Fazenda reduz projeção da inflação de 4,9% para 4,8% este ano

Minas Gerais
Por -12/09/2025, às 06H20setembro 12th, 2025
Segunda parcela do décimo terceiro deve ser paga até hoje
Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

Estimativa de crescimento do PIB também caiu: de 2,5% para 2,3% em 2025.

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda reduziu de 4,9% para 4,8% a projeção da inflação deste ano, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os dados constam do Boletim Macrofiscal, divulgado nesta quinta-feira (11).

De acordo com a SPE, a revisão é resultado do excesso de oferta de bens no mercado global, reflexo do aumento das tarifas comerciais, especialmente o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Também contribuíram para a redução a queda da inflação no atacado agropecuário e industrial, além dos efeitos do real mais valorizado. A estimativa considera ainda bandeira amarela para a energia elétrica em dezembro.

Mesmo com o recuo, o IPCA segue projetado acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite superior é 4,5%, enquanto a previsão atual chega a 4,8%.

Para 2026, a expectativa é de que a inflação caia para 3,6%, convergindo para o centro da meta a partir de 2027.

PIB em desaceleração


O boletim também revisou para baixo a estimativa de crescimento da economia em 2025, de 2,5% para 2,3%. A revisão está associada ao resultado mais fraco do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, em relação ao projetado em julho, refletindo os efeitos da política monetária restritiva sobre crédito e atividade.

Segundo a SPE, a taxa básica de juros em 15% ao ano desacelerou as concessões de crédito, que caíram de 10,5% no trimestre encerrado em dezembro de 2024 para 2,4% no trimestre até julho deste ano. A atividade econômica também perdeu ritmo, passando de crescimento de 1,3% no primeiro trimestre para 0,4% no segundo, com queda na indústria, na construção e nos serviços da administração pública.

Pela ótica da demanda, houve desaceleração no consumo das famílias e recuo nos investimentos e no consumo do governo. Com isso, a projeção do PIB da indústria caiu de 2% para 1,4%, enquanto a de serviços foi mantida em 2,1%. Já o PIB agropecuário foi revisado para cima, de 7,8% para 8,3%, puxado pela maior produção de milho e algodão e pelo aumento do abate de bovinos.