O histórico do Hospital Regional de Divinópolis não permite mais discursos genéricos: a urgência é humana
A sanção da lei que autoriza a doação do Hospital Regional de Divinópolis (HRDV) à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) elimina, definitivamente, o principal argumento usado até aqui para justificar a demora na abertura da unidade. O “problema jurídico”, apontado reiteradas vezes como entrave pelo governo federal deixou de existir. O governo do estado cumpriu a condicionante. Agora, qualquer novo adiamento não será técnico nem legal: apenas político e administrativo.
Com a assinatura do governador Romeu Zema (Novo), nesta segunda-feira (12/1), o Estado deu o passo que faltava para destravar o funcionamento do hospital. Mais do que isso, o despacho que determina à Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) a intensificação dos esforços para concluir a transferência do imóvel reforça que, do ponto de vista formal, o caminho está livre.
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais já havia feito sua parte ao aprovar, em definitivo, o Projeto de Lei nº 4.690/2025, de autoria da deputada Lohanna França (PV). O ciclo institucional se fechou.
Sem cautela excessiva
Portanto, insistir em cautela excessiva ou em novos condicionantes significa empurrar o problema com a barriga, prática velha conhecida de quem depende do sistema público de saúde e amarga filas por cirurgias, leitos e atendimentos especializados. O tempo, neste caso, não é neutro: ele custa vidas, sofrimento e agravamento de quadros clínicos que poderiam ser evitados. A UPA de Divinópolis, por exemplo, contabiliza média de 45 pessoas esperando por procedimentos.
A secretária nacional de Finanças do PT, Gleide Andrade, antecipou, logo após a sanção, que a abertura do HRDV ocorrerá em três etapas. Disse ainda que solicitou reunião com a Ebserh para conhecer, em detalhes, o cronograma de abertura.
O governo federal, receberá o prédio totalmente concluído. Em ocasições anteriores, afirmou que a compra de equipamentos já começou. Se os recursos existem, e parte deles existem, com R$ 85 milhões já repassados para equipamentos, o que falta é calendário público e compromisso com prazos.
Quase 15 anos de espera
O histórico do Hospital Regional de Divinópolis não permite mais discursos genéricos. As obras, iniciadas em 2011, ficaram paralisadas desde 2016, sendo retomadas de forma efetiva em 2023. Em fevereiro de 2025, o Acordo de Cooperação Técnica entre o Governo de Minas, a UFSJ e a Ebserh sinalizou um avanço concreto. Agora, com a doação do imóvel respaldada por lei, a Ebserh pode formalizar contratos e estruturar a operação. Não há mais álibis. Claro, ainda espera-se a conclusão da transferência do imóvel.
Avaliado em R$ 184 milhões, com mais de 16 mil metros quadrados de área construída, o HRDV foi concebido para atender 54 municípios do Centro-Oeste de Minas. São 202 leitos, incluindo UTIs adulta e neonatal, internações clínicas, pediátricas e estrutura de pronto atendimento. Além disso, o hospital oferecerá serviços de média e alta complexidade, obstetrícia, cirurgias especializadas e atendimento em áreas sensíveis como cardiologia, neurologia e traumatologia. Não se trata de um equipamento qualquer, mas de uma engrenagem essencial para desafogar o sistema regional.
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Confiança social
Os R$ 40 milhões destinados à conclusão da obra, oriundos do acordo judicial após a tragédia de Brumadinho, carregam ainda um peso simbólico: são recursos que deveriam, justamente, transformar dor coletiva em políticas públicas efetivas. Deixar o hospital virar apenas mais uma promessa seria desperdiçar não só dinheiro, mas confiança social.
Lei sancionada. O impasse caiu. Expectativa criada e legítima. A partir de agora, cada mês perdido reforça a sensação de que o jogo de empurra continua, enquanto a população segue esperando. O Hospital Regional de Divinópolis não pode ser inaugurado apenas no discurso. A urgência não é política; é humana.



