Cemig registrou 1,9 milhão de raios em 2025 em Minas Gerais

Minas Gerais
Por -29/01/2026, às 15H18janeiro 29th, 2026
raios e descarga elétrica
Foto: Divulgação/Cemig

Eventos climáticos extremos avançam em Minas Gerais, danificam rede elétrica e Cemig triplica investimentos

O avanço dos eventos climáticos extremos em Minas Gerais já provoca impactos diretos na rede elétrica e forçou uma resposta robusta da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Só em 2025, por exemplo, a companhia registrou 1,9 milhaõ de descargas atmosféricas, conhecidas como raios, no estado em 2025.

Diante do aumento expressivo de tempestades severas, raios e alertas meteorológicos, a empresa triplicou os investimentos em distribuição, destinando R$ 21,9 bilhões no ciclo de 2023 a 2027, o maior volume da história do setor no estado.

Nos últimos anos, Minas Gerais passou a registrar tempestades mais intensas, frequentes e imprevisíveis, o que ampliou os riscos para o sistema elétrico. Apenas em 2025, a Cemig emitiu 15,6 mil alertas meteorológicos. Isso, com foco em orientar as equipes de operação e manutenção para ações preventivas e resposta rápida durante eventos severos.

Raios em Minas Gerais e danos na rede elétrica

Além disso, o monitoramento da companhia identificou 1,9 milhão de descargas atmosféricas no estado em 2025. Ou seja, um crescimento de cerca de 21% em relação ao ano anterior. Nas regiões Oeste e Sul de Minas, os registros ultrapassaram 230 mil raios.

Como consequência direta, a Cemig contabilizou 56,3 mil ocorrências na rede elétrica provocadas por descargas atmosféricas ao longo do ano. Somente na região Oeste, foram cerca de 6,2 mil ocorrências, sendo aproximadamente 450 nos municípios de Bambuí, Formiga e Divinópolis.

Investimentos triplicam para reforçar a rede elétrica

Diante desse cenário, a companhia acelerou de forma significativa os aportes em distribuição. O volume de R$ 21,9 bilhões entre 2023 e 2027 representa três vezes mais que o investido no ciclo anterior, de 2018 a 2022, quando foram aplicados R$ 7,2 bilhões.

Os valores já executados em 2023 e 2024, inclusive, superam todo o montante investido ao longo do ciclo 2018-2022.

“O clima mudou de patamar, e a operação da rede precisou acompanhar essa transformação. Estamos lidando com eventos mais intensos, mais frequentes e menos previsíveis. Por isso, a Cemig antecipou investimentos robustos para tornar o sistema elétrico mais resiliente, moderno e preparado para responder a essas ocorrências”, afirma Alisson Chagas, superintendente de Planejamento e Engenharia da Cemig.

Tecnologia e prevenção ganham protagonismo

Segundo o executivo, os recursos se concentram em modernização da infraestrutura, automação da rede e ampliação da manutenção preventiva. Além disso, no uso intensivo de tecnologia para monitoramento climático e resposta rápida.

A Cemig mantém centro meteorológico próprio, além de radar e acompanhamento em tempo real das condições do tempo, o que permite antecipar cenários críticos e posicionar equipes de forma preventiva em áreas de maior risco.

“Não se trata apenas de investir mais, mas de investir de forma inteligente. Nosso foco é reduzir o impacto desses eventos para a população, garantindo segurança, rapidez no atendimento e qualidade no fornecimento de energia, mesmo diante de um cenário climático cada vez mais desafiador”, destaca Alisson Chagas.

Orientações para evitar acidentes com raios

Além dos investimentos, a Cemig reforça orientações de segurança durante tempestades, principalmente em relação às descargas atmosféricas. Segundo o gerente de Saúde e Segurança Corporativa da companhia, José Firmo do Carmo Júnior, a principal recomendação é desligar os aparelhos eletroeletrônicos da tomada antes da chuva.

“Quando um raio cai próximo às residências ou sobre a rede elétrica, ele pode provocar fortes sobretensões que chegam até o interior dos imóveis. Se o equipamento estiver conectado, há risco de queima e até de choque elétrico. Por isso, o ideal é retirar tudo das tomadas antes do início da tempestade”, destaca.

Ele também orienta que, durante tempestades, as pessoas evitem áreas descampadas, lajes e telhados, interrompendo atividades externas assim que surgirem raios e ventos fortes.

“Construções de alvenaria são a melhor alternativa, pois reduzem de forma significativa o risco de acidentes com descargas atmosféricas. O importante é não permanecer em áreas abertas ou em locais que possam atrair raios”, reforça.

O cenário evidencia que, diante das mudanças climáticas, energia e clima se tornaram desafios inseparáveis, exigindo investimentos estruturais, tecnologia e conscientização da população para reduzir riscos e impactos em Minas Gerais.