Letícia Ferreira

 

Ela usa o banquinho para limpar a casa e cozinhar (Foto: Letícia Ferreira)

Ela usa o banquinho para limpar a casa e cozinhar (Foto: Letícia Ferreira)

“Eu apreendi a me locomover em um banquinho e, hoje, levo uma vida normal, trabalho, cuido da casa e até dirijo”, destaca Divina Maria do Amaral, 53 anos, que desde os três anos convive com a deficiência. Superação, uma palavra com diversos significados. Podemos encará-la como agir, superar seus próprios limites e transformar sua própria realidade. Divina o fez, na ausência das duas pernas desde a infância, usa um banquinho para se locomover dentro de casa, às vezes, até fora dela.

 

Divina perdeu as pernas após um acidente doméstico. Ao cair em brasa de carvão quente, com três anos, precisou ter suas pernas amputadas. Como era comum naquela época, os pais optaram por deixar a criança em um orfanato. “Eu já morei, além do orfanato, em hospital. Até que, aos poucos, consegui construir minha vida”, conta a artesã.

 

Nascida no estado de Goiás, morou muitos anos em outros estados como Rio de Janeiro e em São Paulo, onde encontrou muitos amigos e pessoas que a ajudaram. “Existem muitas pessoas que estão dispostas a nos ajudar, a descobrir novas maneiras de tornar nossas vidas mais fáceis”, conta ela.

 

Dia a dia

 

O banquinho se tornou companheiro de Divina quando ainda morava em um Hospital. “Como morava dentro de um hospital, eu trabalhava e precisava descobrir uma maneira de higienizar meu quarto. Então, subi em um banquinho e vi que tinha equilíbrio, e com meu tronco, conseguia movê-lo. Assim, dentro de casa me locomovo por meio dele”, explica.

 

Divina se casou, teve dois filhos e hoje é avó. A deficiência não impediu sua liberdade e independência. Depois do divórcio, a auxiliar optou por morar sozinha e reside em uma casa não adaptada, onde ela mesma cuida dos afazeres domésticos, com a ajuda do banquinho. A ideia de usar o banquinho surgiu para que fosse mais fácil passar o pano úmido no quarto, sem se molhar. “Com o banquinho, consigo varrer, passar um pano, cozinhar e, principalmente, fazer tudo isso sozinha”.

 

Para tornar-se ainda mais independente, hoje ela tem um carro adaptado, que dirige apenas com as mãos, usado principalmente para ir ao trabalho.

 

Oportunidades

 

Depois de passar por escritórios, hoje ela é artesã (Foto: Letícia Ferreira)

Depois de passar por escritórios, hoje ela é artesã (Foto: Letícia Ferreira)

 

Para as pessoas com deficiência, apesar dos avanços legais e até de políticas públicas, a fim de se melhorar sua qualidade de vida, faltam oportunidades de trabalho. Atualmente desempregada, já exerceu diversas profissões.

 

“Durante o período em que morei nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, trabalhei como auxiliar contábil, telefonista e em escritório. Também já trabalhei em fábrica, onde descobri que gosto mais das atividades com maior movimento”.

 

Ainda nessa fase, Divina trabalhou em diversas atividades manuais, como bisqui e pintura em telas.

 

Apesar das dificuldades, para Divina, é necessário que deficientes aproveitem melhor as oportunidades recebidas, para que possa ser evidenciado o potencial real da pessoa com deficiência, rompendo os estereótipos.

 

Semana Municipal da Pessoa com Deficiência 2014

 

Há alguns anos, em Divinópolis, a Associação de Deficientes do Oeste de Minas (Adefom) realiza a Semana Municipal da Pessoa com Deficiência. Este ano, o tema é “Um novo olhar sobre as diferenças”. A abertura será neste domingo.