Com 31 casos ativos em Divinópolis, Tuberculose ainda desafia a saúde pública

DivinópolisGerais
Por -17/07/2026, às 17H40julho 18th, 2026
Prefeitura de Divinópolis

Especialista explica por que a tuberculose ainda preocupa; Entenda os sintomas, diagnóstico e o tratamento da doença que volta a acender alerta em Divinópolis

Apesar dos avanços da medicina e da disponibilidade de tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a tuberculose continua entre os principais desafios da saúde pública. Em Divinópolis, a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) acompanha atualmente 31 casos da doença e reforça ações de diagnóstico, tratamento e prevenção.

O PORTAL GERAIS conversou com o gerente assistencial da UPA Divinópolis, o enfermeiro Cleverson Humberto, que explicou por que a doença ainda exige atenção, quais são os principais sintomas, quem corre mais riscos e quais erros podem comprometer a recuperação dos pacientes.

Tuberculose ainda está presente por fatores sociais

Embora muitas pessoas associem a tuberculose ao passado, Cleverson Humberto explica que a doença continua presente porque envolve questões que vão além da área da saúde.

“Embora a tuberculose tenha tratamento eficaz e cura, ela ainda representa um importante desafio para a saúde pública. Isso acontece porque a doença está diretamente relacionada a fatores sociais, como pobreza, moradias com pouca ventilação, desnutrição e dificuldade de acesso aos serviços de saúde.”

Segundo o enfermeiro, o diagnóstico tardio e a interrupção do tratamento favorecem a transmissão da bactéria e ainda aumentam o risco do surgimento de casos resistentes aos medicamentos.

“O combate à tuberculose depende não apenas do tratamento, mas também do diagnóstico precoce, da vigilância e das ações de prevenção.”

Tosse persistente é o principal sinal de alerta

Os primeiros sintomas costumam ser confundidos com gripe ou pneumonia. No entanto, Cleverson alerta que existe um sinal que merece atenção especial.

“O principal sinal de alerta é a tosse persistente por três semanas ou mais, principalmente quando vem acompanhada de catarro.”

Além da tosse prolongada, ele cita outros sintomas frequentes.

“Febre, principalmente no fim da tarde, suor noturno intenso, perda de peso sem causa aparente, cansaço e falta de apetite também são sinais importantes. Diferentemente da gripe, esses sintomas costumam persistir ou piorar com o tempo.”

Por isso, ele orienta que qualquer pessoa com tosse prolongada procure uma unidade de saúde para investigação.

Alguns grupos apresentam maior risco

Embora qualquer pessoa possa desenvolver tuberculose, alguns grupos concentram maior vulnerabilidade.

“Pessoas vivendo com HIV, pacientes com diabetes, indivíduos em tratamento com medicamentos que reduzem a imunidade, idosos, pessoas privadas de liberdade, população em situação de rua, indígenas e quem vive em ambientes com aglomeração e pouca ventilação apresentam maior risco.”

Além disso, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, o uso de outras drogas e a desnutrição também favorecem o desenvolvimento da doença.

A turbeculose é transmitida pelo ar quando uma pessoa com a doença ativa (pulmonar ou laríngea) tosse, espirra ou fala, liberando gotículas que contêm a bactéria.

Interromper o tratamento é o principal erro

Segundo Cleverson Humberto, muitos pacientes abandonam o tratamento assim que os sintomas diminuem. Esse comportamento, porém, compromete a cura.

“O erro mais frequente é interromper o tratamento antes do tempo porque os sintomas melhoraram. A tuberculose exige tratamento contínuo, geralmente por pelo menos seis meses.”

Ele ressalta que a interrupção pode trazer consequências graves.

“A doença pode voltar e se tornar resistente aos medicamentos, tornando o tratamento muito mais difícil. Por isso, é essencial seguir corretamente as orientações da equipe de saúde até a alta médica.”

Doença pode atingir outros órgãos

Além da forma pulmonar, responsável pela transmissão da bactéria, a tuberculose também pode afetar outras partes do organismo.

“Ela pode atingir os gânglios linfáticos, os ossos, as articulações, os rins, o intestino e até o sistema nervoso central.”

Como os sintomas variam conforme o órgão atingido, o diagnóstico pode demorar.

“Esses sintomas muitas vezes se confundem com outras doenças. Por isso, é importante que os profissionais de saúde considerem a tuberculose como possibilidade, especialmente em pacientes com sintomas persistentes ou fatores de risco.”

Vacinação é a proteção contra as formas graves de Tuberculose

Além do diagnóstico precoce e do tratamento, a vacinação segue como uma das principais estratégias para reduzir os casos graves de tuberculose. Em Divinópolis, a Secretaria Municipal de Saúde mantém uma cobertura elevada da vacina BCG, aplicada preferencialmente nas primeiras horas de vida do bebê. Em 2026, o município alcançou cobertura vacinal de 105,77%. No ano passado, o índice chegou a 112,81%, resultado das estratégias adotadas pela rede municipal para garantir a imunização infantil.

A BCG protege principalmente contra as formas mais graves da doença, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar. Embora não impeça totalmente o desenvolvimento da tuberculose pulmonar ao longo da vida, a vacina reduz significativamente o risco de complicações graves, especialmente na infância. Em Divinópolis, a maternidade de referência aplica o imunizante logo após o nascimento. Além disso, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) também realizam o agendamento da vacinação quando necessário.

O enfermeiro reforçou que a vacinação deve caminhar junto com outras medidas preventivas.

“A tuberculose é uma doença que tem cura, e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são fundamentais para aumentar as chances de recuperação, interromper a transmissão da doença e evitar complicações.”

O especialista também lembra que a prevenção vai além da imunização.

“Se você ou alguém próximo apresenta tosse por três semanas ou mais, especialmente acompanhada de febre, suor noturno, perda de peso ou cansaço, não espere os sintomas se agravarem. Procure a unidade de saúde mais próxima. A informação, o diagnóstico precoce e a adesão ao tratamento salvam vidas.”