Ex-prefeito de Patos de Minas minimizou especulações sobre recuo, criticou a infraestrutura do estado e defendeu diálogo federativo para resolver a dívida mineira
O ex-prefeito de Patos de Minas e pré-candidato a vice-governador, Luís Falcão (Republicanos), reafirmou, nesta quinta-feira (25/6) ao PORTAL GERAIS, que tem convicção na aliança construída ao lado do senador Cleitinho Azevedo para a disputa ao Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. Em agenda realizada na região Centro-Oeste do estado nesta quinta-feira (25), Falcão minimizou os boatos de bastidores sobre uma eventual desistência do parlamentar e garantiu que o planejamento do grupo segue estruturado para ir até o fim da corrida eleitoral.
De acordo com o pré-candidato, o desenho da chapa majoritária e as diretrizes do plano de governo vêm sendo amadurecidos de forma conjunta desde o fim do ano passado. Falcão classificou os rumores de trocas na composição ou recuos partidários como movimentos normais do calendário político, mas ressaltou que o martelo será batido de forma oficial durante as convenções partidárias, agendadas para ocorrer entre o final de julho e o dia 15 de agosto.
Críticas às rodovias e cobrança por infraestrutura
Ao justificar a necessidade do projeto liderado pelo Republicanos, Luís Falcão apresentou duras críticas à atual situação da malha rodoviária estadual e argumentou que Minas Gerais vem perdendo espaço no cenário nacional de desenvolvimento econômico.
O político utilizou dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) para alertar sobre o sucateamento logístico. “Essa é a realidade: 65% das estradas hoje de Minas Gerais estão em condições ruins ou até precárias. O nosso estado precisa se equiparar e avançar em relação a outros estados, porque a gente vê hoje Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Goiás avançando em infraestrutura, educação e tecnologia, e nós estamos ficando para trás”, disparou.
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Visão sobre a Recuperação Fiscal e a dívida do Estado
Questionado sobre os temores de assumir um Executivo pressionado pelo Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e pelo endividamento bilionário, Falcão ironizou o discurso de grupos políticos tradicionais. Para ele, é curioso que os mesmos agentes que aprofundaram a crise e trouxeram o Estado até a atual situação tentem emplacar a narrativa de que são os únicos capazes de resolver o problema.
Diante desse cenário, o ex-prefeito defendeu um choque de realidade focado em resultados práticos e, principalmente, no fim do isolamento político com o Palácio do Planalto. Segundo ele, o governo mineiro atual não dialoga com a esfera federal, o que prejudica a busca por soluções conjuntas para a reestruturação das estradas e para o equacionamento da própria dívida. Ele destacou a urgência de se retomar o diálogo federativo técnico e político de forma madura, independentemente de quem ocupe a presidência da República, visando resgatar a capacidade de investimento de Minas Gerais e estruturar obras em parceria, já que a população anseia por soluções e não por discussões retroativas sobre a paternidade do rombo fiscal.
Falcão também traçou um paralelo com a sua experiência no Executivo de Patos de Minas, ponderando que, proporcionalmente, os municípios operam com orçamentos muito mais enxutos do que o Estado e, ainda assim, conseguem entregar melhores índices de aprovação popular. O pré-candidato lembrou que a aprovação média dos prefeitos mineiros gira em torno de 75%, enquanto o Governo de Minas e a Presidência da República amargam índices inferiores a 50%, o que demonstra que as prefeituras estão gerando mais resultados com menos recursos. Para ele, essa mentalidade prática e focada na eficiência administrativa é o modelo ideal que precisa ser transportado para a gestão do governo estadual.
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Liderança nas pesquisas e cenário partidário
Embora tenha se colocado à inteira disposição do Republicanos caso Cleitinho decida não encabeçar a chapa, Luís Falcão enfatizou que o projeto é totalmente focado no nome do senador, a quem demonstrou profundo respeito político.
O pré-candidato a vice também analisou o impacto das recentes divisões internas no Partido dos Trabalhadores (PT) e as indefinições sobre o lançamento de uma candidatura própria ou o posicionamento do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil. Para Falcão, as movimentações adversárias alteram a dinâmica do xadrez eleitoral, mas não abalam o favoritismo do seu aliado.
“O que não está mudando é o patamar de liderança do senador Cleitinho. Em todas as pesquisas ele sai com 40% ou mais, ou próximo de 40%, e sem declarar que é candidato. Então, acho que a gente tem que se preocupar mais com o nosso projeto e menos com os adversários. É bom para a democracia que a gente tenha mais opções”, concluiu.




