Golpe do sósia usa comparação facial para tentar burlar biometria

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Por -06/09/2026, às 11H21setembro 6th, 2026
Pessoa usando celular enquanto sistema de reconhecimento facial é testado contra o golpe do sósia
© Pixabay

O golpe do sósia usa tecnologia de comparação facial para achar pessoas parecidas com os próprios criminosos e tentar driblar a biometria em cadastros e abertura de contas; a Serasa Experian identificou o método no Mapa da Fraude do primeiro semestre de 2026.

A tática inverte a lógica mais comum desse tipo de crime. Em vez de partir dos dados de uma vítima já escolhida, o fraudador começa pelo próprio rosto, cruza imagens em diferentes bases – inclusive as obtidas de forma ilícita – e busca uma identidade legítima com alta semelhança física para usar na fraude.

Como o golpe do sósia tenta passar pela validação

Os motores de comparação facial conseguem localizar identidades com grau elevado de semelhança. A partir daí, o criminoso escolhe a que considera mais fácil de vencer em uma checagem biométrica. A empresa diz que o reconhecimento facial não deve funcionar sozinho, porque outros sinais ajudam a flagrar inconsistências que o rosto, isoladamente, não mostra.

Entre esses sinais estão validação de documentos, prova de vida, conferência de dados cadastrais, análise do dispositivo usado, identificação de padrões de comportamento e outros indícios de risco. Para Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, “a nova tática demonstra como os criminosos também podem explorar tecnologias desenvolvidas para aumentar a segurança.”

As tentativas barradas e o prejuízo evitado

No primeiro semestre de 2026, as soluções antifraude da Serasa Experian identificaram e barraram 2,86 milhões de tentativas de fraude de identidade. O volume cresceu 32,9% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a empresa, isso equivale a uma ocorrência de alto risco a cada 5,5 segundos.

As tentativas bloqueadas estavam associadas a um prejuízo estimado em R$ 3,77 bilhões que teria sido evitado no período. A orientação para consumidores é reduzir a exposição de documentos, fotos e dados biométricos: não compartilhar imagens em redes sociais ou aplicativos de mensagem; usar só sites e aplicativos oficiais; proteger celular e aplicativos com senhas fortes e autenticação em dois fatores; desconfiar de pedidos inesperados por links, e-mails, mensagens ou Códigos QR; não deixar desconhecidos fotografarem rosto ou documentos; evitar publicar imagens de documentos mesmo com parte das informações ocultada; manter sistemas e aplicativos atualizados; monitorar regularmente o CPF; e procurar os canais oficiais das empresas diante de movimentações desconhecidas.

Empresas precisam combinar camadas

Para as empresas, a recomendação é montar uma prevenção em camadas para que uma única imagem ou informação não baste para concluir um cadastro. A Serasa Experian orienta combinar biometria facial e prova de vida; validação e análise documental; cruzamento de dados cadastrais; análise do dispositivo e da jornada digital; monitoramento de tentativas repetidas; identificação de padrões suspeitos; e atualização contínua das regras e dos modelos antifraude.

A análise conjunta desses elementos pode ajudar a detectar situações em que o rosto tem alta similaridade, mas outros dados da operação apontam tentativa de fraude. As informações são da Agência Brasil.