Alexandre Kalil, Mateus Simões, Ben Mendes e Túlio Lopes aparecem na disputa; confira o perfil e as principais propostas de cada um
A disputa pelo Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos. Até o momento, Alexandre Kalil, Mateus Simões, Ben Mendes e Túlio Lopes aparecem entre os nomes registrados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para concorrer ao Palácio Tiradentes.
Os quatro candidatos chegam à eleição com trajetórias e projetos diferentes. Enquanto Kalil retorna à disputa pelo Executivo estadual, Mateus Simões busca permanecer à frente do Governo de Minas. Por outro lado, Ben Mendes estreia nas urnas após ganhar projeção com a defesa dos direitos do consumidor. Já Túlio Lopes apresenta uma candidatura ligada principalmente às pautas dos servidores públicos e dos trabalhadores.
Além disso, os programas mostram diferenças relevantes sobre economia, saúde, educação, segurança, infraestrutura e gestão pública. Dessa forma, os eleitores terão propostas distintas para comparar ao longo da campanha.
Alexandre Kalil aposta em investimento e desenvolvimento regional
Alexandre Kalil disputa o Governo de Minas pelo PDT. Empresário e ex-presidente do Atlético Mineiro, ele entrou na política eleitoral em 2016, quando venceu a disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte. Depois, conquistou a reeleição em 2020. Em seguida, deixou o cargo em 2022 para concorrer ao Governo de Minas. Agora, volta à disputa pelo Executivo estadual.
No plano de governo, Kalil coloca como uma das principais prioridades recuperar a capacidade do Estado de transformar planejamento em investimentos e serviços públicos. Para isso, propõe integrar secretarias e órgãos estaduais, ampliar o uso de dados na tomada de decisões e estabelecer metas e mecanismos de acompanhamento das políticas públicas.
Além disso, o candidato defende uma aproximação maior entre o Governo de Minas e os municípios. Nesse sentido, a proposta prevê descentralizar oportunidades, aproximar serviços e reduzir desigualdades entre as diferentes regiões do Estado.
Na economia, por sua vez, Kalil aposta na agregação de valor à produção mineira. O programa cita mineração, indústria, agroindústria, turismo, economia criativa, bioeconomia, ciência e tecnologia entre os setores considerados estratégicos. Ao mesmo tempo, propõe aproximar universidades, centros de pesquisa e empresas para ampliar a inovação e gerar empregos qualificados.
No Centro-Oeste de Minas, o programa cita diretamente Divinópolis e outros centros regionais. Entre as propostas estão enfrentar gargalos logísticos, ampliar a qualificação profissional e conectar empresas a tecnologia e financiamento. Além disso, o plano pretende diversificar a economia regional para reduzir a dependência de poucos setores.
Outro ponto central está na recuperação da capacidade financeira do Estado. Por isso, o plano relaciona essa estratégia à renegociação da dívida, à gestão das contas públicas e à busca por novas fontes de recursos. Dessa forma, a candidatura pretende ampliar investimentos em estradas, hospitais, escolas, segurança, saneamento e tecnologia.
Mateus Simões aposta na continuidade da atual gestão
Mateus Simões, do PSD, disputa a eleição ocupando o cargo de governador de Minas Gerais. Antes disso, exerceu a função de vice-governador. Além disso, já atuou como vereador de Belo Horizonte e secretário-geral do Governo do Estado.
O plano apresentado pela candidatura estabelece quatro princípios centrais. São eles: responsabilidade fiscal, eficiência, centralidade da família nas políticas sociais e atuação do Estado como parceiro de quem produz e empreende.
Na saúde, Simões propõe fortalecer a atenção primária e, ao mesmo tempo, ampliar o uso da tecnologia. Entre as medidas estão telessaúde, diagnóstico remoto e integração dos sistemas de informação. Além disso, o programa prevê reduzir o tempo de espera por cirurgias e exames e ampliar o acesso a medicamentos.
Já na educação, o candidato pretende ampliar a conectividade das escolas e avançar na modernização pedagógica. Paralelamente, quer expandir o ensino em tempo integral e fortalecer a educação profissional e tecnológica de acordo com as vocações econômicas de cada região. O programa também prevê ampliar a inclusão de estudantes neurodivergentes, com deficiência e altas habilidades.
Na infraestrutura, por outro lado, Simões defende a continuidade da expansão do metrô na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Além disso, o plano prevê melhorar a qualidade das rodovias estaduais e ampliar a segurança viária. Para viabilizar os investimentos, a candidatura também aposta em concessões e parcerias.
Ao mesmo tempo, o programa busca preservar o equilíbrio fiscal e avançar na digitalização dos serviços públicos. Dessa maneira, a proposta inclui o uso de inteligência artificial na gestão e a ampliação da conectividade em regiões ainda desassistidas.
