“Eles vieram para matar”, afirma família de homem morto em operação da PM em Itapecerica

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Por -07/09/2026, às 15H13setembro 8th, 2026
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Foto: Arquivo pessoal/família

Guilherme Pereira da Silva estava no quarto quando os militares entraram na casa; mãe, sobrinhos e irmãs acompanharam a ação policial

“Eles vieram para matar.” A afirmação partiu de familiares de Guilherme Pereira da Silva, de 34 anos, morto nesta segunda-feira (7/9), em Itapecerica, no Centro-Oeste de Minas, durante uma operação da Polícia Militar. A família afirma que ele estava dormindo quando os militares entraram na casa, no bairro Alto Alegre, e seguiram até o quarto onde ele estava.

Lá, os policiais teriam perguntado sobre onde estavam escondidas as drogas. Ele teria respondido que não estava com nenhuma droga e dito para revistarem. Em seguida, os militares teriam atirado, conforme relatado por familiares. Guilherme já tinha passagens policiais por tráfico de drogas.

Antes de ser baleado, ele teria dito: “Pode olhar senhor”, se referindo às busca. A mãe dele, uma sobrinha, um sobrinho e a irmã estavam dentro do imóvel no momento em que os policiais entraram para cumprir mandado de busca e apreensão. Eles alegam que Guilherme estava deitado na cama, não reagiu e não estava armado.

“Viera para matar”

“Da forma com que foi, eles vieram para matar, foi para sacanear. Da forma como aconteceu foi muita covardia”, relatou um familiar ao PORTAL GERAIS.

A irmão dele, Luciana Aparecida Silva, estava no quarto ao lado. Ela conta que ele havia bebido na noite anterior sertralina e diazepam e que, por isso, estava sem reação. Contou que o policiais não apresentaram mandado de busca, apreensão e nem prisão.

Ao todo, dois policiais estavam dentro do quarto, outros dois na sala e outros ao redor da casa. “Eles saíram correndo de dentro da casa depois que atirarem”, relembra.

Os militares socorreram Guilherme e o levaram até a Santa Casa do município. Contudo, ele não resistiu. “Ele já estava morto quando eles levaram ele. Os tiros acertaram as costas dele”, conta Luciana.

A família alega que pelo menos dois tiros acertaram o homem.

Reação

A ação policial provocou reação entre os familiares, que cobram apuração e investigação.

Do lado de fora da casa, populares teriam se aglomerado e, para dispersá-los, os militares teriam usado bombas de gás lacrimogêneo.

Relatos dos familiares

Conforme os familiares, Guilherme estava dormindo quando os policiais entraram na casa. Eles afirmam que havia uma criança e uma idosa, mãe de Guilherme, no imóvel no momento da ação.

Ainda conforme os relatos, os policiais teriam entrado no quarto e perguntado sobre drogas. Guilherme teria respondido que não tinha e, antes dos disparos, teria dito: “Tô de boa.”

A família afirma que ele não reagiu à abordagem e que os policiais teriam efetuado dois disparos. Após ser atingido, ele teria sido arrastado para fora da casa e levado pelos militares para atendimento médico.

Os familiares também afirmam que os policiais não encontraram nenhuma arma ou droga e que nenhuma busca foi feita de fato pelos militares.

A ação teria ocorrido por volta das 6h30. A perícia técnica da Polícia Civil esteve no local.

Guilherme tinha histórico criminal por tráfico de drogas.

O que diz a PM?

A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) afirma que agiu em legítima defesa durante uma ocorrência que terminou na morte de um homem de 35 anos, na manhã desta segunda-feira (7/9), em Itapecerica. Conforme a corporação, ele teria apontado um revólver em direção aos militares durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão.

De acordo com nota divulgada pela 7ª Região de Polícia Militar no início da noite desta segunda-feira, os policiais teriam dado ordem para que o homem largasse a arma. Ainda conforme a PM, ele teria mantido a ameaça.

Diante do que a corporação classificou como “iminência de injusta agressão”, os militares efetuaram disparos para contê-lo.

Arma e drogas apreendidas

A PM informou que, durante a ocorrência, foi apreendido um revólver calibre .32 com a numeração raspada, além de cinco munições.

Ainda segundo a corporação, os militares encontraram no imóvel uma pedra de crack e um cigarro de maconha.

A Polícia Militar informou que instaurou um procedimento para apurar as circunstâncias da ocorrência.

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