Ex-prefeito de Itaúna é condenado por esquema de rachadinha; Defesa recorrerá

ItaúnaPolítica
Por -06/05/2026, às 17H21maio 13th, 2026
prefeito de itaúna neider moreira
Foto: Divulgação

O ex-prefeito de Itaúna, Neider Moreira, foi condenado a mais de 6 anos de prisão por esquema de “rachadinha”. A defesa alega uso de provas ilícitas e anuncia recurso.

A pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Justiça condenou o ex-prefeito de Itaúna, Neider Moreira, a seis anos e um mês de reclusão em regime fechado. A sentença, que inclui multa e suspensão de direitos políticos, aponta o envolvimento do ex-gestor em um esquema de “rachadinha” que teria ocorrido entre 2018 e 2021.

Além de Neider Moreira, um ex-secretário de Regulação Urbana e um ex-chefe de Gabinete também receberam condenações por crime de concussão. As penas para os demais envolvidos variam entre dois e quatro anos de reclusão.

A cobrança vinha acompanhada de ameaça de exoneração. Conforme o MP, a exigência ocorria fora dos canais legais e os comissionados deviam pagar em espécie, dentro de envelopes.

De acordo com o MPMG, gravações ambientais feitas em reuniões, além de mensagens trocadas entre os envolvidos e os servidores e de depoimentos de vítimas e testemunhas comprovaram o esquema. Nas reuniões, exigia-se pagamentos mensais de valores que variavam conforme a função comissionada. Aqueles que se recusassem corriam o risco de demissão.

Uma testemunha afirmou que, após resistir à cobrança, passou a sofrer perseguição interna, sendo exonerada meses depois por se recusar a dar parte de seu salário.

O MP denunciou os condenados pelo esquema de rachadinha por crime de concussão, quando servidor público exige vantagem indevida em razão do cargo que ocupa.

Como funcionava o esquema

Conforme a Procuradoria de Justiça Especializada (PCO), os réus pressionavam servidores comissionados a repassar parte de seus salários. O dinheiro, supostamente, custeava a campanha de reeleição do então prefeito.

As investigações do MPMG revelaram que:

  • Coação: A cobrança vinha acompanhada de ameaça de exoneração;
  • Pagamento: Os valores exigidos em espécie e entregues em envelopes;
  • Provas: O esquema foi comprovado por gravações ambientais em reuniões, mensagens e depoimentos de vítimas.

O que diz a defesa de Neider Moreira

Em nota oficial, a defesa do ex-prefeito expressou “extremo pesar” com o resultado do julgamento. Os advogados sustentam que a condenação baseia-se em uma interceptação ambiental clandestina, classificada por eles como prova ilícita, já que o autor da gravação é desconhecido e não houve autorização judicial.

A defesa afirma ainda que:

  • Não existem testemunhos que comprovem a participação direta de Neider Moreira em qualquer delito;
  • A gravação teria surgido de um “envelope anônimo” entregue a um opositor político às vésperas da eleição;
  • Medidas cabíveis já estão sendo adotadas para recorrer do acórdão junto à 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, visando anular o processo.