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Ben Mendes estreia nas urnas com foco em segurança e gestão
Benoni Benjamin Cardoso Mendes, conhecido como Ben Mendes, disputa o Governo de Minas pelo Partido Missão. Nascido em Contagem, ele ganhou projeção principalmente por meio da internet e do trabalho ligado à defesa dos direitos do consumidor.
Advogado, jornalista e criador de conteúdo, Ben ficou conhecido pelo projeto Ronda do Consumidor. Agora, disputa pela primeira vez um cargo eletivo.
Entre as principais bandeiras da candidatura aparecem a responsabilidade fiscal, a segurança pública, o combate ao crime organizado e a busca por maior eficiência da administração estadual.
Na economia, por exemplo, Ben Mendes defende ampliar a industrialização das riquezas produzidas em Minas. Entre as propostas está a verticalização da cadeia dos minerais críticos. Assim, o candidato pretende reduzir a exportação de matéria-prima bruta e aumentar o processamento dentro do próprio Estado.
Além disso, Ben defende o fortalecimento da agroindústria e a incorporação de novas tecnologias aos setores produtivos. Ao mesmo tempo, coloca a situação fiscal de Minas entre os principais desafios e propõe uma auditoria das contas e da dívida pública estadual.
Na administração, por sua vez, o candidato aposta em uma reforma voltada à eficiência dos serviços e à redução da burocracia. Já na segurança, defende o fortalecimento das forças estaduais e uma atuação mais rígida no enfrentamento ao crime organizado.
Túlio Lopes coloca servidores e empresas públicas no centro do programa
Túlio César Dias Lopes disputa o Governo de Minas pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Professor de ensino superior e ex presidente da Associação dos Docentes da UEMG (ADUEMG), ele apresenta uma candidatura ligada principalmente às mobilizações dos servidores públicos e trabalhadores.
Segundo o programa do partido, a candidatura surgiu das lutas da classe trabalhadora, da juventude e dos servidores estaduais. Dessa forma, a valorização do funcionalismo ocupa espaço central nas propostas apresentadas.
Entre as medidas, o programa prevê cumprir acordos de greve firmados com diferentes categorias. Além disso, propõe reabrir negociações com sindicatos, nomear aprovados em concursos e abrir novos editais. Ao mesmo tempo, defende reduzir a jornada dos servidores estaduais para 30 horas semanais, sem redução de salários e direitos.
O programa também defende revisão anual dos salários, recomposição das perdas inflacionárias e atualização dos planos de carreira. Paralelamente, Túlio propõe fortalecer o Ipsemg, ampliar a rede própria e credenciada e realizar novos concursos para recompor o quadro do instituto.
Na economia, por sua vez, o PCB propõe auditoria da dívida pública estadual, suspensão das chamadas renúncias fiscais ocultas e cobrança de débitos não pagos. Além disso, a candidatura defende um referendo sobre a privatização da Copasa, a interrupção de novos processos de privatização e a discussão sobre a reversão de privatizações realizadas nas últimas décadas.
A mineração também ocupa espaço de destaque. Nesse sentido, o programa prevê revisão de licenciamentos, mudanças relacionadas à CFEM e criação de territórios livres da mineração. Além disso, o PCB defende a reestatização do setor mineral sob controle social dos trabalhadores.
Na educação, Túlio Lopes propõe ampliar a autonomia da UEMG e da Unimontes. Ao mesmo tempo, o programa prevê fortalecer a assistência estudantil e acabar com as escolas cívico-militares. Além disso, a candidatura defende a expansão da educação pública em tempo integral.
Na área social, por fim, o programa propõe uma política de soberania alimentar para os 853 municípios. Além disso, prevê ações contra o trabalho análogo à escravidão, combate ao analfabetismo e políticas voltadas à proteção de diferentes grupos sociais.
Propostas mostram caminhos diferentes para Minas
Portanto, os quatro candidatos apresentam projetos distintos para o Estado. Alexandre Kalil concentra parte das propostas na recuperação da capacidade de investimento, no desenvolvimento regional e na inovação.
Mateus Simões, por outro lado, aposta na continuidade da atual gestão. Nesse sentido, prioriza responsabilidade fiscal, eficiência administrativa, tecnologia e ampliação de políticas públicas.
Já Ben Mendes direciona suas propostas para segurança, reforma administrativa, responsabilidade fiscal e industrialização das riquezas mineiras.
Por fim, Túlio Lopes defende maior presença do Estado na economia, fortalecimento dos servidores, preservação das empresas públicas e ampliação da participação popular nas decisões do governo.


