COVID: Hospital de Lagoa da Prata tem remédios para intubar pacientes só por mais 3 dias

Fundação São Carlos pediu ajuda ao Ministério Público e disse que sem os medicamentos “resultados podem ser catastróficos”

O Hospital São Carlos de Lagoa da Prata tem estoque de Cisatracúrio e Rocurônio – bloqueadores neuromusculares (na ausência de cisatracúrio pode-se utilizar o rocurônio) – para apenas três dias. Os medicamentos são utilizados no tratamento de pacientes com COVID-19, por exemplo, para intubação. O alerta foi feito neste sábado (20) em um ofício encaminhado pela unidade ao Ministério Público em cópia para a Secretaria Municipal de Saúde e à Superintendência Regional de Saúde (SRS).

No documento, a Fundação São Carlos, responsável pela gerência da unidade, informou que tem em estoque 240 ampolas de cisatracúrio (consumo médio 90 ampolas) e 210 ampolas de rocurônio.

O hospital informou que realizou a compra de 2000 ampolas de cisatracúrio, com pagamento antecipado para agilizar a entrega. Diante desta compra, a entrega estava agendada para no máximo dia 22 de março, ou seja, nesta segunda.

“Porém, hoje pela manhã (sábado 20), recebemos a informação do fornecedor que o Ministério da Saúde bloqueou os lotes destes medicamentos para que a distribuição destes fosse administrada pelo próprio órgão”, informou no ofício da Fundação.

Ainda segundo o hospital, diante desta situação foi realizada busca de fornecedores para compra destes medicamentos.

“Onde nosso portal de compras realiza cotações em fornecedores de diversos estados, porém, nenhum fornecedor respondeu com a possibilidade de fornecimento. Em contato com os outros hospitais da região, nos foi informado que estão na mesma situação e não conseguem realizar compra destes medicamentos em nenhum fornecedor (devido a escassez destes no mercado)”, comunicou.

Diante da situação, o hospital pediu auxílio para conseguir os medicamentos “para conseguirmos dar a devida assistência aos pacientes que destes necessitarem”.

“Ressaltamos que caso não consigamos tais medicações os resultados podem ser catastróficos e a assistência a nossos pacientes estará extremamente comprometida”, informou.

Leitos

A Fundação São Carlos de Lagoa da Prata é parte integrante do plano de contingência macrorregional para enfrentamento a COVID-19. Desde 04 de junho de 2020, quando foi publicada a deliberação, a Entidade possui leitos clínicos para atendimentos a pacientes de Síndrome Respiratória Aguda Grave e 10 leitos Sistema único de Saúde (SUS) de UTI-COVID-19 (08 pacientes entubados), quatro leitos de estabilização, 25 leitos clínicos SUS, três leitos convênio.

Desde o início deste ano,  taxa de ocupação vem crescendo em grande escala e nos últimos dias atingimos o percentual de 131% de ocupação dos leitos de CTI COVID-19. Segundo o hospital, estão sendo utilizados leitos de saúde suplementar para atendimento a pacientes SUS.

Junto ao aumento da taxa de ocupação, vem aumentando drasticamente o consumo de medicamentos e alguns, que são imprescindíveis para a assistência aos pacientes, estão extremamente escassos no mercado.

A  Secretaria Municipal de Saúde de Lagoa da Prata informou tomou conhecimento e já entrou em contato solicitando auxílio ao Ministério Público.

“É necessário salientar que, como informado em nota, o bloqueio dos medicamentos foi uma decisão do Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, que exige que a distribuição dos medicamentos seja realizada pelo próprio órgão”, informou.



Alta demanda

Com a alta demanda, o Ministério da Saúde requisitou todo o estoque das fabricantes dos medicamentos, na última quinta-feira (18), segundo a CNN Brasil.

O Ministério informou ao canal que essa ação evita que haja desabastecimento de medicamentos e que, a partir dos dados enviados pelos órgãos, a pasta realiza a distribuição para os estados com base em critérios como curva epidemiológica, cobertura menor que 15 dias, ausência de similaridade nos estoques, quantitativo de leitos, entre outros. 

 

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