Feminicídio: 33 pessoas estavam em micro-ônibus atingido por carro de Henay Amorim na MG-050

Minas Gerais
Por -17/12/2025, às 18H42dezembro 17th, 2025
ACIDENTE MG 050
Foto: Divulgação/PMRv

Empresa lamenta o ocorrido e destaca investigações que apuram conduta de Alison Mesquita, apontado como suspeito de feminicídio e responsável pelo acidente

Trinta e três pessoas estavam no micro-ônibus atingido pelo carro de Henay Amorim, de 31 anos, na rodovia MG-050. As investigações da Polícia Civil de Minas Gerais indicam que Alison de Araújo Mesquita, de 43 anos, matou a companheira antes da colisão e provocou o acidente para ocultar o crime de feminicídio. Nenhum dos passageiros sofreu ferimento.

A empresa proprietária do micro-ônibus, a Vilela Tur, emitiu nota nesta quarta-feira (17/12) lamentando o episódio que resultou na morte de Henay Amorim.

No comunicado, a empresa destacou as investigações que apuram a conduta atribuída a Alison, uma vez que o acidente colocou em risco o motorista e os passageiros do veículo.

“No que se refere ao acidente envolvendo o micro-ônibus de sua propriedade, esclarece-se que os fatos se encontram em fase de investigação pelas autoridades responsáveis, inclusive quanto à eventual conduta individual atribuída a terceiro, considerando-se os danos apurados e o fato de que havia 33 pessoas a bordo no momento do ocorrido”, afirmou a empresa.

Micro-ônibus envolvido em acidente: Vilela Tur adota providência administrativas e jurídicas

A Vilela Tur informou ainda que o veículo se encontrava em condições regulares de uso, manutenção e circulação, em conformidade com a legislação vigente. Segundo a empresa, até o momento, não há qualquer elemento que indique falha operacional, técnica ou responsabilidade da companhia.

A nota reforça que a empresa vem colaborando de forma integral, contínua e transparente com as autoridades, respeitando os limites legais e colocando-se à disposição para fornecer informações e documentos formalmente requisitados. Além disso, afirmou adotar todas as providências administrativas e jurídicas cabíveis, sem prejuízo da apuração regular dos fatos.

“A empresa reafirma seu compromisso institucional com a defesa da vida, repudia qualquer forma de violência e confia na atuação das autoridades e do Poder Judiciário, reforçando a necessidade de que episódios de violência contra a mulher sejam tratados com a seriedade, o rigor e a responsabilidade que o tema exige”, conclui o comunicado.

Acidente na MG-050 em Itaúna e a reviravolta para feminicídio

O acidente ocorreu por volta das 6h05 de domingo (14/12), no km 90 da MG-050. Um VW T-Cross cruzou a pista contrária em um trecho de curva e atingiu transversalmente o micro-ônibus que seguia no sentido oposto.

Inicialmente, acreditava-se que Henay Amorim havia morrido em decorrência da colisão. Alison de Araújo Mesquita sofreu fratura na clavícula e recusou atendimento hospitalar. No entanto, a investigação policial aponta que Henay já estava morta entre uma e duas horas antes do acidente.

Imagens de câmeras de segurança mostram o casal passando por uma praça de pedágio em Itaúna, com a vítima desacordada no banco do motorista e Alison conduzindo o veículo pelo banco do passageiro.

O empresário confessou que bateu a cabeça de Henay contra o interior do carro e a enforcou até que ela desfalecesse durante o trajeto entre Belo Horizonte até o momento do acidente. Ele nega ter provocado o acidente para ocultar o feminicídio, versão apresentada à polícia na terça-feira (16/12), mas refutada pelas investigações.

Em depoimento, Alison afirmou que Henay teria acordado, o ameaçado de morte e, assim, jogado o carro contra o micro-ônibus. A Polícia Civil descartou essa versão.

Imagens do pedágio mudam investigação

A atuação de uma agente de pedágio da MG-050 foi decisiva para a reviravolta no caso. A funcionária percebeu inconsistências no comportamento do homem e no estado da mulher durante a passagem do veículo.

Diante da situação atípica, ela seguiu o protocolo da concessionária, fez perguntas objetivas e acionou o Centro de Controle de Operações (CCO). As imagens do circuito interno foram encaminhadas a um policial militar, que comunicou a família da vítima.

A partir desse contato, os familiares acionaram a Polícia Civil, dando início às investigações que resultaram na apuração do crime de feminicídio.