Júri popular condenou o réu pela morte da sogra, pela tentativa de assassinato da companheira e por porte ilegal de arma de fogo
O Tribunal do Júri de Divinópolis condenou, nesta sexta-feira (10), Júlio Katokas a 37 anos e 2 meses de prisão pelos crimes de feminicídio consumado, tentativa de feminicídio e porte ilegal de arma de fogo. O Conselho de Sentença reconheceu a responsabilidade do réu pela morte da sogra, Maria Gorete de Oliveira, e pela tentativa de assassinato da então companheira, Lorraine Reisla de Oliveira.
A sentença encerra o julgamento do crime ocorrido em 29 de agosto de 2024, na comunidade do Buritis, zona rural de Divinópolis. Na ocasião, Júlio invadiu a casa da família e efetuou disparos contra mãe e filha. Maria Gorete morreu no local. Já Lorraine sobreviveu, mas perdeu completamente a visão.
Depoimento de Lorraine marcou o julgamento
Ao longo do julgamento, os jurados ouviram Lorraine, o sargento que atendeu a ocorrência, familiares e amigos das vítimas, além de testemunhas ligadas ao acusado e o próprio Júlio César.
O depoimento de Lorraine foi um dos momentos mais emocionantes da sessão. Ela contou que como perdeu 100% da visão em consequência dos disparos, hoje depende da ajuda de outras pessoas para cuidar dos dois filhos, uma menina de 6 anos e um menino de 4.
Questionada sobre o que sente ao pensar que poderia não poderia enxergar o crescimento das crianças, respondeu:
“Tem hora que sinto uma angústia. Aí eles falam que me amam, todos os dias.”
Ela também relatou que ainda sente dores provocadas pela lesão na cabeça e aguarda uma cirurgia reparadora.
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Defesa sustentou legítima defesa
A defesa pediu a absolvição do réu e sustentou que ele teria agido em legítima defesa. Os advogados citaram o fato de Júlio Katokas ter acionado o Samu após os disparos como demonstração de arrependimento e tentativa de socorro.
Além disso, mencionaram a existência de uma faca na residência e defenderam que Maria Gorete teria tentado atacar o acusado antes dos disparos.
No entanto, o Conselho de Sentença rejeitou a tese da defesa e condenou Júlio Katokas pelos três crimes.
Crime ocorreu após o fim do relacionamento
Segundo a investigação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Lorraine vivia um relacionamento marcado por violência psicológica, ciúmes e comportamento controlador. Dias antes do crime, ela decidiu encerrar a relação.
Logo após os disparos, a Polícia Militar localizou Júlio Katokas nas proximidades da comunidade do Buritis. Os militares apreenderam uma pistola calibre 9 milímetros e efetuaram a prisão em flagrante, posteriormente convertida em prisão preventiva.
Com a decisão do júri popular, o réu foi condenado a 37 anos e 2 meses de prisão pelos crimes de feminicídio consumado, tentativa de feminicídio e porte ilegal de arma de fogo.






