Candidato a deputado federal pelo Republicanos, Gleidson Azevedo também fala sobre recursos para municípios, segurança pública e mineração em entrevista ao Portal Gerais
Por Heloisa De Tofoli
O ex-prefeito de Divinópolis e candidato a deputado federal pelo Republicanos, Gleidson Azevedo, participou, nesta quarta-feira (9/9), de entrevista ao Portal Gerais e apresentou propostas para a campanha das Eleições 2026. Entre os principais assuntos, ele falou sobre a distribuição de recursos para os municípios, segurança pública, mineração, jogos de aposta e a escala de trabalho 6×1.
Além disso, durante a entrevista, Gleidson (Republicanos) destacou a articulação política do Centro-Oeste de Minas e defendeu uma maior representação da região no Congresso Nacional.
Diminuição de emendas parlamentares
Inicialmente, Gleidson falou sobre a experiência de dois mandatos como prefeito de Divinópolis e diz que fez tudo que queria como prefeito.
“Eu acredito com toda humildade que eu não deixei de fazer tudo o que eu queria. Eu quero é continuar fazendo, porque Divinópolis, por mais que você faz, como é uma cidade, todo dia tem problemas. Eu quando era prefeito eu dependia muito dos outros deputados para poder mandar recurso. Agora não, eu vou ter o recurso para poder destinar nos locais que ficou faltando”
A partir disso, afirmou que pretende levar uma visão municipalista para o Congresso. Segundo ele, uma das principais dificuldades enfrentadas pelas prefeituras está na dependência de recursos externos para realizar investimentos.
“A gente só muda a história do país dentro da cidade e hoje, infelizmente, 90% dos municípios do Brasil são totalmente dependentes de verbas parlamentares. Às vezes, só as cidades da capitais, como tem um orçamento muito grande, eles conseguem fazer obras com recurso próprio.”
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Nesse sentido, o candidato defendeu uma mudança na forma como os recursos públicos chegam aos municípios. Para ele, parte dos valores atualmente destinados por meio de emendas parlamentares deveria permanecer diretamente nas cidades.
“Eu quero falar no Congresso para ver se a gente acaba com essas emendas parlamentares, para que os recursos que sejam adquiridos pelos pagadores de imposto, possa ficar nos municípios e o executivo, sim, tomar conta desses recursos e executado de uma maneira que possa atingir mais a população e de uma forma mais justa.”
Ainda de acordo com Gleidson, a concentração dos recursos nas mãos de parlamentares pode favorecer interesses eleitorais. Por isso, ele afirmou que pretende defender uma mudança constitucional para ampliar a autonomia financeira dos municípios.
Da mesma forma, ao falar sobre as prioridades para Divinópolis, o candidato citou regiões que ainda precisam de investimentos. Ele afirmou que, caso eleito, pretende destinar recursos para bairros mais afastados e para as estradas rurais.
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Mineração e meio ambiente
Outro tema abordado durante a entrevista foi a mineração. Questionado sobre a exploração mineral em Minas Gerais e os riscos ambientais, Gleidson defendeu a continuidade da atividade econômica, mas com maior fiscalização.
“Aquilo que as empresas têm que explorar, tem que ser explorado, porque gera um capital, gera recurso, gera emprego, mas tem que ter uma responsabilidade junto ao governo de Estado, aos municípios, para poder fiscalizar e, cada vez mais, a gente poder preservar o meio ambiente.”
Segurança pública
Na sequência, Gleidson falou sobre segurança pública. Na área, ele defendeu a valorização dos profissionais e mudanças na legislação.
“Para mim, o principal é a valorização deles hoje, o que mais precisa. Mas o principal também é a gente mudar a Constituição e mudar essas leis. Porque hoje, infelizmente, o corrupto, o bandido, ele faz o que quer, passa um ano, dois anos e está livre de novo.”
Além disso, o candidato afirmou que pretende defender penas mais rígidas para crimes considerados graves.
