Escola em tempo integral deve ter jornada mínima de 35 horas semanais

Minas Gerais
Por -05/08/2025, às 08H03agosto 5th, 2025
Matemática na infância projetos para pré-escola podem receber até R$ 80 mil.(FOTO:Angelo Miguel/MEC)
Matemática na infância projetos para pré-escola podem receber até R$ 80 mil.(FOTO:Angelo Miguel/MEC)

Nova resolução estabelece diretrizes para educação integral em todas as etapas da educação básica

Foi publicada nesta segunda-feira (4), no Diário Oficial da União, a Resolução nº 7/2025 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que estabelece as novas diretrizes para a oferta da educação em tempo integral no Brasil. A principal definição é que a jornada mínima para escolas de tempo integral será de 7 horas diárias ou 35 horas semanais, distribuídas ao longo de cinco dias letivos.

A norma se aplica a todas as etapas da educação básica, incluindo a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, tanto em escolas públicas quanto privadas, e deve ser implementada com base nos princípios de equidade, inclusão, diversidade, justiça curricular e gestão democrática.

A nova resolução orienta as secretarias de educação estaduais e municipais, assim como as escolas, no processo de implantação, acompanhamento e avaliação da oferta em tempo integral. A expectativa do Ministério da Educação (MEC) é que a medida contribua para ampliar o acesso, garantir permanência dos estudantes e promover o desenvolvimento integral, sobretudo em áreas de maior vulnerabilidade social.

Prioridade para territórios vulneráveis

De acordo com o MEC, a jornada em tempo integral deve priorizar territórios com maior vulnerabilidade socioeconômica e histórico de exclusão escolar. A política está alinhada ao Programa Escola em Tempo Integral (ETI), que visa induzir a criação de matrículas em tempo integral em todas as modalidades da educação básica.

Mais do que tempo na escola

A resolução deixa claro que a educação em tempo integral não se resume a ampliar a carga horária, mas a reorganizar a rotina escolar com foco no bem-estar e no aprendizado. Assim, o tempo destinado à alimentação, higiene, descanso, socialização e deslocamentos internos deve ser reconhecido como parte do processo educativo, sempre acompanhado por profissionais qualificados.

Essas atividades devem respeitar os direitos de aprendizagem e desenvolvimento, especialmente no caso de bebês e crianças pequenas.

Tipos de escolas

A norma também distingue dois modelos possíveis para as redes de ensino:

Escolas exclusivas de tempo integral, onde todas as turmas e matrículas têm jornada ampliada;

Escolas mistas, onde apenas parte das turmas segue a jornada em tempo integral.

Diretrizes para implementação

A resolução orienta que a política de tempo integral se baseie em seis eixos estratégicos:

Acesso e permanência com equidade: garantir que todos os estudantes, especialmente os mais vulneráveis, tenham acesso e permaneçam na escola, com ações como busca ativa e combate à evasão.

Gestão democrática e participativa: escutar a comunidade escolar para identificar demandas, avaliar políticas e planejar ações de forma colaborativa.

Articulação intersetorial e com o território: integrar políticas sociais e estabelecer parcerias com organizações da sociedade civil e coletivos comunitários que atuam nos territórios escolares.

Currículo e práticas pedagógicas integradas: superar a lógica de turno e contraturno. A escola deve assegurar a participação ativa dos estudantes em todas as atividades e acompanhar sua frequência e desenvolvimento.

Valorização e formação dos educadores: garantir equipes pedagógicas suficientes, com jornadas adequadas, e assegurar formação continuada dos profissionais.

Monitoramento e avaliação: as redes de ensino deverão monitorar e avaliar continuamente a política de tempo integral, com participação da comunidade escolar, e compartilhar os resultados de forma transparente.

Prazo de adaptação

As secretarias de educação de estados e municípios têm o prazo de até 180 dias para criar ou atualizar suas próprias normativas locais com base nas diretrizes da nova resolução do CNE.