
O número, à primeira vista expressivo, ganha contornos ainda mais interessantes quando se observa quem, de fato, colocou dinheiro na cidade
Campeões de Emendas para Divinópolis
Divinópolis recebeu, em 2025, mais de R$ 23,9 milhões em emendas parlamentares, recursos indicados por 19 parlamentares diferentes, além de valores provenientes de três blocos parlamentares. O número, à primeira vista expressivo, ganha contornos ainda mais interessantes quando se observa quem, de fato, colocou dinheiro na cidade, e quanto isso representa dentro das possibilidades de cada mandato.
Os dados são do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) desta terça-feira (13/1).
Sem entrar, por ora, na discussão das devidas proporções, o senador Cleitinho (Republicanos) aparece como o principal destinador das emendas para o município. Em 2024, ele indicou R$ 7,7 milhões em emendas individuais para Divinópolis. Considerando que cada senador tem direito a cerca de R$ 68,5 milhões anuais, pouco mais de 11,3% desse montante foi destinado à sua terra natal.
Na sequência aparece a deputada estadual Lohanna França (PV), frequentemente alvo de críticas e cobranças públicas do prefeito Gleidson Azevedo (Novo). Ainda assim, Lohanna destinou R$ 4 milhões em emendas individuais para Divinópolis em 2025 dos R$ 28,7 milhões a que tem direito (13,94%), segundo dados do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).
Em terceiro lugar está o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), com R$ 3,4 milhões em emendas individuais, seguido pelo deputado federal Domingos Sávio (PL), que indicou R$ 1,3 milhão, dos R$ 37,2 milhões.
Os demais parlamentares destinaram valores que variam entre R$ 100 mil e R$ 700 mil. Além disso, o Bloco Avança Minas, formado por 22 deputados estaduais, também direcionou R$ 2,9 milhões para o município.
Saber como e quanto cada parlamentar destina emendas não é detalhe técnico: é critério político. Emendas são instrumento de compromisso com o território onde se busca voto. Para se ter dimensão disso, o deputado federal Nikolas Ferreira, o mais votado em Divinópolis, com 21.756 votos, não destinou um centavo sequer ao município em 2025.
Ranking de emendas para Divinópolis
Ranking dos 10 parlamentares e blocos que mais destinaram emendas em 2025
- Cleitinho R$ 7.751.700,00
- Lohanna França R$ 4.006.500,00
- Eduardo Azevedo R$ 3.408.618,08
- Bloco Avança Minas R$ 2.910.490,00
- Domingos Sávio R$ 1.386.000,00
- Fábio Avelar R$ 700.000,00
- Bloco Democracia e Luta R$ 561.660,00
- Mauro Tramonte R$ 460.000,00
- Beatriz Cerqueira R$ 450.000,00
- Mário Henrique Caixa R$ 250.000,00
Conforme o TCE, considerando os três primeiros anos de mandato – 2023, 2024 e 2025, o ranking dos deputados com base em Divinópolis fica assim:
- Cleitinho R$ 17.515.700,00
- Eduardo Azevedo R$ 12.031.855,97
- Lohanna França R$ 8.538.066,00
- Domingos Sávio R$ 7.926.593,00
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Azevedos x Zema: Morde e assopra
O imbróglio político que envolve a direita em Minas Gerais torna qualquer cenário difícil de decifrar — e, inevitavelmente, respinga em Divinópolis. Apontada como um dos epicentros eleitorais de 2026, ao menos até aqui, cada movimento é interpretado como aceno, gesto ou recado.
Chamou atenção a presença do governador Romeu Zema (Novo) ao lado do deputado estadual Eduardo Azevedo (PL) — irmão do senador Cleitinho — para sancionar a lei que autoriza a doação do Hospital Regional de Divinópolis à UFSJ. A cena não passou despercebida nos bastidores, especialmente porque a autoria do projeto é da deputada Lohanna França.
A fotografia política foi lida por interlocutores como mais um capítulo da relação de “morde e assopra” entre Zema e os irmãos Azevedo. No meio desse tabuleiro está o vice-governador Mateus Simões (PSD), que tenta pavimentar sua candidatura ao governo de Minas e, de quebra, busca o apoio de Cleitinho — que, mesmo sem cravar oficialmente a pré-candidatura, segue liderando as pesquisas.
Foi Simões, inclusive, quem antecipou que a sanção da lei de Lohanna ocorreria em uma “cerimônia” com Eduardo Azevedo. E assim foi.
Cleitinho e o silêncio sobre o que importa
Curiosamente, Cleitinho pouco tem falado do Hospital Regional ou feito campanha direta pela unidade, comportamento igual ao que adota em temas polêmicos como privatizações, dívida de Minas com a União. No caso do hospital, o trabalho mais pesado ficou com os irmãos, incluindo o gêmeo e prefeito Gleidson Azevedo.
Gleidson, vale lembrar, segue filiado ao Novo, partido do governador, embora mantenha uma relação marcada por aproximações e distanciamentos estratégicos. Já deixou claro que não pretende sair da sigla e que deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
O tabuleiro eleitoral, de fato, só deve ganhar contornos mais definidos nos próximos meses. Até lá, os acenos continuarão. Ninguém quer se comprometer demais, mas todos querem estar por perto. A direita sabe: se rachar, pode entregar a sucessão mineira de bandeja aos adversários.