“Esses crimes mais hediondos tem que ter prisão perpétua”
Ainda nesse contexto, Gleidson declarou apoio à redução da maioridade penal. Para ele, adolescentes que cometem crimes devem responder pelos atos praticados.
Receba a notícia no seu celular. Participe do nosso grupo de WhatsApp“Se ele está com essa responsabilidade de fazer o que ele quer, ele tem que pagar pelos atos deles. E eu sou a favor, sim”
Candidato é contra as BETs
Por outro lado, ao falar sobre as plataformas de apostas online, conhecidas como BETs, Gleidson afirmou ser contrário à atividade.
Em julho de 2026, a Lei nº 15.480 estabeleceu uma destinação gradual de até 3% dos valores arrecadados pelas plataformas de apostas para o aparelhamento da Polícia Civil. Ao comentar essa possibilidade, Gleidson defendeu que não basta regulamentar ou destinar apenas uma parcela dos recursos. Para ele, os jogos de aposta devem ser encerrados no país.
“A gente tem que matar o mal pela raiz. Não adianta nem ter 3%, tem que acabar com tudo.”
Escala 6×1
Outro ponto discutido foi a escala de trabalho 6×1. Gleidson declarou apoio ao fim desse modelo. Caso a proposta não avance ainda em 2026, ele afirmou que pretende apresentar ou apoiar medidas para substituir a escala 6×1 pela 5×2.
No entanto, o candidato defendeu que uma eventual mudança também considere os impactos para empresas e trabalhadores. Segundo ele, a redução da jornada precisa vir acompanhada de medidas para diminuir custos e preservar o poder de compra da população.
“Eu sou a favor de acabar com essa escala 6 por 1, de diminuir ela para 5 por 2, mas também eu vou apresentar projeto de lei que tem que ter uma conta partida para os empresários, para as indústrias.”
Da mesma forma, Gleidson defendeu a redução da carga tributária para empresas. Além disso, afirmou que o debate precisa considerar a renda dos trabalhadores e o custo de vida.
“Vão subir os preços das mercadorias, dentro do supermercado, então a gente tem que ter uma conta partida para os empresários. Eu estarei lá para poder acabar com essa escala, mas também conta partida, fazer de tudo para poder diminuir a carga tributária dos empresários.”
“O que adianta você estar descansado, mas você quer descansar para ir para um shopping, para poder ir para um clube, e aí financeiramente você não tem dinheiro para poder fazer isso. Por isso que esse tipo de pauta, um tipo de projeto desse, tem que ter responsabilidade”, afirmou o candidato.
Representatividade do Centro-Oeste
Durante a entrevista, Gleidson também criticou o apoio de lideranças de Divinópolis a candidatos de outras cidades. Segundo ele, alguns políticos locais preferem receber dinhero de candidatos de outras localidades, a apoiar os da cidade.
Além disso, Gleidson defendeu que os eleitores considerem as chances reais de eleição dos candidatos locais, já que, segundo ele, a votação de Divinópolis não é suficiente para garantir uma vaga na Câmara dos Deputados.
Disputa pelo governo de Minas
Gleidson também defendeu a concentração de apoio em Cleitinho na disputa pelo governo de Minas. Segundo ele, a divisão de votos entre candidatos do mesmo campo político pode dificultar uma vitória no primeiro turno.
“Se a direita está falando que realmente quer ganhar, que quer tirar o PT, eles têm que apoiar o Cleitinho. Porque é número, você não discute. Hoje o Cleitinho lidera disparado as pesquisas.”
Nesse contexto, o candidato citou o desempenho de Flávio Roscoe (PL) nas pesquisas e avaliou que o PL poderia reconsiderar a candidatura. Questionado sobre o apoio de Domingos Sávio a Cleitinho, Gleidson afirmou que não sabe se outros nomes seguirão o mesmo caminho, mas defendeu que o partido tenha “humildade de recuar” caso queira ampliar as chances de vitória em Minas.




