Cristofobia: Como projeto pode barrar símbolos cristãos no carnaval e multar foliões

Minas GeraisPolítica
Por -26/01/2026, às 15H38janeiro 28th, 2026
fantasias padre e freira

Projeto de lei em Divinópolis cria programa de combate à cristofobia, proíbe fantasias de padre, freira, em tom de escárnio em eventos como carnaval e prevê multa

Tramita na Câmara de Divinópolis um projeto de lei que proíbe o uso de símbolos cristãos em eventos como o carnaval quando houver intenção de ridicularizar a fé, além de prever multa administrativa para quem descumprir a norma. A proposta institui oficialmente o Programa de Combate à Cristofobia no município.

O projeto estabelece punição de 100 UPFMD, ou seja, de R$ 11,1 mil, para empresas, organizadores de festas, blocos carnavalescos e pessoas físicas que utilizarem fantasias, objetos ou personagens religiosos cristãos de forma considerada ofensiva. Além disso, o texto determina que os valores arrecadados com as multas financiem ações educativas previstas no próprio programa.

O que o projeto define como cristofobia

De acordo com o texto apresentado pelo vereador Matheus Dias (Avante), o projeto considera cristofobia “toda e qualquer manifestação de preconceito, discriminação, hostilidade, violência física, moral ou simbólica dirigida às diversas expressões da fé cristã”.

Além disso, o parágrafo único do artigo 2º veda expressamente o uso de fantasias de freiras, padres e pastores, bem como o uso de crucifixo, bíblia, imagens de santos e outros símbolos cristãos em eventos, manifestações políticas e festas culturais, quando houver intuito de ridicularizar ou escarnecer da fé.

Com isso, o texto busca criar um marco legal específico para situações que, conforme o autor, ainda não recebem tratamento equitativo nas políticas públicas de liberdade religiosa.

Programa prevê ações educativas e proteção de símbolos

O projeto não se limita à punição. O vereador defende que o Programa de Combate à Cristofobia funcione também de forma preventiva. Entre as diretrizes previstas estão:

  • ações educativas voltadas ao respeito à fé cristã;
  • promoção da liberdade religiosa e da livre manifestação da fé;
  • proteção e valorização de locais de culto e símbolos cristãos;
  • reconhecimento da contribuição histórica, cultural e social do cristianismo.
  • Dessa forma, o texto tenta equilibrar fiscalização, conscientização e valorização cultural.
  • Justificativa cita lacunas na proteção à fé cristã

Na justificativa do projeto, o vereador Matheus Dias afirma que a proposta responde ao crescimento de atos de desrespeito e discriminação contra cristãos. Segundo o texto, “o cristianismo, em suas diversas denominações, possui papel central na formação ética, cultural e social do povo brasileiro”.

Além disso, a justificativa argumenta que, embora o Brasil possua leis que garantem liberdade religiosa, existem lacunas na promoção de campanhas que incluam os cristãos de forma equitativa, especialmente quando comparadas a políticas já existentes para outras religiões.

Por isso, o partido sustenta que o projeto busca promover equilíbrio, justiça social e convivência pacífica entre crenças, sem ferir o princípio do Estado laico.

Regulamentação ficará a cargo do Executivo

Caso aprovado, o projeto determina que o Poder Executivo regulamente a lei para garantir sua aplicação prática. A norma entra em vigor na data da publicação, sem prazo de adaptação previsto no texto.