Hospital Regional de Divinópolis começará a funcionar em junho, mas exigirá obras de adequações estruturais e mais R$ 18 milhões para atender ao perfil de hospital universitário.
O Hospital Regional de Divinópolis começará a funcionar em 1º de junho de 2026 e ao longo das etapas de abertura passará por adequações estruturais para atender ao perfil assistencial da unidade, que passará a operar como Hospital Universitário ligado à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Conforme apurado com exclusividade pelo PORTAL GERAIS, o Governo de Minas se comprometeu a repassar mais R$ 18 milhões ao governo federal para viabilizar as intervenções.
A informação foi apresentada durante reunião realizada na última segunda-feira (23/3), no Ministério da Educação, em Brasília, quando autoridades detalharam o cronograma de implantação da unidade. O plano operacional prevê ajustes estruturais ao longo da implantação. A inauguração oficial deve ocorrer entre os dias 15 e 27 de junho e, conforme interlocutores, poderá contar com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A estratégia definida pelo governo federal e pelos envolvidos no projeto foi iniciar a operação da unidade mesmo sem todas as adaptações concluídas. Isso porque, segundo foi informado na reunião, esperar a finalização de todas as correções atrasaria a abertura em pelo menos mais um ano.
O encontro discutiu o plano de operação da unidade que funcionará como Hospital Universitário da UFSJ, campus Dona Lindu. Participaram da agenda o vereador Vítor Costa, a tesoureira Gleide Andrade, o reitor da universidade e 17 prefeitos da região.
Conforme apresentado, a implantação ocorrerá em quatro fases, permitindo que a estrutura entre em funcionamento gradualmente enquanto as obras e readequações continuam.
Problemas estruturais foram identificados no projeto antigo
As adequações se tornaram necessárias porque o projeto original do hospital foi concebido há cerca de 15 anos e não atende mais às exigências técnicas, sanitárias e assistenciais atuais.
Entre os principais problemas apontados estão:
- sala de PPP (pré-parto, parto e pós-parto) com metragem insuficiente;
- Central de Material Esterilizado (CME) inadequada para um hospital cirúrgico;
- laboratório com espaço incompatível com a estrutura de um hospital universitário;
- área inicialmente projetada para pronto-socorro, que precisou ser reconfigurada;
- ausência de rede lógica, indispensável para informatização hospitalar;
- necessidade de reprogramação da quantidade de leitos, diante das normas atuais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Durante a apresentação em Brasília, um dos trechos detalhou a gravidade da defasagem estrutural do projeto:
“Só para vocês terem noção, porque a sala para fazer pré-parto, parto e pós-parto, quem concebeu lá atrás, concebeu com 12 metros quadrados. Só para vocês terem noção, tem banheira de hidromassagem dentro da sala, além do leito. Por quê? Porque é o parto humanizado.”
Na mesma explanação, a qual o PORTAL GERAIS teve acesso também foi exposta a limitação de outros setores essenciais:
“A central de material esterilizado, ela foi concebida 15 anos atrás. Ela não cabe em um hospital cirúrgico. Então, teve que ser refeita.”
E ainda:
“O laboratório era pequenininho. O suficiente, por quê? Porque talvez quem pensou no hospital pensou em terceirizar para algum laboratório da cidade. Nós não trabalhamos com laboratório terceirizado.”
Governo de Minas vai repassar R$ 18 milhões
Para evitar um novo atraso no cronograma, o Governo de Minas Gerais se comprometeu a complementar os investimentos com mais R$ 18 milhões, valor que será destinado justamente às correções estruturais necessárias para viabilizar a operação completa da unidade.
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Convocação dos trabalhadores
O cronograma operacional prevê a publicação do edital de convocação dos primeiros trabalhadores em abril, ele seguirá relação dos aprovados em concurso público já realizado. Em seguida, durante o mês de maio, ocorrerão as etapas de admissão, formação, capacitação e habilitação dos profissionais.
Conforme o planejamento apresentado, a convocação ocorrerá por meio de concurso unificado já realizado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
Na primeira fase, o hospital contará com a convocação de 195 trabalhadores. Entre os cargos previstos estão:
- 26 médicos
- 33 enfermeiros
- 42 técnicos de enfermagem
- 24 assistenciais de nível superior
- 17 assistenciais de nível técnico
- 29 administrativos de nível superior
- 25 administrativos de nível técnico
A superintendência da unidade ficará com a professora Cristina Sanches. Já o Colegiado Executivo (Colex) contará ainda com um gerente de Atenção à Saúde, um de Ensino e Pesquisa e outro Administrativo. Até o momento, porém, os demais nomes ainda não foram divulgados.
Hospital terá 198 leitos e atendimento de alta complexidade
Quando estiver totalmente implantado, o Hospital Regional de Divinópolis terá 198 leitos e atuação voltada à média e alta complexidade.
A estrutura incluirá:
- clínica médica;
- clínica cirúrgica;
- pediatria;
- obstetrícia;
- centro de parto normal;
- alojamento conjunto;
- Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto;
- UTI pediátrica;
- UTI neonatal;
- unidades intermediárias;
- método canguru.
Além disso, o hospital contará com:
- 6 salas cirúrgicas;
- 2 salas obstétricas;
- 2 salas para endoscopia e colonoscopia;
- hemodinâmica para procedimentos cardíacos, vasculares e neurológicos;
- 18 consultórios ambulatoriais;
- parque diagnóstico com tomografia, radiografia, mamografia, ultrassonografia e densitometria óssea.
Hospital não terá pronto-socorro aberto ao público
Apesar da robustez da estrutura, o Hospital Regional de Divinópolis não terá pronto-socorro com porta aberta. O atendimento ocorrerá de forma 100% regulada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme o Ministério da Educação.
Na prática, isso significa que os pacientes chegarão à unidade por meio do:
- Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu);
- centrais de regulação;
- encaminhamentos organizados dentro da rede pública.
As exceções serão:
- urgências obstétricas;
- pacientes oncológicos em tratamento na própria unidade.
A definição busca evitar superlotação e manter o hospital dentro do perfil universitário e regional de atendimento especializado.
Funcionamento ampliado em quatro fases
A operação do hospital ocorrerá de forma escalonada ao longo de aproximadamente um ano.
1ª fase: junho a agosto de 2026
- 41 leitos
- 195 profissionais
- foco em atendimento clínico e ambulatorial
2ª fase: setembro a novembro de 2026
- 91 leitos
- 538 trabalhadores
- início de cirurgias e UTI adulto
3ª fase: dezembro de 2026 a fevereiro de 2027
- 122 leitos
- 733 trabalhadores
- ampliação da pediatria e início de exames como tomografia
4ª fase: março a maio de 2027
- 198 leitos
- 1.096 trabalhadores
- entrada da hemodinâmica e da linha materno-infantil completa



