Candidatos a deputado estadual em Minas que receberam R$ 0 questionam diferenças nos repasses, que chegam a R$ 2,34 milhões para algumas campanhas
O Partido dos Trabalhadores (PT) recebeu a segunda maior fatia do Fundo Eleitoral para as eleições de 2026, com aproximadamente R$ 615 milhões disponíveis para o financiamento de campanhas em todo o país. Apesar do volume de recursos, candidatos da própria legenda em Minas Gerais questionam a distribuição do dinheiro e afirmam que, enquanto algumas candidaturas receberam valores que chegam a R$ 2,34 milhões, outras aparecem com R$ 0 em recursos do fundo.
Entre os candidatos que levantaram os questionamentos estão João Paulo Gusmão e Vinícius Venades, que concorrem a deputado estadual. João Paulo, de Nova Serrana, procurou o PORTAL GERAIS para relatar a situação. Já Venades, de Belo Horizonte, publicou um vídeo nas redes sociais no qual critica a distribuição feita pelo partido.
O cenário chama atenção justamente pelo tamanho da verba destinada ao PT. Segundo informações divulgadas pela Agência Senado em junho, os partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) receberam, juntos, quase R$ 5 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para as eleições de 2026.
Nesse montante, o PT aparece em segundo lugar entre os partidos que mais receberam recursos, atrás apenas do PL, que ficou com cerca de R$ 881 milhões. O PT, por sua vez, recebeu aproximadamente R$ 615 milhões.
Receba a notícia no seu celular. Participe do nosso grupo de WhatsAppFundo Eleitoral usa recursos públicos
O Fundo Eleitoral utiliza recursos públicos para financiar campanhas eleitorais. A distribuição do dinheiro entre os partidos considera, entre outros critérios legais, a representatividade das legendas no Congresso Nacional.
Depois de receber sua parcela, cada partido estabelece critérios para distribuir os recursos entre as próprias candidaturas. No caso do PT, uma resolução da Comissão Executiva Nacional estabelece as regras para o FEFC nas eleições de 2026.
O documento determina, por exemplo, o cumprimento dos percentuais constitucionais e legais destinados às candidaturas femininas, de pessoas negras e indígenas. Para mulheres, o percentual não pode ficar abaixo de 30%. O mesmo percentual mínimo vale para candidaturas de pessoas negras.
Além disso, a resolução estabelece que a Comissão Executiva Nacional, após ouvir outras instâncias partidárias, realiza diretamente o repasse dos recursos para cada candidatura própria do PT. Portanto, não há intermediação das demais instâncias partidárias na transferência.
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Candidato em Minas questiona distribuição
Apesar das regras nacionais, a diferença entre os valores destinados às candidaturas provocou questionamentos em Minas Gerais.
O candidato a deputado estadual João Paulo Gusmão procurou o PORTAL GERAIS e afirmou que está entre os candidatos que não receberam recursos do Fundo Eleitoral.
Ao comentar as explicações recebidas dentro da legenda, Gusmão afirmou:
“Executiva estadual joga a culpa pra executiva nacional, e a nacional joga pra estadual”
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Além disso, o candidato questionou a destinação de recursos relacionados à juventude:
“Tem candidato deputado recebendo verba da cota juventude, sendo que não faz parte da juventude pela idade”
A afirmação representa uma acusação feita pelo candidato. Os documentos analisados pelo PORTAL GERAIS não são suficientes para comprovar, por si só, a alegação específica sobre a utilização da cota da juventude.
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PT de Minas diz que decisão cabe à direção nacional
Diante dos questionamentos, o PORTAL GERAIS procurou a direção do PT em Minas Gerais para entender como ocorre a definição dos repasses.
Em resposta, o partido afirmou:
“As decisões sobre o repasse do recurso financeiro, ou seja, fundo eleitoral, é uma prerrogativa da direção nacional do partido”
A resolução nacional do PT estabelece justamente que a Comissão Executiva Nacional realiza os repasses diretamente para cada candidatura, depois de ouvir as demais instâncias partidárias.
Além disso, para acessar os recursos, candidatos e candidatas precisam apresentar requerimento por escrito à Secretaria Nacional de Finanças e Planejamento do Diretório Nacional.

Vinícius Venades: “O PT está me expulsando”
A insatisfação também chegou às redes sociais. O candidato a deputado estadual Vinícius Venades publicou um vídeo no qual afirma não ter recebido recursos do Fundo Eleitoral.
No início da gravação, ele compara sua situação com a de candidaturas que receberam valores milionários:
“O PT está me expulsando. Enquanto tem candidatura recebendo mais de 2 milhões de reais, eu não estou recebendo nenhum centavo. É isso mesmo que você ouviu. A nossa candidatura está recebendo 0 reais e eu sou o candidato mais novo do Partido dos Trabalhadores e a única pessoa com deficiência que colocou o nome à disposição como candidato a deputado estadual.”
Em seguida, Venades critica a forma como o partido distribui os recursos:
“O Partido dos Trabalhadores está replicando internamente tudo aquilo que ele prometeu ir contra, que é a falta de democracia e a desigualdade.”
Apesar das críticas, o candidato afirma que o posicionamento não representa um ataque à legenda:
“Já deixo de antimão que isso não é um ataque ao Partido dos Trabalhadores, porque o meu DNA é petista, meu sangue é vermelho, mas isso é uma crítica a todas as pessoas maculadas e corrompidas financeiramente e moralmente que nós temos no PT estadual e no PT nacional, porque não tem cabimento uma candidatura a deputado estadual receber 0 reais.”
PT pode definir prioridades na distribuição
Embora a diferença entre R$ 2,34 milhões e R$ 0 tenha provocado questionamentos, a legislação e as regras partidárias não determinam que todos os candidatos recebam valores iguais.
A resolução apresentada pelo PT determina que a Comissão Executiva Nacional distribua os recursos diretamente às candidaturas e respeite os percentuais mínimos previstos para mulheres, pessoas negras e indígenas.
Além disso, a Federação Brasil da Esperança estabelece que cada partido possui autonomia política e financeira para definir os próprios critérios de distribuição. O documento também menciona estratégias político-eleitorais, prioridades e critérios adotados pelo partido, desde que os percentuais mínimos previstos pela legislação sejam respeitados


