Historiador Faber Barbosa revela como um pequeno templo de devoção, construído por 50 famílias em 1767, se tornou o coração espiritual da cidade
Em 13 de janeiro de 1767, cerca de 50 famílias chamadas de “fogos” na época assinaram um documento pedindo autorização ao Bispado de Mariana para construir um pequeno templo de devoção ao Espírito Santo e a São Francisco de Paula. Esse pedido marca, de forma oficial, o início da história do espaço sagrado que hoje abriga a Catedral do Divino Espírito Santo, em Divinópolis. A revelação é do historiador Faber Barbosa, em entrevista ao Portal Gerais no especial de 114 anos da cidade.
“Esse espaço é considerado um espaço sagrado desde 1767, mais formalmente, quando um conjunto de moradores aqui tece um documento pedindo às autoridades da época autorização para construir um pequeno templo de devoção ao Espírito Santo e São Francisco de Paula”, afirma Barbosa.
Três anos depois, em 1770, a pequena capela já estava erguida. Como reconhecimento, o povoador Manuel Fernandes Teixeira doou 40 alqueires de terra para sustentar o templo uma área considerada imensa para os padrões da época.
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Quase dois séculos de mobilização popular
Entre 1770 e 1842, portanto, os primeiros moradores da região trabalharam para transformar a capelinha em uma Igreja Matriz. Durante todo esse período, contudo, a mão de obra escravizada esteve no centro das obras de construção, reforma e manutenção do templo um dado que o historiador destaca como parte indissociável dessa história.
A gestão do espaço também chamava atenção. Um zelador, identificado nos documentos da época, era responsável pela manutenção das despesas e pelo levantamento de fundos. Além disso, cobrava taxas dos moradores que viviam nos 40 alqueires doados. Parte desse dinheiro cobria a vinda de padres temporários até a chegada do primeiro pároco fixo.
“Aquelas pessoas que contribuíam mais e se envolviam mais, colocavam mais o patrimônio delas a serviço da questão religiosa elas tinham seus privilégios”, explica Barbosa. Entre esses privilégios estavam os melhores lugares para sepultamento e as posições mais próximas dos altares dentro da capela.
Do padre fixo à catedral
Em 1842, chegou o primeiro padre fixo, chamado Francisco Pitangui também referenciado nos documentos como Padre Guarita. Ele coordenou a vida religiosa local até sua morte, no final do século XIX, por volta de 1883.
Décadas depois, em 1989, teve início o processo de demolição da antiga Igreja Matriz do Espírito Santo para dar lugar à atual Catedral do Divino Espírito Santo. Com o crescimento de Divinópolis, a cidade se tornou também sede administrativa do bispado, elevando o templo, então, à condição de catedral.
A capela, aliás, era identificada nos documentos mais antigos como Capela do Espírito Santo, São Francisco de Paula do Itapecerica uma referência direta ao rio que cortava a região e que deu origem ao território onde a cidade cresceu.



