Empresário denuncia ao Ministério Público suposto uso irregular do CNPJ do Conselho Comunitário de Ermida. Vereador Walmir Ribeiro nega as acusações e afirma que adotará medidas judiciais
Um morardor de Santo Antônio dos Campos (Ermida), em Divinópolis, denunciou ao Ministério Público um suposto esquema de uso irregular do CNPJ do Conselho Comunitário durante a Festa de Santo Antônio. Em entrevista ao PORTAL GERAIS, Marcelo Fernandes afirmou que protocolou a denúncia nesta segunda-feira (3/8) e entregou documentos, comprovantes, áudios, vídeos e um relatório para embasar as alegações.
Segundo o denunciante, o vereador de Divinópolis Walmir Ribeiro (PL) participou da contratação de um telão utilizado durante festa da comunidade. Além disso, Marcelo afirma que os organizadores utilizaram o CNPJ do Conselho Comunitário para divulgar a arrecadação entre comerciantes. No entanto, conforme a denúncia, os pagamentos seguiram para uma conta de pessoa física. Agora, o Ministério Público analisará o material apresentado.
Denunciante diz que reuniu provas
Segundo Marcelo Fernandes, a investigação começou quando ele identificou divergências entre a divulgação da campanha e a chave Pix informada para os pagamentos.
“Quando eu fui ver o Pix, para quem seria pago, eu falei: ‘Opa, pera aí, tem uma coisa errada aqui’. O Pix do conselho é o CNPJ e apareceu uma pessoa diferente.”
A partir desse momento, o empresário reuniu mensagens, documentos, comprovantes, áudios e vídeos. Em seguida, protocolou a denúncia no Ministério Público.
Denúncia aponta arrecadação de até R$ 20 mil
Segundo Marcelo Fernandes, o proprietário do telão informou, por meio de áudio, que 48 empresas aderiram à campanha para divulgar suas marcas durante a Festa de Santo Antônio. O denunciante afirmou também possuir comprovantes de empresários que pagaram valores de até R$ 1 mil pela participação.
Conforme os cálculos apresentados por Marcelo, se as 48 empresas tiverem contribuído com um valor médio de aproximadamente R$ 400, a arrecadação pode ter alcançado cerca de R$ 20 mil. Ainda segundo ele, algumas empresas fizeram pagamentos superiores ao valor médio.
“Os R$ 3,5 mil eles doaram para o conselho, mas, se for tirar por base mais ou menos 48 empresas a R$ 400, dá R$ 20 mil. E teve doação até de mil reais. Foi muito dinheiro envolvido.”
Denúncia cita vereador e pessoas ligadas a ele
Durante a entrevista ao PORTAL GERAIS, Marcelo afirmou que o proprietário do telão informou que Walmir Ribeiro realizou a contratação e o pagamento do equipamento.
Conforme o denunciante, outras pessoas próximas ao vereador também participaram da ação. Marcelo afirmou ter identificado quem utilizou o CNPJ do Conselho Comunitário, quem divulgou cartilhas e convites aos comerciantes, quem disponibilizou um CPF para receber os pagamentos e quem, segundo ele, formalizou uma doação ao conselho. De acordo com o empresário, todos possuem ligação com o vereador.
Questionado se essas pessoas poderiam ter sido induzidas ao erro, Marcelo respondeu que acredita que todos tinham conhecimento do que ocorria.
“São todos próximos, cem por cento, ao Walmir Ribeiro. Então todos sabiam o que estava acontecendo.”
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Marcelo afirma que recebeu visita antes da denúncia
Marcelo Fernandes também afirmou que Walmir Ribeiro foi até sua residência antes de ele protocolar a denúncia no Ministério Público.
Segundo o empresário, durante a conversa, o vereador pediu que ele não levasse o caso adiante e mencionou a possibilidade de processá-lo caso citasse nomes.
“Ele teve aqui em casa. Para mim foi uma intimidação. O promotor me orientou a procurar a delegacia e registrar um boletim de ocorrência.”
Marcelo afirmou, ainda, que gravou a conversa e anexou o áudio ao conjunto de provas entregue ao Ministério Público.
Ministério Público analisará o material
De acordo com Marcelo Fernandes, o Ministério Público recebeu um pendrive contendo documentos, comprovantes, áudios, vídeos e um relatório detalhando as alegações.
Segundo ele, o órgão iniciará a análise do material. Até o momento da entrevista, porém, ainda não havia informado prazo para concluir a apuração.
Walmir Ribeiro nega participação e afirma que adotará medidas judiciais
Em nota enviada ao PORTAL GERAIS, o vereador Walmir Ribeiro negou qualquer envolvimento nas irregularidades apontadas pelo denunciante.
“Diante de denúncia apresentada ao Ministério Público, envolvendo alegações de possível agressão, coação e supostas irregularidades no Conselho Comunitário de Ermida, venho a público prestar os seguintes esclarecimentos.”
O parlamentar afirmou que não participou dos fatos relatados e repudiou a associação de seu nome às acusações.
“Não possuo qualquer participação, envolvimento ou responsabilidade nos fatos relatados. Repudio firmemente qualquer tentativa de associar meu nome ou minha atuação parlamentar a condutas que jamais pratiquei.”
Além disso, Walmir Ribeiro declarou que não existe irregularidade comprovada na atuação do Conselho Comunitário de Ermida e ressaltou que a entidade desenvolve atividades em benefício da comunidade.
O vereador também afirmou respeitar o direito de qualquer cidadão de procurar os órgãos competentes, mas destacou que as denúncias ainda dependem de investigação.
“Denúncias não podem ser tratadas publicamente como fatos comprovados antes da devida investigação, da apresentação das provas e do exercício do contraditório e da ampla defesa.”
Por fim, Walmir Ribeiro reafirmou o compromisso com a transparência e informou que analisará judicialmente eventuais acusações que, segundo ele, ultrapassem o direito de manifestação.
“Eventuais informações falsas, acusações irresponsáveis ou divulgações que ultrapassem o legítimo direito de manifestação serão analisadas juridicamente, com a adoção das medidas cabíveis para a proteção da honra e da imagem das pessoas e instituições injustamente envolvidas.”
O caso segue sob análise do Ministério Público, que deverá avaliar o material apresentado pelo denunciante antes de decidir sobre eventuais providências.


