Grupo desce Rio Itapecerica de caiaque e cobra solução para esgoto em Divinópolis

Minas Gerais
Por -14/05/2026, às 09H08maio 14th, 2026
expedição rio pará vivo 2026 no rio itapecerica
Foto: Divulgação

“Desde 2010 Divinópolis fala que está fazendo o tratamento”, diz presidente do CBH Pará durante Expedição Rio Pará Vivo; Análise comprova contaminação do Rio Itapecerica, o mairo afluente do Rio Pará

A Expedição Rio Pará Vivo 2026 chegou a Divinópolis nesta quarta-feira (13/5) e colocou novamente em evidência a grave situação ambiental do Rio Itapecerica, principal afluente urbano do Rio Pará. Durante a passagem pela cidade, o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pará (CBH Pará), José Hermano Franco, fez duras críticas à demora na implantação de soluções definitivas para o tratamento de esgoto no município.

“Desde 2010, Divinópolis vem falando o que está fazendo, o que está fazendo, e a gente está vendo a mesma situação”, afirmou durante entrevista concedida ao PORTAL GERAIS às margens do rio.

Promessa antiga, a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) ainda não está concluída pela Copasa. Atualmente, apenas cerca de 10% do esgoto de Divinópolis é tratado. Em outubro do ano passado, a companhia falou em investimento de R$ 307 milhões para universializar o esgoto na cidade até este ano e tratar o esgoto despejado no Rio Itapecerica, que corta cerca de 29 quilômetros no perímetro urbano.

A expedição percorre cidades cortadas pelo Rio Pará com o objetivo de chamar atenção para a preservação dos recursos hídricos e para os impactos ambientais provocados pela poluição. Em Divinópolis, os participantes chegaram navegando pelo Rio Itapecerica, considerado um dos principais pontos críticos da bacia.

Segundo José Hermano, a proposta da ação vai além da análise da água.

“O rio é mais do que só a água que passa dentro. Tem ribeirinho, tem gente que mora perto, tem cultura, tem muita coisa em volta de um rio”, destacou.

“Só de precisar usar roupa especial já mostra que há algo errado”

Durante a expedição, integrantes utilizaram roupas especiais para evitar contato direto com a água contaminada do Itapecerica. De acordo com o presidente do CBH Pará, a necessidade do equipamento demonstra a gravidade da situação ambiental.

“Só da gente precisar usar uma roupa dessa para navegar num rio, ou seja, evitar contato com a água, tem alguma coisa muito errada”, declarou.

Ele afirmou ainda que a recuperação do rio depende da conclusão de interceptores de esgoto e da ampliação do tratamento realizado no município.

“O que precisa é terminar de fazer interceptores e começar a colocar a ETE para funcionar e aumentar o tratamento o tempo todo”, disse.

Análise confirma contaminação por esgoto no Rio Itapecerica

Uma análise da qualidade da água realizada durante a passagem da expedição em Divinópolis confirmou a presença intensa de esgoto no Rio Itapecerica. O teste foi conduzido pelo professor da Universidade do Estado de Minas Gerais, Adriano Parreira.

O resultado reforçou um cenário já conhecido pela população: a água do rio apresenta forte contaminação por resíduos e esgoto doméstico.

CBH aponta impacto ambiental e riscos à população

Durante a entrevista, José Hermano alertou que os impactos da poluição vão além do meio ambiente e atingem diretamente a saúde pública.

“Se isso impacta o pescador que está lá embaixo e não sabe, o peixe vai para a mesa de alguém. Se essa água é jogada em uma horta, isso volta para a mesa de alguém”, afirmou.

Ele também criticou a falta de prioridade dada ao saneamento básico pelos municípios cortados pelo Rio Pará.

“Bem poucas cidades fazem o dever de casa. Duas ou três no máximo”, comentou ao citar os 34 municípios atendidos pela bacia.

Segundo ele, além da necessidade de investimentos, falta pressão popular para acelerar as soluções.

“A gente acha que falta vontade política e falta a população ajudar a cobrar”, disse.

Prefeitura destaca avanços e fiscalização

O secretário municipal de Meio Ambiente de Divinópolis, Danilo Teixeira Moraes, reconheceu os desafios, mas afirmou que o município ampliou o tratamento de esgoto nos últimos anos.

“Esse tratamento mais do que dobrou nos últimos cinco anos. Se as outras gestões tivessem feito com o mesmo afinco, talvez hoje já teríamos 100% do rio despoluído”, declarou.

Ele também ressaltou que o descarte irregular de resíduos continua sendo um dos principais problemas enfrentados pelo município.

“Tem sacolinha que vai parar dentro do rio, tem esgoto lançado irregularmente, mesmo a Copasa tendo o serviço, mas a pessoa não faz a ligação”, explicou.

Projeto piloto vai instalar soluções sanitárias em comunidade rural

A parceria entre o CBH Pará e a Prefeitura de Divinópolis também prevê ações práticas na zona rural do município. Um acordo firmado entre as instituições permitirá a implantação de 44 soluções de esgotamento sanitário na comunidade de Branquinhos.

Conforme a secretária municipal de Agronegócios, Cláudia Santana, o projeto será executado pelo Instituto Peixe Vivo.

“Hoje, dentro de Divinópolis, se trata de um projeto piloto”, afirmou.

De acordo com o CBH Pará, o investimento na iniciativa chega a R$ 1 milhão.

Expedição Rio Pará Vivo segue por cidades da bacia

Antes de chegar a Divinópolis, a Expedição Rio Pará Vivo já havia passado por Resende Costa, Passa Tempo e Carmo do Cajuru.

Agora, a equipe segue viagem por Pitangui, Conceição do Pará, Martinho Campos e Pompéu, assim, levando debates sobre preservação ambiental, saneamento e recuperação dos rios da região Centro-Oeste de Minas Gerais.