Cena forte: Neurocirurgião explica como salvou criança com carregador na testa

Minas Gerais
Por -16/01/2026, às 17H36janeiro 19th, 2026
carregador cravado na testa de criança
Foto: Divulgação

Neurocirurgião explica procedimentos que salvaram criança que ficou com carregador cravado na testa após queda em Divinópolis

Uma criança de 1 ano e 4 meses recebeu alta hospitalar após passar por cirurgia de urgência em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, depois de sofrer um acidente doméstico na segunda-feira (12/1). Um dos pinos de um carregador de celular ficou cravado na região frontal da cabeça da criança e atingiu o crânio, após sofrer uma queda.

De acordo com o neurocirurgião Bruno Castro, responsável pelo atendimento, familiares perceberam o acidente por volta das 19h, quando ouviram o choro da criança. Ao chegarem ao local, notaram sinais de ferimento e buscaram atendimento imediato.

Inicialmente, a criança recebeu avaliação na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, devido à gravidade, equipes acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que realizou a transferência para a Sala Vermelha do Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD).

Atendimento rápido e cirurgia de urgência

No hospital, uma tomografia mostrou que o pino do carregador havia transfixado a calota craniana, o osso. “O osso de uma criança de um ano ainda é muito pequenininho, tem milimetros, então, ele pode facilmente ser atravessado, fraturado e estava machucando o cérebro, a pontinha o lobo frontal”, explica o neurocirurgião.

Apesar disso, a criança permanecia consciente e reagindo aos estímulos. De acordo com Bruno Castro, a equipe levou a paciente imediatamente ao bloco cirúrgico. A cirurgia permitiu a correção da lesão e o controle do sangramento. “Uma cirurgia rápida, sem intecorrências”, afirma. Após o procedimento, a criança despertou bem da anestesia e seguiu para o Centro de Terapia Intensiva (CTI) pediátrico, onde permaneceu em observação por 36 horas.

Evolução clínica e alta hospitalar

Uma nova tomografia confirmou a ausência de sangramento intracraniano, o que indicou evolução satisfatória. Em seguida, a criança foi transferida para a enfermaria e recebeu antibióticos por cinco dias, conforme protocolo, para prevenção de infecções, principal risco em traumas desse tipo.

Conforme o médico, o maior risco em situações assim é a infecção.

“Porque se trata de um corpo estranho, é um material contaminado com germes, e o cérebro é um órgão totalmente asséptico. Então, qualquer germe pode gerar uma meningite, encefalite”, esclarece.

Ele ainda aponta como risco o sangramento. “Porque é um órgão com muitos vasos sanguíneos, várias artérias e veias; então, o machucado pode provocar uma hemorragia. Felizmente, o machucado dela foi bem pequeno”, enfatiza.

Outro risco é a lesão cerebral. “Dependendo da localização, pode causar algum problema e ocasionar algum déficit. Felizmente, na ponta do lobo temporal, a área afetada é pequenininha e a criança tem capacidade de recuperação muito boa.”

A paciente recebeu alta hospitalar, já ativa, brincando e sem sinais de complicações neurológicas. A expectativa médica é de recuperação total, sem sequelas, graças à plasticidade cerebral elevada típica da primeira infância.

Alerta sobre acidentes dentro de casa

Bruno Castro aproveitou o caso para reforçar um alerta aos pais e responsáveis. Segundo ele, a maioria dos acidentes graves com crianças pequenas acontece dentro da própria residência.

“Crianças menores de dois anos não conseguem subir ou descer de almofadas, de sofá ou de uma cama. Elas caem, não têm noção de causa e consequência. Elas rolam, viram, e uma queda de pequena altura pode ser danosa para uma criança”, alerta.

A orientação é nunca deixar crianças pequenas desacompanhadas e reduzir riscos no ambiente doméstico, mantendo objetos perigosos fora do alcance e garantindo locais seguros quando o adulto precisar se ausentar por alguns instantes.

“O cuidado constante é a principal forma de prevenção”, concluiu o médico.