ANM decreta embargo da barragem da Vale na Região Central de Minas Gerais

Gerais
Por -29/08/2026, às 13H28agosto 29th, 2026
Barragem de Maravilhas II, em Itabirito, MG. — Foto: Vale

Decisão paralisa o depósito de rejeitos na estrutura Maravilhas II por causa da falta de atualização em estudos e planos de emergência

A Agência Nacional de Mineração (ANM) determinou o embargo da barragem da Vale Maravilhas II, em Itabirito, na Região Central de Minas Gerais. O órgão regulador publicou a decisão na sexta-feira (28) no Diário Oficial da União (DOU), cerca de oito meses após a estrutura sair do nível 1 de emergência. A fiscalização motivou a medida devido à desatualização de documentos técnicos do local, impedindo o depósito de rejeitos na unidade ativa. A interdição visa garantir a atualização do estudo de ruptura e do Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM).

Motivos da interdição e nível de alerta

De acordo com a ANM, os documentos apresentados pela mineradora não consideravam a situação atualizada da barragem após a conclusão de obras no local. A agência reguladora explicou que, a medida não ocorreu por causa de novas anomalias identificadas na estrutura.

Dessa forma, a última fiscalização presencial realizada em 13 de julho não apontou problemas indicando comprometimento imediato da segurança. A irregularidade documental levou o órgão a colocar a estrutura em nível de alerta.

Conforme esclareceu a instituição, a nova classificação difere dos níveis de emergência e não indica risco iminente.

Dessa forma, a Vale continuará executando apenas as atividades necessárias para a manutenção, a segurança e a regularização do local.

Exigências da ANM e posicionamento da mineradora

De acordo com as regras estabelecidas, a mineradora precisará atualizar o estudo de ruptura hipotética e o PAEBM para liberar a operação.

Conforme prevê o protocolo, a agência fará uma nova avaliação para verificar a conformidade e a operacionalidade do plano. A mineradora se manifestou por meio de nota oficial para esclarecer os fatos:

“não houve qualquer alteração nas condições de segurança da barragem”

Conforme complementou a empresa, a medida refere-se à documentação relacionada à estrutura:

“que está sendo revisada também em função das melhorias realizadas”

“A barragem permanece estável e segue sendo monitorada 24 horas por dia pelos Centros de Monitoramento Geotécnico da Vale”, afirmou a mineradora.

Histórico de emergência na Mina do Pico

De acordo com o histórico da estrutura na Mina do Pico, em Itabirito, o nível 1 de emergência foi encerrado em 9 de janeiro deste ano. A mineradora informou que, obras de reforço garantiram a emissão de uma Declaração de Condição de Estabilidade (DCE) positiva naquela data.

Dessa forma, o encerramento da fase emergencial confirmou a eliminação das condições de risco registradas anteriormente na unidade.

Contudo, a legislação exige a atualização constante dos relatórios operacionais para manter as atividades autorizadas no bioma.

Por fim, o enquadramento em nível de emergência 1 (NE1) representa o primeiro dos três estágios previstos nas normas de segurança mineral do país.