Ex-secretário preso em Divinópolis: prefeitura anunciou saída, mas deu 2 meses de férias antes de exonerar

Minas GeraisPolítica
Por -13/03/2026, às 15H58março 13th, 2026
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Alvo da Operação Ghost Machine, o ex-secretário Gustavo Mendes tirou férias após anúncio de saída e, logo após a exoneração oficial, entrou em licença médica com auxílio-doença de R$ 8 mil

O ex-secretário municipal de Operações e Serviços Urbanos de Divinópolis, Gustavo Mendes, preso durante a Operação Ghost Machine, só foi oficialmente exonerado do cargo em 16 de abril de 2025, dois meses após a prefeitura anunciar publicamente a saída dele da pasta. Entre o anúncio e a exoneração, ele tirou férias prêmio.

A administração municipal informou ao ex-secretário sobre a exoneração no dia 10 de fevereiro de 2025, data em que também divulgou nota à imprensa. Entretanto, o então secretário não deixou imediatamente a função. Primeiro, ele tirou folga até o dia 14, em seguida, teria entrado em período de férias por dois meses, conforme decreto publicado no dia 17 de fevereiro, com efeito retroativo ao dia 14 do mesmo mês, que trata da substituição interinamente.

O secretário de Governo Matheus Tavares assumiu a Secretaria Municipal de Operações e Serviços Urbanos (Semsur) de forma interina entre 14 de fevereiro e 15 de abril, considerando o afastamento do titular para gozo de férias. Só no dia 16 houve a exoneração do cargo.

Contudo, conforme a assessoria da prefeitura, após o dia 10 de fevereiro, Gustavo não esteve mais na secretaria. Tudo foi relatado ao Ministério Público por meio da notícia de fato que desencadeou ao operação e levou às prisões.

“No dia 10 de fevereiro de 2025 Gustavo foi comunicado de sua exoneração. O mesmo solicitou folgas até o dia 14/02/2025 e férias, pois já estava com duas férias vencidas, e foi concedido pela administração. Importante saber que, desde o dia 10 de fevereiro, o mesmo não compareceu mais na Semsur, Matheus Tavares que assumiu. Inclusive essa questão das férias foi comunicada ao Ministério Público no momento de apresentar a Notícia de Fato”, informou a assessoria de comuicação da prefeitura.

exoneração e férias gustavo mendes
Decreto de substituíção devido às férias e decreto de exoneração

Denúncia ao Ministério Público ocorreu um mês depois

Após o anúncio da exoneração, o prefeito Gleidson Azevedo protocolou no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) uma denúncia relatando possíveis irregularidades na secretaria.

O documento foi encaminhado no dia 13 de março de 2025, portanto cerca de um mês após o comunicado inicial sobre a saída de Gustavo Mendes da pasta.

Somente depois disso, em 16 de abril, a exoneração foi formalizada oficialmente no cargo em comissão.

Segundo relato incluído no documento enviado ao Ministério Público, Gustavo Mendes solicitou férias após ser informado da exoneração. Conforme apuração da reportagem, ele também chegou a cogitar licença sem vencimentos ou até transferência para atuar em outro município.

Ex-secretário recebe auxílio-doença de cerca de R$ 8 mil

Logo após a exoneração, Gustavo Mendes afastou por licença médica, conforme dados disponíveis no Portal da Transparência.

Como as últimas 12 remunerações dele ocorreram no cargo de secretário municipal, o cálculo do benefício considerou a média salarial desse período. Dessa forma, ele passou a receber auxílio-doença de R$ 8.157,41 em maio de 2025.

Antes disso, em dezembro de 2024, ele recebeu acerto rescisório bruto de R$ 114.433,69, valor que inclui o pagamento de quatro férias integrais referentes ao período em que atuou como secretário.

Apesar da exoneração do cargo político, Gustavo Mendes permanece servidor efetivo da prefeitura no cargo de agente administrativo.

Operação investiga esquema de corrupção milionário

A prisão de Gustavo Mendes ocorreu durante a Operação Ghost Machine, conduzida pelo Ministério Público de Minas Gerais. A investigação apura corrupção ativa e passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro dentro da Semsur. Conforme o Ministério Público, o esquema teria começado em 2021.

Além do ex-secretário, outras três pessoas acabaram presas:

  • Tiago Henrique, servidor efetivo da Semsur;
  • Caio Freitas, engenheiro civil e sócio-diretor da empresa CCR, especializada no aluguel de máquinas e veículos;
  • Wendell Barbalho, empresário que atua no mesmo segmento.

De acordo com o Ministério Público, os contratos sob investigação ultrapassam R$ 37 milhões, enquanto o pagamento de propinas pode superar R$ 2 milhões.

As investigações apontam envolvimento de pelo menos 14 pessoas no esquema, que teria utilizado contratos públicos para inflar medições de serviços e desviar recursos da prefeitura.