Exclusivo: Hospital Regional de Divinópolis passará por obras e exigirá mais R$ 18 milhões

Minas Gerais
Por -26/03/2026, às 06H00março 30th, 2026
hospital reigonal de divinópolis
Foto: Rafael Mendes/SES/Imprensa MG

Hospital Regional de Divinópolis começará a funcionar em junho, mas exigirá obras de adequações estruturais e mais R$ 18 milhões para atender ao perfil de hospital universitário.

O Hospital Regional de Divinópolis começará a funcionar em 1º de junho de 2026 e ao longo das etapas de abertura passará por adequações estruturais para atender ao perfil assistencial da unidade, que passará a operar como Hospital Universitário ligado à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Conforme apurado com exclusividade pelo PORTAL GERAIS, o Governo de Minas se comprometeu a repassar mais R$ 18 milhões ao governo federal para viabilizar as intervenções.

A informação foi apresentada durante reunião realizada na última segunda-feira (23/3), no Ministério da Educação, em Brasília, quando autoridades detalharam o cronograma de implantação da unidade. O plano operacional prevê ajustes estruturais ao longo da implantação. A inauguração oficial deve ocorrer entre os dias 15 e 27 de junho e, conforme interlocutores, poderá contar com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A estratégia definida pelo governo federal e pelos envolvidos no projeto foi iniciar a operação da unidade mesmo sem todas as adaptações concluídas. Isso porque, segundo foi informado na reunião, esperar a finalização de todas as correções atrasaria a abertura em pelo menos mais um ano.

O encontro discutiu o plano de operação da unidade que funcionará como Hospital Universitário da UFSJ, campus Dona Lindu. Participaram da agenda o vereador Vítor Costa, a tesoureira Gleide Andrade, o reitor da universidade e 17 prefeitos da região.

Conforme apresentado, a implantação ocorrerá em quatro fases, permitindo que a estrutura entre em funcionamento gradualmente enquanto as obras e readequações continuam.

Problemas estruturais foram identificados no projeto antigo

As adequações se tornaram necessárias porque o projeto original do hospital foi concebido há cerca de 15 anos e não atende mais às exigências técnicas, sanitárias e assistenciais atuais.

Entre os principais problemas apontados estão:

  • sala de PPP (pré-parto, parto e pós-parto) com metragem insuficiente;
  • Central de Material Esterilizado (CME) inadequada para um hospital cirúrgico;
  • laboratório com espaço incompatível com a estrutura de um hospital universitário;
  • área inicialmente projetada para pronto-socorro, que precisou ser reconfigurada;
  • ausência de rede lógica, indispensável para informatização hospitalar;
  • necessidade de reprogramação da quantidade de leitos, diante das normas atuais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Durante a apresentação em Brasília, um dos trechos detalhou a gravidade da defasagem estrutural do projeto:

“Só para vocês terem noção, porque a sala para fazer pré-parto, parto e pós-parto, quem concebeu lá atrás, concebeu com 12 metros quadrados. Só para vocês terem noção, tem banheira de hidromassagem dentro da sala, além do leito. Por quê? Porque é o parto humanizado.”

Na mesma explanação, a qual o PORTAL GERAIS teve acesso também foi exposta a limitação de outros setores essenciais:

“A central de material esterilizado, ela foi concebida 15 anos atrás. Ela não cabe em um hospital cirúrgico. Então, teve que ser refeita.”

E ainda:

“O laboratório era pequenininho. O suficiente, por quê? Porque talvez quem pensou no hospital pensou em terceirizar para algum laboratório da cidade. Nós não trabalhamos com laboratório terceirizado.”

Governo de Minas vai repassar R$ 18 milhões

Para evitar um novo atraso no cronograma, o Governo de Minas Gerais se comprometeu a complementar os investimentos com mais R$ 18 milhões, valor que será destinado justamente às correções estruturais necessárias para viabilizar a operação completa da unidade.

Convocação dos trabalhadores

O cronograma operacional prevê a publicação do edital de convocação dos primeiros trabalhadores em abril, ele seguirá relação dos aprovados em concurso público já realizado. Em seguida, durante o mês de maio, ocorrerão as etapas de admissão, formação, capacitação e habilitação dos profissionais.

Conforme o planejamento apresentado, a convocação ocorrerá por meio de concurso unificado já realizado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

Na primeira fase, o hospital contará com a convocação de 195 trabalhadores. Entre os cargos previstos estão:

  • 26 médicos
  • 33 enfermeiros
  • 42 técnicos de enfermagem
  • 24 assistenciais de nível superior
  • 17 assistenciais de nível técnico
  • 29 administrativos de nível superior
  • 25 administrativos de nível técnico

A superintendência da unidade ficará com a professora Cristina Sanches. Já o Colegiado Executivo (Colex) contará ainda com um gerente de Atenção à Saúde, um de Ensino e Pesquisa e outro Administrativo. Até o momento, porém, os demais nomes ainda não foram divulgados.

Hospital terá 198 leitos e atendimento de alta complexidade

Quando estiver totalmente implantado, o Hospital Regional de Divinópolis terá 198 leitos e atuação voltada à média e alta complexidade.

A estrutura incluirá:

  • clínica médica;
  • clínica cirúrgica;
  • pediatria;
  • obstetrícia;
  • centro de parto normal;
  • alojamento conjunto;
  • Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto;
  • UTI pediátrica;
  • UTI neonatal;
  • unidades intermediárias;
  • método canguru.

Além disso, o hospital contará com:

  • 6 salas cirúrgicas;
  • 2 salas obstétricas;
  • 2 salas para endoscopia e colonoscopia;
  • hemodinâmica para procedimentos cardíacos, vasculares e neurológicos;
  • 18 consultórios ambulatoriais;
  • parque diagnóstico com tomografia, radiografia, mamografia, ultrassonografia e densitometria óssea.

Hospital não terá pronto-socorro aberto ao público

Apesar da robustez da estrutura, o Hospital Regional de Divinópolis não terá pronto-socorro com porta aberta. O atendimento ocorrerá de forma 100% regulada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme o Ministério da Educação.

Na prática, isso significa que os pacientes chegarão à unidade por meio do:

  • Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu);
  • centrais de regulação;
  • encaminhamentos organizados dentro da rede pública.

As exceções serão:

  • urgências obstétricas;
  • pacientes oncológicos em tratamento na própria unidade.

A definição busca evitar superlotação e manter o hospital dentro do perfil universitário e regional de atendimento especializado.

Funcionamento ampliado em quatro fases

A operação do hospital ocorrerá de forma escalonada ao longo de aproximadamente um ano.

1ª fase: junho a agosto de 2026

  • 41 leitos
  • 195 profissionais
  • foco em atendimento clínico e ambulatorial

2ª fase: setembro a novembro de 2026

  • 91 leitos
  • 538 trabalhadores
  • início de cirurgias e UTI adulto

3ª fase: dezembro de 2026 a fevereiro de 2027

  • 122 leitos
  • 733 trabalhadores
  • ampliação da pediatria e início de exames como tomografia

4ª fase: março a maio de 2027

  • 198 leitos
  • 1.096 trabalhadores
  • entrada da hemodinâmica e da linha materno-infantil completa