Manifestação religiosa que une fé, arte e mutirão comunitário pode ser incluída no inventário do patrimônio cultural do município
A confecção dos tradicionais tapetes de Corpus Christi promete mobilizar dezenas de fiéis em Carmo do Cajuru, mantendo viva uma tradição de décadas que atravessa gerações na cidade. A ornamentação das ruas, por onde passam as procissões católicas, transforma as vias públicas em verdadeiras galerias de arte a céu aberto, repletas de símbolos religiosos que expressam a fé cristã.
Para dar forma aos tapetes coloridos, a comunidade local trabalha de forma integrada em um grande mutirão. Os desenhos são produzidos majoritariamente com materiais recicláveis e elementos naturais, tais como serragem colorida, borra de café, cascas de ovos, flores e folhagens variadas.
A dedicação dos moradores começa na preparação desses insumos e se estende até o momento da montagem. “Dessa forma, manifestamos ao mundo nossa fé e nosso amor na presença real de Jesus Cristo na Hóstia Consagrada”, comentou Aurélia Fonte Boa, que participa ativamente da organização da festa há mais de 40 anos.
Programação das paróquias locais
Neste ano, as atividades e celebrações em Carmo do Cajuru estarão divididas em dois momentos e locais distintos:
- Paróquia Nossa Senhora do Líbano: Os trabalhos de confecção dos tapetes começam cedo, a partir das 7h. A procissão pelas ruas decoradas está marcada para as 17h, seguida pela realização da Santa Missa.
- Paróquia Nossa Senhora do Carmo: A ornamentação das vias públicas pelos voluntários terá início às 12h. Os fiéis sairão em procissão às 16h30, momento que também será sucedido pela celebração da Santa Missa.
Busca pelo reconhecimento como patrimônio cultural
Por causa da sua relevância histórica, riqueza cultural e valor comunitário, os tapetes de Corpus Christi de Carmo do Cajuru deram o primeiro passo para obter um reconhecimento oficial. Uma proposta formal será apresentada ao Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (COMPHACC) para incluir a festividade no inventário do patrimônio cultural do município, o que pode registrar a manifestação como um bem imaterial cajuruense.
De acordo com o escritor e memorialista Célio Cordeiro, a prática se consolidou e evoluiu bastante no município. Até o final dos anos 1970, os tapetes locais eram bem mais simples. Com o tempo, a comunidade buscou inspiração nas tapeçarias de cidades históricas de Minas Gerais, como São João del-Rei e Ouro Preto. “É admirável perceber como, em poucas horas, as pessoas conseguem transformar as ruas em espaços de beleza e espiritualidade”, destacou o memorialista.
Para garantir o sucesso do evento, a Prefeitura de Carmo do Cajuru atua no suporte logístico da festa, realizando a interdição das vias públicas e organizando o planejamento do trânsito. Logo após o término das procissões, equipes da administração municipal realizam o serviço de varrição e promovem a destinação ambientalmente adequada de todos os resíduos recolhidos.
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