Dois anos após morte do ciclista Leonardo Santos, Justiça avalia se motorista irá a júri popular

DivinópolisGerais
Por -26/08/2026, às 18H30agosto 26th, 2026
PORTAL GERAIS

Ciclista morreu após ser atingido na MG-050 em agosto de 2024; audiência encerrou fase de produção de provas e família aguarda decisão sobre julgamento pelo Tribunal do Júri

Dois anos após a morte do ciclista Leonardo dos Santos, atropelado na MG-050, em Divinópolis, a Justiça realizou, nesta quarta-feira (26), mais uma etapa do processo que apura o caso. A audiência marcou o encerramento da fase de produção de provas e antecede a decisão que poderá levar o réu a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Familiares de Leonardo e representantes da Associação Divinopolitana de Ciclismo acompanharam a audiência no Fórum de Divinópolis. Além disso, testemunhas de acusação e defesa participaram desta etapa do processo.

Agora, a expectativa se concentra na decisão sobre a pronúncia do acusado. Caso a Justiça entenda que existem elementos suficientes, o processo seguirá para o Tribunal do Júri, responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida.

Leonardo morreu atropelado na MG-050 em 2024

Leonardo tinha 29 anos quando sofreu o atropelamento no dia 11 de agosto de 2024, na MG-050, em Divinópolis. Na época, conforme informações da Polícia Militar divulgadas pelo PORTAL GERAIS, uma testemunha relatou que o motorista de um Peugeot 308 tentou realizar uma ultrapassagem pela faixa da direita, perdeu o controle do veículo, atingiu o guard rail e, em seguida, atropelou Leonardo, que pedalava no acostamento e seguia no mesmo sentido.

O Corpo de Bombeiros socorreu o ciclista e o encaminhou ao Complexo de Saúde São João de Deus. No entanto, Leonardo não resistiu aos ferimentos. Ainda segundo a PM, o motorista deixou o local sem prestar socorro. Posteriormente, os militares encontraram o veículo na garagem da casa da mãe do suspeito.

Desde então, o caso se tornou uma das principais bandeiras da Associação Divinopolitana de Ciclismo na cobrança por justiça e por mais segurança para quem utiliza a bicicleta em Divinópolis.

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“É um calvário que nós estamos passando”

Durante a audiência desta quarta-feira, a associação voltou a cobrar uma resposta da Justiça. Para os representantes dos ciclistas, chegar a esta fase depois de dois anos representa um momento importante tanto para a família quanto para a comunidade ciclística.

“Apesar de serem dois anos, é um calvário que nós estamos passando, tanto nós, ciclistas, quanto a família. Hoje a gente está buscando justiça”, afirmou.

A entidade também destacou as circunstâncias atribuídas ao motorista no processo, como alta velocidade, embriaguez e a fuga do local sem prestar socorro.

“O que dói mais na gente é que não foi um acidente. O acidente pode acontecer, mas o caso dele não foi um acidente, porque a pessoa que atropelou ele estava embriagada. Então, isso aí não é acidente, é um crime”, declarou.

Além disso, o representante relatou o impacto emocional do processo sobre os familiares de Leonardo.

“O sofrimento da família é muito grande. Eu estou aqui com a mãe, com a irmã, o pai está ali. Elas não conseguem nem falar devido ao estado emocional. Confesso para vocês que, para mim, também é muito difícil, porque foi uma perda muito irreparável.”

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Associação já havia levado caso à Câmara de Divinópolis

A cobrança desta quarta-feira ocorre poucos dias depois de a morte de Leonardo voltar ao debate público em Divinópolis. No dia 18 de agosto, durante a Tribuna Livre da Câmara Municipal, o presidente da Associação Divinopolitana de Ciclismo, Sebastião Castro, relembrou o caso de Leonardo e também a morte do ciclista Bruno Barbosa.

Na ocasião, Sebastião pediu justiça pelos dois casos e defendeu punições mais rigorosas em ocorrências envolvendo fatores como consumo de bebida alcoólica, excesso de velocidade e fuga sem prestação de socorro.

“O que nós pedimos nesse momento, agora, é justiça para Leonardo Santos e Bruno Barbosa aí, de acordo com o rigor da lei, porque não foi acidente, foi crime”, afirmou Sebastião durante a manifestação na Câmara.

Além disso, ele defendeu mudanças na legislação, investimentos em infraestrutura e mais conscientização no trânsito.

“O ciclista faz parte do trânsito. Nós temos direitos e também temos deveres”, ressaltou.

Associação mantém campanhas de conscientização

Ao mesmo tempo em que cobra responsabilização pelas mortes, a Associação Divinopolitana de Ciclismo afirma que mantém ações educativas para orientar os próprios ciclistas e os demais usuários das vias.

Recentemente, por exemplo, a entidade participou das atividades da Semana Municipal de Ciclismo, que reuniu palestras, oficinas e campanhas de conscientização.

Segundo a associação, o crescimento do número de pessoas que utilizam a bicicleta também aumenta a necessidade de discutir segurança, equipamentos adequados, comportamento no trânsito e infraestrutura cicloviária.

Advogado contesta versão apresentada pelo réu

O advogado Carlos Eduardo, que acompanha a família de Leonardo, afirmou que o acusado sustenta no processo que ocorreu um acidente e atribui responsabilidade pelo episódio ao próprio ciclista. Entretanto, segundo o advogado, essa versão não encontra respaldo nos depoimentos colhidos.

“Ele insiste em dizer que foi um acidente, que a culpa seria da vítima, do Leo, mas isso não encontra respaldo em momento algum nos autos. Nenhuma testemunha, absolutamente ninguém consegue corroborar a história dele, todo mundo fala justamente o contrário”, declarou.

Conforme Carlos Eduardo, a conclusão da fase de instrução também permitiu delimitar as circunstâncias que, segundo a acusação, envolveram o atropelamento.

“Foi alta velocidade, imprudências, ultrapassagens e, principalmente, estava alcoolizado. As testemunhas foram muito claras, não só as de hoje, mas como as da última audiência também, em delimitar o quadro, a situação e o descaso dele em sequer parar para prestar socorro.”

Decisão definirá se caso seguirá para júri popular

Com o encerramento da produção de provas, o processo entra agora em uma nova fase. A Justiça deverá decidir se pronuncia ou não o réu para julgamento pelo Tribunal do Júri.

A eventual decisão de pronúncia não representa uma condenação. Nesse caso, significa que a Justiça reconheceu elementos suficientes para que os jurados analisem posteriormente a acusação.

Carlos Eduardo estima que a decisão possa sair nos próximos meses.

“Eu acredito que agora é uma questão de dois, talvez três meses até que o juiz venha proferir a sentença e a gente confia que essa sentença será uma sentença de pronúncia, onde será levado o caso a júri popular para que a gente possa, aí sim, buscar a condenação dele pelo homicídio que ele praticou”, afirmou.

Enquanto isso, familiares e ciclistas aguardam a decisão. Depois de dois anos de processo, a expectativa da associação é de que o caso avance para o julgamento.

“Nós queremos primeiramente em Deus, que Deus é justo, que justiça será feita, e acreditamos também na Justiça do nosso país”, afirmou o representante.