Gleidson Azevedo ignora emendas milionárias

Política
Por -05/02/2026, às 08H41fevereiro 6th, 2026
gleidson, laiz e zema
Foto: Divulgação

Prefeito de Divinópolis ignora R$ 8,5 milhões em emendas, Laiz Soares redesenha o próprio caminho político e Zema avança na entrega do Hospital Regional em meio à disputa pela unificação da direita em Minas Gerais.

jornalista amanda quintiliano

O prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), ignorou os R$ 8,5 milhões em emendas individuais destinadas pela deputada estadual Lohanna França (PV). Pelo jeito, o dinheiro não faz diferença nas contas da prefeitura.

O prefeito tiktoker, em um vídeo que teve mais o intuito de provocação do que de instrução, a colocou no balaio dos “forasteiros”. Ou seja, daqueles políticos que vêm de fora, levam votos e não fazem nada pela cidade.

Com o objetivo que o move, ter engajamento nas redes sociais, listou nomes de parlamentares que destinaram recursos. Ao mesmo tempo, ignorou o dinheiro já enviado pela parlamentar. Entre 2023 e 2025, a deputada destinou R$ 8,5 milhões para Divinópolis. Em 2025, conforme o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), considerando apenas as emendas individuais, ela destinou R$ 4 milhões.

O curioso é que Gleidson ignorou o “forasteiro mor”, o deputado federal Nikolas Ferreira, que arrancou mais de 20 mil votos e não destinou um centavo em emendas individuais para Divinópolis.

Vídeo de conveniência que, ao invés de promover o voto consciente em quem trabalha para a cidade, tenta tirar votos e valorizar forasteiros ao omitir informações reais.

Que tal o prefeito, publicamente, abrir mão das emendas indicadas pela parlamentar?

Pra que lado ela vai?

Como divulgado em primeira mão pelo PORTAL GERAIS, após três eleições, Laiz Soares (sem partido) decidiu não disputar nenhuma vaga nas eleições deste ano. A justificativa é que o partido em que estava, o PSD, não cumpriu um acordo que, dentre os entendimentos, previa apoio na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Laiz compartilhou um vídeo que explica a decisão. Afirmou que se dedicará à carreira corporativa. Ao mesmo tempo, sinalizou que não ficará totalmente de fora do pleito. “Não significa me afastar da vida pública”. Ao que parece, ela espera aproveitar o capital político para apoiar algum candidato. Ela não fala em nomes. Mas alguns já são ventilados nos bastidores.

Ao dizer que abriu a mente para “pessoas que pensam diferente” e “novos grupos políticos”, ela também sinaliza possibilidades. Até pouco tempo, ela tinha a deputada estadual Lohanna França (PV) como “madrinha política”. A parlamentar a apoiou como candidata a prefeita nas últimas eleições.

Ao dizer em “nomes da região”, Laiz restringe um pouco os apoios, já que a lista dos mais prováveis não é tão extensa. No campo progressista, a disputa deve se concentrar entre Lohanna e a secretária nacional do PT, Gleide Andrade, por uma cadeira na Câmara Federal.

Ao falar em novos grupos, há o campo da direita comandado na região pelo clã Azevedo, ou seja, Gleidson, Cleitinho e Eduardo, que, respectivamente, aparecem como pré-candidatos a deputado federal, ao Governo de Minas e a deputado estadual. Uma mudança drástica, mas não improvável na política.

Outros nomes da região também pavimentam possíveis candidaturas, mas nenhum com relação próxima a Divinópolis, cidade natal de Laiz. Abrir portas para os chamados “paraquedistas” ou “forasteiros” poderia ser bem arriscado para quem ainda não descartou de vez a vida pública.

Zema em Divinópolis

Como também antecipado com exclusividade pelo PORTAL GERAIS, o governador Romeu Zema (Novo) vem a Divinópolis para a entrega oficial do Hospital Regional à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). A visita agora tem data: terça-feira (10/2). Os opositores podem ficar contrariados, mas a verdade é que Zema cumpriu a promessa de campanha e está entregando não só o do Centro-Oeste de Minas, como unidades de outras regiões.

Quase 15 anos após a “pedra fundamental”, o funcionamento do hospital parece estar mais próximo. Ao fazer a “inauguração simbólica”, Zema transfere oficialmente a responsabilidade ao governo federal, a quem caberá colocar a unidade, que funcionará como Hospital Universitário, em operação.

Ainda não há um cronograma oficial de abertura divulgado pelo Ministério da Educação nem pela Ebserh. Até agora, o que se sabe é que a abertura ocorrerá em três etapas e a expectativa é de que a primeira ocorra ainda neste semestre.

Morde e assopra

A visita de Zema a Divinópolis deve ter a presença do vice-governador Mateus Simões (PSD) e soa como mais um sinal de aproximação com os Azevedos. Aliados políticos, a relação de “morde e assopra” já vem se arrastando há um bom tempo. Essa é a segunda visita oficial do governador à cidade natal do senador Cleitinho (Republicanos). Na primeira, a ausência do prefeito Gleidson Azevedo (Novo) não passou despercebida.

Simões tenta pavimentar a candidatura ao Governo de Minas e sabe que, para isso, precisa da unificação da direita em Minas. Em resumo, Cleitinho precisa recuar e apoiá-lo. A construção dessa unificação também passa pelo PL, que já deu sinais, mas quer que Zema recue da candidatura à Presidência da República e aceite compor chapa com Flávio Bolsonaro.

O governador, no entanto, tem sustentado a pré-candidatura e afirmado que a levará até o fim.

Enquanto as peças do tabuleiro se movimentam, tudo é visto como sinais e recuos. Uma coisa é certa: o futuro político de Minas passa por decisões tomadas em Terras Divinas.

*Coluna publicada às terças e quintas-feiras. Acompanhe aqui.