Operação Ambiente 186 expõe fraude milionária e envolve grupo ligado ao senador Cleitinho
A operação Ambiente 186 desencadeada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA-MG) movimentou Minas Gerais nesta terça-feira (2/12) ao cumprir mandados contra um esquema de fraude fiscal estimado em mais de R$ 215 milhões. A ação mirou empresários, empresas e executivos, entre eles nomes ligados ao grupo Coelho Diniz — vinculado ao suplente do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), Alex Coelho Diniz.
Embora Alex não figure como alvo, administradores e integrantes do grupo entraram na mira das autoridades. A operação também atingiu o ex-publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, condenado no Mensalão, o que ampliou ainda mais a repercussão do caso.
Como funcionava o esquema
As investigações duraram mais de 18 meses. Conforme o Ministério Público, o grupo criou empresas de fachada para simular operações interestaduais e, assim, reduzir ilegalmente o pagamento de ICMS próprio e por substituição tributária. O esquema beneficiava setores atacadistas e varejistas que utilizavam as falsas operações para baratear artificialmente seus produtos e aumentar os lucros.
De acordo com o promotor Wagner Augusto, os fraudadores buscavam estados com alíquotas menores para gerar vantagem indevida. “Eles emitem a nota dos produtos, num valor. Essa nota retornava e era, muitas vezes, emitida uma outra nota. Só que o destinatário final era o mesmo que emitia as notas.” Um exemplo é Goiás, onde o ICMS está fixado em 7%, contra 18% de Minas Gerais.
Ele explicou ainda que os fraudadores escolhiam estados sem convênio com Minas para evitar rastreamento.
O promotor detalhou que a redução artificial dos preços afetava o mercado mineiro como um todo: a fraude “distorcia a concorrência e prejudicava empresas que atuam licitamente, em conformidade com a legislação tributária”.
Produtos usados na fraude e impacto econômico
O auditor fiscal da Receita Estadual, Flávio Henrique Araújo, revelou que o grupo usava “produtos de higiene, bebidas, alimentos, produtos de alto giro, pneus, peças de automóveis, grãos, produtos de culinária, vinhos, principalmente, que eram vendidos a preço mais baixo nesses comércios”. Ele destacou que a organização operava com alto grau de especialização e criava empresas falsas para “ludibriar a fiscalização estadual e esconder o real infrator”.
Conforme Flávio, os empresários lucravam, mas os consumidores não tinham qualquer benefício, como por exemplo, pagar menos. Ele reforçou que a prática destruía a concorrência. Eles faziam por exemplo, uma promoção de vinhos, a preço bem inferior que o mercado.
O que foi apreendido durante a Operação Ambiente 186
A operação ambiente 186 cumpriu mandados na Região Metropolitana de Belo Horizonte e no Centro-Oeste de Minas. O órgão não revelou as cidades. As equipes recolheram celulares, aparelhos eletrônicos, documentos, discos rígidos e outros materiais que podem comprovar os crimes. Além disso, veículos de luxo usados pela organização para lavar dinheiro também foram apreendidos.
O CIRA obteve ainda a indisponibilidade de R$ 476 milhões em bens dos investigados, medida que tenta impedir novas movimentações ilícitas e garantir ressarcimento ao Estado.
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Por que o esquema afeta toda a sociedade
O Ministério Público destaca que a sonegação praticada retirou recursos essenciais de áreas como saúde, educação e segurança pública. Conforme os promotores, “a organização criminosa se apropriava indevidamente do imposto que deveria ser recolhido ao Estado, convertendo tais valores em benefício patrimonial próprio”.
A diferença de tributação entre os estados gerava enormes lucros. Em Goiás, por exemplo, o ICMS é de 7%, contra 18% em Minas Gerais. Essa diferença pagava a cadeia criminosa e alimentava o enriquecimento ilegal.
Quem participou da operação
A ação mobilizou uma força-tarefa de grande porte:
- 6 promotores de Justiça
- 3 delegados da Polícia Civil
- 58 auditores da Receita Estadual
- 2 auditores da Receita Federal
- 65 policiais militares
- 54 policiais civis
- 9 bombeiros militares
- 15 servidores do Ministério Público
A megaoperação ocorreu durante as celebrações pelos 18 anos do CIRA, criado em 2007 e responsável por recuperar mais de R$ 16 bilhões aos cofres públicos desde então.
O que acontece agora
As investigações continuam com base no material coletado. Os promotores reforçaram que novas fases da operação podem ocorrer, já que as fraudes atingem diversos setores e envolvem empresas que simulavam operações para multiplicar lucros e driblar o fisco.
Enquanto isso, a repercussão política cresce, especialmente porque o grupo empresarial investigado tem ligação direta com o suplente do senador Cleitinho. As autoridades, no entanto, afirmam que Alex Coelho Diniz não integra a lista de alvos desta fase.



