalha para ampliar o campo de alianças. Ele tenta manter aberto o diálogo com o ex-governador de Minas Romeu Zema, que segue no radar de composições nacionais e estaduais.