Grupo de voluntários entrega 21 serpentes à Funed; iniciativa contribui para a fabricação de soros antiofídicos e para a conservação da fauna
Encontrar uma serpente em uma propriedade rural costuma despertar medo e, muitas vezes, leva à morte do animal. No entanto, um grupo de voluntários do Centro-Oeste de Minas Gerais vem mudando essa realidade. Em vez de matar as cobras, os integrantes da iniciativa fazem o resgate e levam os animais até a Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte. Lá, especialistas utilizam o veneno na produção de soros antiofídicos, fundamentais para o tratamento de acidentes com animais peçonhentos.
Recentemente, o grupo entregou 21 serpentes à Funed. Os voluntários capturaram os animais em municípios como São Sebastião do Oeste, Itapecerica, Neolândia, Pedra do Indaiá, Bom Jardim e Lambari. Em seguida, a fundação extrai o veneno para pesquisas e produção de soros. Depois desse processo, técnicos devolvem as serpentes ao habitat natural em locais seguros, tanto para os animais quanto para a população.
Trabalho voluntário nasceu da conscientização
Um dos responsáveis pela iniciativa é Hélio Sebastião, também conhecimento como Hélio das Serpentes, morador de um sítio próximo a Pedra do Indaiá. Segundo ele, o trabalho começou após assistir a um programa do padre Reginaldo Manzotti sobre a importância do soro antiofídico.
Na ocasião, uma reportagem sobre a morte de uma criança por falta do medicamento o fez repensar a forma como lidava com as serpentes encontradas na propriedade.
“Na época, a gente matava muita cobra aqui. Depois daquele programa, comecei a capturá-las e levá-las para o Zé das Cobras. Foi ele quem iniciou esse trabalho na região e, mais tarde, passou todas as orientações para que eu continuasse a atividade”, conta.
Desde então, Hélio ampliou o trabalho. Além disso, passou a atender moradores de diversas cidades do Centro-Oeste de Minas.
Resgates atendem propriedades rurais, empresas e cidades
Atualmente, Hélio recebe chamados de moradores, produtores rurais e empresas sempre que alguém encontra uma serpente.
Assim, ele realiza a captura com segurança e mantém os animais até reunir uma quantidade suficiente para transportá-los até Belo Horizonte.
“As pessoas me ligam, eu vou buscar as cobras e espero juntar várias para levar até a Funed. Lá eles retiram o veneno, fazem pesquisas e produzem soros. Depois, as serpentes voltam para a natureza em um lugar seguro”, explica.
Além disso, o voluntário destaca que o trabalho reduz o número de animais mortos e evita acidentes durante tentativas de captura feitas por pessoas sem treinamento.
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Preservação salva vidas e protege o meio ambiente
Para Hélio, o projeto beneficia tanto a saúde pública quanto o meio ambiente.
“Acredito muito nesse trabalho porque ele salva vidas de duas formas. Primeiro, ajuda na produção do soro. Além disso, preserva animais que desempenham um papel importante na natureza. Nenhuma espécie existe por acaso”, afirma.
A Funed é uma das principais instituições brasileiras na produção de soros contra acidentes com animais peçonhentos. Por isso, o trabalho dos voluntários contribui diretamente para a manutenção desse processo, além de fortalecer a conservação da fauna.
Quais serpentes são mais comuns no Centro-Oeste de Minas?
A região do Centro-Oeste de Minas reúne características dos biomas Cerrado e Mata Atlântica. Por isso, abriga diversas espécies de serpentes.
Entre as peçonhentas, as mais comuns são:
- Jararaca (Bothrops jararaca): aparece com frequência em áreas de mata, propriedades rurais e até próximas de zonas urbanas.
- Cascavel (Crotalus durissus): vive principalmente em campos, pastagens e áreas abertas do Cerrado. O chocalho na cauda facilita sua identificação.
- Urutu-cruzeiro (Bothrops alternatus): costuma ocupar áreas úmidas, brejos e margens de rios.
Além delas, a região abriga várias espécies sem importância médica, como:
- Jiboia;
- Cobra-cipó;
- Caninana;
- Falsa-coral.
Essas serpentes controlam populações de roedores e outros animais, contribuindo, portanto, para o equilíbrio ambiental.
O que fazer ao encontrar uma serpente?
Especialistas orientam que a população nunca tente capturar ou matar uma serpente, independentemente da espécie. Em vez disso, a recomendação é manter distância do animal e acionar uma pessoa capacitada. O Corpo de Bombeiros (193) ou a Polícia Militar Ambiental (190) são canais de atendimento para esses casos.
Na região, Hélio realiza esse trabalho de forma voluntária. Os moradores podem solicitar o resgate pelo telefone ou WhatsApp (37) 99926-6416. Dessa forma, evitam acidentes, preservam a fauna e ainda colaboram com a produção de soros que salvam vidas em todo o Brasil.



