Grupos de resgate voluntário do Centro-Oeste suspendem atendimentos

Paralisação se deve à medida publicada pelos Bombeiros e afetou entidades de Cláudio, Pará de Minas e Pitangui que davam suporte em casos de acidentes, por exemplo

Grupos de resgate voluntário de Minas Gerais, inclusive da região Centro-Oeste, estão com os atendimentos suspensos desde esta quarta-feira (02). A razão se deve devido a portaria publicada pelo Corpo de Bombeiros, que regulamentou inadequação a uma lei estadual, que disciplina a atuação em atividades desta competência, como as de busca e salvamento, prevenção e combate a incêndio e pânico e atendimento pré-hospitalar.

Essa lei (22.389), foi aprovada em janeiro de 2018 e teve, em julho, outra portaria publicada. Ela dava prazo, até o fim do mesmo ano, para os grupos se adequarem ao ofício, sob pena de advertência, multa e interdição da atividade se continuassem atuando, a partir do início de 2019, fora das regras.

No Centro-Oeste Mineiro, existem três grupos de voluntários, sendo o Anjos do Asfalto, de Pará de Minas, o G3 Resgate, de Pitangui e o Grupo de Resgate Voluntário, de Cláudio.

Grupo de Resgate Voluntário

Em Cláudio, o Grupo de Resgate Voluntário trabalha com 62 voluntários e 3 viaturas. Segundo o presidente e coordenador operacional Márcio Nunes, a entidade está paralisada por orientação da Associação de Bombeiros Voluntários e Equipes de Resgate Voluntário do Estado de Minas Gerais (Volunterminas), para não ter sanção administrativa dos Bombeiros. De acordo com ele, o grupo não irá cadastrar às novas normas, por não concordar com as mesmas.

A maior preocupação se deve a disponibilidade de alguns equipamentos, como o desencarcerador, que é utilizado para retirar as vítimas presas às ferragens, ferramenta que segundo ele, não tem nas ocorrências do Samu. Em média são atendidas 90 ocorrências. A distância da unidade do Corpo de Bombeiros mais próxima também gera aflito.

“A unidade do Corpo de Bombeiros mais próxima daqui é em Oliveira, que fica mais ou menos a 50km de distância. A nossa preocupação é que se agora acontecer um acidente com vítimas encarceradas, elas vão ter que esperar, no mínimo uma hora para chegar o socorro, sendo que toda a equipe do Resgate é treinada, qualificada, tem os equipamentos e poderíamos resolver a situação em 10, 15 minutos e a sobrevida dessa pessoa irá depender de uma hora”, disse Márcio ao PORTAL.

Márcio contou ainda que tentou um diálogo com os Bombeiros sobre as normas, mas não obteve sucesso.

“Chegou essa portaria e tivemos que parar, porque ninguém nos escutou”, relatou.

Manifestação

Neste sábado (05), às 10h30 uma manifestação será realizada na cidade para reivindicar a volta do funcionamento do grupo. A entidade também faz um abaixo assinado e irá entrar com algumas documentações no Ministério Público, para fazer um mandado de segurança coletivo, com o objetivo de reverter a situação.

G3 Resgate

O G3 é um dos grupos que suspenderam as atividades (Foto: Divulgação)

O G3 Resgate atende Martinho Campos, Conceição do Pará, Onça do Pitangui e Pitangui e tem 24 socorristas, três ambulâncias, carro de apoio e motolância. Ao PORTAL, o coordenador operacional e presidente, Edson Souza, contou que a paralisação chega a ser uma situação de constrangimento. Afirmou ainda que os moradores de Pitangui estão complacentes com o trabalho do grupo.

“Estamos passando as ocorrências para o Corpo de Bombeiros, que com certeza não irá conseguir cobrir todas elas. Eles estão encaminhando algumas para o Samu, mas não é a mesma coisa. Atendemos totalmente na questão de clínicos e traumas, urgência e emergência geral e está paralisado, principalmente o combate de incêndio. Se for caso clínico simples, o Samu está atendendo, mas no mais, estão todos parados”, disse Edson.

O presidente do G3 contou que a advogada do grupo já entrou com ação coletiva para que se reverta esse quadro e se tenha prazos maiores, para o possível cadastramento.

Novas normas

Segundo reportagem publicada pelo Estado de Minas, dentre as normas citadas, a que mais incomodou os grupos voluntários foi a que exige que somente médicos, enfermeiros ou técnicos de enfermagem atuem diretamente no contato com vítimas em caso de atendimentos pré-hospitalares. Os grupos paralisaram os resgates por não ter condições de atender essa determinação.

Nesta manhã de sexta-feira (04), o presidente da Volunterminas, Fabricio de Oliveira Coelho, irá se reunir, com o comando geral do Corpo de Bombeiros na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, para discutir o caso.

Marcelo Lopes

Marcelo Lopes

Graduado em jornalismo e apaixonado por esportes e histórias.

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