Peça do século XVIII sobreviveu a incêndio, atravessou gerações e hoje é o maior símbolo de fé da Cidade do Divino
Divinópolis guarda um tesouro com mais de 250 anos de história. Trata-se de uma imagem do Divino Espírito Santo, esculpida em madeira policromada, que resistiu ao tempo, a um incêndio e a transformações urbanas para chegar até os dias atuais como um dos maiores símbolos de fé da cidade. A revelação integra a série especial dos 114 anos de Divinópolis do Portal Gerais, com o relato do padre Rodrigo Botelho, da Catedral do Divino Espírito Santo.
A peça remonta a aproximadamente 1770, quando ainda existia no local uma igreja primitiva a primeira de Divinópolis. Em 1830, um incêndio destruiu parte da edificação. A imagem, no entanto, resistiu às chamas. A igreja passou por reforma e restauração em 1834, retomando o movimento da religiosidade local. Em 1839, a paróquia do Divino Espírito Santo já estava instalada no espaço. A construção da catedral atual, por sua vez, ocorreu na década de 1950.
“Essa imagem tem muita história para contar. Ela guarda consigo muitos segredos, muitos desejos, muitas expressões bonitas de fé”, afirma o padre Rodrigo Botelho.
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Autêntica do século XVIII, imagem do Divino Espírito Santo é atribuída a escultores de Divinópolis
Restauradores que trabalharam na peça ao longo dos anos confirmam sua autenticidade. Segundo o padre, todos os profissionais que examinaram a imagem afirmam tratar-se de uma peça legítima do século XVIII. A hipótese é de que a obra saiu das mãos de escultores locais não necessariamente de grandes nomes do período colonial, mas de artesãos da própria região.
“Havia um círculo de escultores nas cidades, não necessariamente tudo o que existe veio de grandes nomes, mas de nomes grandes locais”, explica Botelho. “Acredito que essa imagem seja de uma manufatura local de escultores locais, muito provavelmente da cidade, mas guarda consigo a sua beleza.”
A representação escolhida para a peça é a pomba símbolo tradicional do Espírito Santo nos evangelhos. A referência vem do relato do batismo de Jesus no Rio Jordão, quando, segundo as escrituras, o Espírito Santo desceu sobre ele em movimento de pomba.
Devoção passada de geração em geração
Para o padre Rodrigo Botelho, a devoção ao Divino Espírito Santo chegou ao lugar junto com os primeiros moradores e foi se transmitindo de pai para filho ao longo dos séculos. Não por acaso, essa espiritualidade está impressa até no nome da cidade: Divinópolis, a Cidade do Divino.
“Durante a história de Divinópolis, muitos divinopolitanos olharam para essa imagem do Divino Espírito Santo, elevaram aqui as suas preces, eram pessoas cercadas da sua história, do seu momento, do seu tempo”, ressalta o sacerdote.
Atualmente, a imagem fica exposta na Catedral especialmente durante as festividades religiosas. Por sua importância histórica e espiritual, contudo, a peça não permanece em exposição permanente. O Museu da Catedral, que abriga o acervo, abre todo segundo domingo do mês, após a missa das 9h da manhã, para visitação da comunidade.
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