Governo Federal reduz em 98% o garimpo ilegal na Terra Yanomami

Minas Gerais
Por -11/08/2025, às 09H56agosto 11th, 2025
Agência Gov | Via Casa Civil

Operações integradas já causaram R$ 477 milhões em prejuízo a criminosos e apreenderam maior carga de ouro da história da PRF

A ofensiva do Governo Federal contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami (TIY) alcançou resultados históricos. Entre 2023 e 2025, as ações integradas já somam 6.425 operações, com prejuízo superior a R$ 477 milhões às organizações criminosas. A área de garimpo foi reduzida em 98% e estruturas permanentes começam a ser inauguradas para fortalecer a proteção das comunidades.

Operações e resultados expressivos

Coordenada pela Casa Civil e criada em fevereiro de 2024, a Casa de Governo reúne dezenas de órgãos federais em ações simultâneas de combate, fiscalização e apoio humanitário. Apenas na última semana, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou a maior apreensão de ouro da sua história: 138 quilos avaliados em R$ 82,2 milhões, encontrados próximo a Boa Vista (RR).

O trabalho inclui a destruição de 627 acampamentos, 207 embarcações, 101 balsas e 29 aeronaves. Além disso, mais de 112 mil litros de diesel e 12 mil litros de gasolina foram inutilizados, assim como 59 pistas clandestinas.

Segundo a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, o avanço representa “um marco histórico, com garantia de saúde, diálogo e segurança para os povos indígenas e a população de Roraima”.

Estrutura permanente e reconstrução das comunidades

Em breve, o Governo Federal vai inaugurar um polo de saúde em Surucuru, o Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDHYY) e o Centro de Atendimento Integrado à Criança Yanomami e Ye’kwana (CAICYY). Essas iniciativas, aliadas à retomada de cultivos tradicionais, reforçam a autonomia alimentar das aldeias.

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, ressalta que “depois de quatro anos de omissão, avançamos na proteção dos povos Yanomami, Ye’kwana e Sanöma, recuperando dignidade e segurança”.

Contexto da crise

Entre 2021 e 2022, a TI Yanomami viveu uma grave crise humanitária. O avanço do garimpo ilegal resultou em aumento de casos de malária, COVID-19, desnutrição e contaminação por mercúrio. A invasão também provocou conflitos, violência sexual e a fuga da fauna, dificultando caça e pesca.

Levantamentos indicam que, até 2020, cerca de 2.400 hectares haviam sido degradados, número que cresceu rapidamente nas bacias dos rios Uraricoera, Mucajaí, Catrimani e Parima. A ausência de fiscalização transformou o garimpo numa atividade de médio porte, com infraestrutura permanente cenário revertido agora com operações estruturadas e presença constante do Estado.