Hantavírus em MG: entenda por que o caso no estado é diferente do surto em navio

Minas Gerais
Por -12/05/2026, às 09H06maio 12th, 2026
Rudson Amorim/Fiocruz

SES-MG explica a diferença entre casos registrados no Brasil e investigação internacional envolvendo cruzeiro no Atlântico Sul

A investigação sobre uma possível transmissão de hantavírus entre passageiros de um navio de cruzeiro no Atlântico Sul colocou novamente a doença em evidência. Após morte em decorrência da doença em Minas Gerais (MG), a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) esclareceu que o cenário brasileiro é diferente e que a cepa identificada no país não apresenta transmissão de pessoa para pessoa.

Conforme a SES-MG, a hantavirose no Brasil está associada principalmente ao contato com roedores silvestres infectados, especialmente em áreas rurais.

O secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, afirmou que não existe motivo para alarme.

“É importante esclarecer que não há transmissão de pessoa para pessoa. O vírus circula em roedores silvestres, especialmente em áreas rurais. São casos isolados, como já ocorreram em outros anos no estado”, declarou.

A doença possui ocorrência considerada pontual em Minas Gerais, mas exige monitoramento constante, principalmente em regiões rurais. Conforme a SES-MG, o estado investe em ações de vigilância e capacitação de equipes para investigação de zoonoses.

Em 2024, Minas Gerais se tornou o primeiro estado do país a sediar treinamento prático voltado à investigação de doenças zoonóticas, com foco em hantavirose e peste.

O subsecretário de Vigilância em Saúde, Eduardo Prosdocimi, destacou que as ações de prevenção e monitoramento ocorrem de forma permanente.

Caso de hantavírus confirmado em MG

Até o momento, Minas Gerais registrou um caso confirmado de hantavirose em 2026. O paciente morreu após contrair a doença.

O caso foi notificado em fevereiro e teve confirmação laboratorial pela Fundação Ezequiel Dias.

De acordo com a SES-MG, a vítima era um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba. Ele possuía histórico de contato com roedores silvestres em ambiente de lavoura e paiol.

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) apontam que Minas Gerais registrou seis casos confirmados da doença em 2025, com quatro mortes. Ainda conforme o levantamento, em 2024, o estado contabilizou oito casos e também quatro óbitos.

Sintomas e prevenção

A hantavirose pode provocar febre, dores no corpo, dor de cabeça, dor abdominal e dor lombar nos primeiros sintomas.

Nos casos mais graves, a doença pode evoluir para dificuldade respiratória, tosse seca, aceleração dos batimentos cardíacos e queda da pressão arterial.

A SES-MG reforça que não existe vacina nem tratamento específico para a doença.

Entre as orientações preventivas estão:

  • manter alimentos armazenados em recipientes fechados;
  • evitar acúmulo de lixo e entulho;
  • não deixar ração animal exposta;
  • ventilar ambientes fechados antes da limpeza;
  • umedecer o chão antes de limpar locais com poeira;
  • evitar varrer ambientes secos onde possam existir fezes ou urina de roedores.

A recomendação é procurar atendimento médico em caso de sintomas após contato com roedores silvestres ou ambientes rurais com sinais da presença desses animais.