Haddad anuncia delegacia para investigar crime organizado financeiro

Minas Gerais
Por -26/09/2025, às 07H26setembro 26th, 2025
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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Nova unidade da Receita Federal vai combater fraudes bilionárias ligadas a postos de combustíveis, fintechs e jogos de azar

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta quinta-feira (25) a criação de uma delegacia especializada em crimes contra o sistema financeiro. A proposta será enviada ao Ministério de Gestão e Inovação (MGI) e a nova unidade funcionará dentro da estrutura da Receita Federal.

Segundo Haddad, a medida busca enfrentar de forma estruturada a atuação de organizações criminosas que movimentam grandes somas de dinheiro de forma ilícita. “Essa delegacia vai combater de forma estruturada o crime organizado, bem como a intersecção entre o crime organizado e a economia real”, afirmou.

Operação Spare

O anúncio ocorreu no mesmo dia em que foi deflagrada a Operação Spare, desdobramento da Operação Carbono Oculto, que investiga lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis, fintechs e casas de jogos.

De acordo com Haddad, empresas investigadas movimentaram R$ 4,5 bilhões, mas declararam apenas 0,1% desse valor em tributos. A ação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão e apreendeu quase R$ 1 milhão em espécie, além de celulares, computadores e uma arma de fogo.

As investigações também revelaram vínculos do grupo criminoso com o Primeiro Comando da Capital (PCC), além de conexões com empresas do setor hoteleiro e redes de motéis. O Gaeco e a Receita Federal identificaram que os envolvidos usavam empresas de fachada para movimentar milhões de reais.

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, alertou que “as facções criminosas passaram muito tempo priorizando o tráfico de entorpecentes, mas novas estruturas têm possibilitado que elas atuem em outras frentes, inclusive na economia formal e no ambiente político”.

A operação contou com 110 policiais militares do Comando de Choque de São Paulo, além de agentes da Receita Federal, Procuradoria-Geral do Estado e Secretaria da Fazenda.