Gleidson não sancionará reajuste dos vereadores e nem vetará

Política
Por -23/12/2025, às 14H26dezembro 26th, 2025
prefeito de divinópolis gleidson azevedo (2)
Foto: Amanda Quintiliano

Prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo afirma em vídeo que é contra o aumento de 42% no salário dos vereadores

O prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), se posicionou publicamente contra o reajsute de 42% no salário dos vereadores, aprovado pela Câmara Municipal para a próxima legislatura. Em vídeo divulgado nas redes sociais, nesta terça-feira (23/12), o chefe do Executivo afirmou que não vai sancionar a lei e rebateu críticas de que teria se beneficiado do reajuste.

“Eu quero deixar bem claro aqui que eu sou totalmente contra, e eu não vou sancionar essa lei”, declarou o prefeito.

Prefeito diz que não “fica em cima do muro”

No vídeo, Gleidson afirmou que decidiu se manifestar após ser novamente questionado pela população sobre o tema. Conforme ele, tentam envolvê-lo em uma decisão que cabe exclusivamente ao Legislativo.

“Eu tô aqui pra poder me posicionar mais uma vez, porque eu não fico em cima do muro”, disse.

O prefeito também negou que tenha votado ou articulado qualquer reajuste para o próprio salário. “Os poderes são totalmente independentes. Essa ação da Câmara é da mesa diretora”, afirmou, reforçando que cada poder deve responder por seus atos.

“Tenho moral para falar”, afirma Gleidson

Durante a fala, o prefeito citou medidas de austeridade adotadas desde o início do mandato para justificar sua posição contrária ao aumento.

“Eu tenho moral para poder falar, porque eu tenho austeridade com a máquina pública”, disse. Em seguida, listou decisões como abrir mão de carro oficial à disposição, cartão corporativo e reembolso de viagens, afirmando que utiliza recursos próprios nessas situações.

Aumento aprovado para a próxima legislatura

Os vereadores aprovaram o reajuste que eleva o subsídio mensal de R$ 12.225,59 para R$ 17.387,30, válido para a legislatura de 1º de janeiro de 2029 a 31 de dezembro de 2032. Além do novo valor, o texto garante 13º salário, revisão anual pelo INPC e desconto proporcional em caso de faltas injustificadas.

A medida não produz efeitos imediatos e só entra em vigor na próxima legislatura.

Justificativa cita pandemia e inflação

Na justificativa do projeto, os autores sustentam que não se trata de aumento real, mas de recomposição. Em 2020, durante a pandemia de Covid-19, os parlamentares aprovaram uma redução de 25% no subsídio.

O texto afirma que “não se propõe um aumento real da remuneração dos Vereadores, mas apenas a restituição do subsídio ao status anterior à sua redução por exigência de calamidade em saúde”. Ainda segundo a justificativa, o reajuste busca preservar o valor da remuneração diante da inflação acumulada e adequá-la às responsabilidades do cargo.

Veto deve ser derrubado, diz prefeito

Ao final, Gleidson explicou por que não pretende vetar formalmente o projeto, mesmo sendo contra.

“Eles já avisaram que, se eu vetar, eles vão derrubar meu veto. Então a minha caneta, pra isso, não vale nada. Mas a minha caneta vale quando é uma ação da prefeitura”, concluiu.

Quando o prefeito não sanciona nem veta um projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal dentro do prazo legal, o presidente da Câmara Municipal tem o dever de promulgá-lo para que se torne lei.